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domingo, 25 de janeiro de 2026

Quando o Rei Paga: como política, mídia e religião manipulam narrativas de poder


 

Há uma pergunta incômoda que atravessa séculos e permanece urgente: quem paga a conta das narrativas que moldam nossa visão de mundo?

Por trás de filmes premiados, manchetes bem construídas, músicas emocionadas e sermões inflamados, muitas vezes existe menos compromisso com a verdade e mais compromisso com quem financia a história.

Menos fé.
Menos ética.
Mais conveniência.

Manipulação de narrativas e poder político

Quando o rei paga, a narrativa muda.

Músicos passam a ouvir virtudes onde antes havia ruído.
Poetas encontram luz em quartos escuros.
Roteiristas transformam tiranos em heróis.

Não porque o governante tenha mudado, mas porque a narrativa política mudou de dono.

O poder político sempre entendeu que controlar histórias é tão estratégico quanto controlar exércitos.

Indústria cultural, cinema e propaganda ideológica

Quando o rei paga, a arte deixa de confrontar e passa a confortar.

Filmes reescrevem personagens.
Canções suavizam biografias.
Prêmios legitimam versões.

A indústria cultural cria mitologias modernas onde líderes são apresentados como salvadores, e não como agentes de interesses.

Não é errado potencializar o positivo — o erro é abortar o bom senso

Não há nada de errado em destacar virtudes quando se é pago para comunicar.

O problema começa quando, para cumprir esse papel, abortamos o bom senso, abortamos os valores e abortamos o nosso lado humano.

Quando maquiamos o grotesco.
Normalizamos abusos.
E pintamos sepulcros caiados como exemplos de virtude.

Aqui, a comunicação deixa de informar.
Passa a manipular.

Mídia, jornais e a higienização da realidade

Quando o rei paga, crimes viram equívocos.
Escândalos viram ruídos.
Fracassos viram desafios.

A mídia não mente diretamente.
Ela suaviza.

E quem suaviza, muitas vezes, esconde.

Influenciadores e o novo marketing político

Nos dias atuais, influenciadores se tornaram peças centrais da propaganda política.

Eles não defendem abertamente.
Mas sugerem.
Não declaram apoio.
Mas sinalizam.

É apoio sem assinatura.
Propaganda sem carimbo.

Religião, poder e a profanação do sagrado

Quando o rei paga, alguns líderes religiosos esticam versículos até sangrar.

O texto sagrado, que deveria confrontar reis, passa a legitimar tronos.

Aqui ocorre algo ainda mais grave: o sagrado é profanado.

O altar vira palanque.
O púlpito vira tribuna.
Deus vira argumento.

Tudo para beatificar, entre aspas, a atuação de um rei.

Controle do imaginário: ontem e hoje

Ontem eram bardos e arautos.
Hoje são estúdios, redações e algoritmos.

Mudam os meios.
Permanece a lógica: quem controla o imaginário controla o poder.

Quando o pagamento compra consciência

O dinheiro não é o vilão.

O problema é quando ele compra silêncio.
Compra distorção.
Compra louvor.

Nesse ponto, a arte deixa de ser arte.
A fé deixa de ser fé.
A palavra deixa de ser palavra.

Tudo vira mercadoria.

A pergunta que desmonta qualquer narrativa

Diante de discursos inflamados, filmes emocionantes e sermões reveladores, talvez a pergunta mais honesta seja:

quem está pagando?

Não para invalidar toda voz.
Mas para aprender a desconfiar.

Porque, quase sempre, quando o rei paga, não ouvimos convicções.

Ouvimos recibos.

Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo

Janeiro de 2026

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Rachaduras no Bolsonarismo

 


Esse período de eleição municipal revelou duas rachaduras no Bolsonarismo:

Primeiro o efeito Marçal em São Paulo. Pablo Marçal no cenário político não se torna ameaça para a esquerda. E sim para a direita. A fatia de votos que ele tira da direita se mostrou no primeiro turno em São Paulo. Seu discurso agressivo, debochado, com frases de efeito em um contexto de empreendedorismo, autoajuda e até religioso, encantou boa parte do eleitorado que deixou de votar no Nunes do Bolsonaro.

Não é a toa que o próprio Bolsonaro o atacou e depois o Silas Malafaia. Que até então se porta como um aiatolá do ex-presidente. Tudo bem que sobre o Malafaia, não foi só o Marçal que apanhou, o próprio Bolsonaro tomou uma chamada de "omisso" e "covarde" no sentido de que poderia ter sido mais protagonista nas eleições da cidade de São Paulo.

A segunda rachadura tem relação direta com os evangélicos. E aqui entra a figura do Deputado Federal e também Pastor Otoni de Paula Junior (MDB - RJ). Ao rasgar elogios ao Presidente Lula reconhecendo que os programas sociais ajudaram muito os evangélicos, como minha Casa Minha Vida, Prouni e outros. Tentou equilibrar o discurso dizendo que não votou no Lula. Mas, agradecer publicamente mostra um distanciamento do Bolsonaro. O efeito no Rio de Janeiro foi claro: Apoiou Paes ao invés do Ramagem, candidato do Bolsonaro.

E aos poucos o PT vai aumentando a articulação com a bancada evangélica. De acordo com a Folha de São Paulo, já se estima um acordo com 90 deputados da bancada.

Com essas rachaduras, os votos que o Bolsonaro recebeu começam a se dispersar para as próximas eleições. Vai se perdendo a centralidade. O discurso religioso, de guerra espiritual, muito presente na última eleição presidencial não ganhará força porque não terá um único inimigo. No jogo político a pior coisa é quando a definição de adversário se torna plural. Sendo mais de um, o candidato precisa dividir a narrativa e energia.

Ainda dentro do apoio dos pastores midiáticos, existe um fator de dúvida com relação a Igreja Universal. Tudo vai depender da mudança que haverá na presidência da Câmara dos Deputados agora em 2025. O vice-presidente da Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos), tem buscado apoio do Presidente Lula. Ora, não podemos esquecer que Marcos Pereira é bispo licenciado da Universal e o próprio Partido Republicanos é da Universal. Se Lula apoiar, naturalmente a Igreja apoia o PT em 2026. Se criar essa aliança, não veremos mais a cena do Bispo Macedo colocando as mãos na cabeça de Bolsonaro e nem de nenhum dos seus aliados.

Vale lembrar que Republicanos, PL e União Brasil foram os partidos que mais ganharam prefeituras no Brasil.

Dentro da esfera política a formação da nova mesa da Câmara dos Deputados em 2025 irá apontar se as rachaduras no Bolsonarismo irão aumentar.

Por fim, o eleitor comum precisa acalmar o seu coração e não romantizar a política. Muito menos beatificar o que não pode ser santificado. Política é jogo do poder. E nessa relação acordos e discursos são feitos e desfeitos na mesma velocidade.

Procure entender mais sobre o jogo político.

Aprenda a sobreviver e blindar os seus interesses.

E, principalmente, não sofra por causa de político.

Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo

Outubro de 2024


domingo, 28 de abril de 2024

VOCÊ REALMENTE SABE O QUE É CONSCIÊNCIA DE CLASSE?

 


É normal em discussões sobre Capitalismo e Socialismo, ouvirmos a expressão “Consciência de Classe”. Principalmente em termos dos direitos do trabalhador e sua relação com os patrões.

O discurso sobre essa tal consciência acaba entrando mais em um terreno de jargões de sindicatos do que praticamente uma diretriz ou processo que o trabalhador pode seguir. Expressão essa originada no Marxismo e a Ditadura do Proletariado. Se bem que o próprio Karl Marx não dogmatizou esse conceito.

Por isso, quero dar um passo para trás dessa consciência de classe e focar na consciência de si.

O princípio é: Você precisa ter consciência de si, da sua realidade financeira e social e usar a política a seu favor.

Aqui o ponto de partida é individual. Não é atender pleitos de dirigentes sindicais, exigências dos patrões ou usufruir sem pensar dos benefícios sociais de um governo.

Quem você é?

É rico, pobre, branco, preto, deficiente físico e assim por diante.

Mora em que lugar?

Comunidade, condomínio fechado na Barra da Tijuca ou interior.

Sua realidade familiar. Como ela é?

Família tradicional. Família onde o pai abandonou. Casos de vícios, mortes ou tragédias.

Profissão. É professor, dentista, comerciante ou funcionário público.

A partir dessa consciência de quem você é, você deve então usar a política a favor dos seus interesses.

Seus Interesses

Sim! Seus interesses. Política é um jogo de poder de interesses. Você é prejudicado pela política porque os seus interesses não estão sendo representados.

Exemplo: Sou funcionário Público. Logo, preciso ter conhecimento de pautas legislativas e executivas que podem impactar a minha vida.

Pense nas grandes corporações que possuem os seus “lobistas” lutando pelos interesses em um determinado setor.

Integração de Interesses

Tendo consciência do que te impacta, ou impacta a sua área de atuação, você integra as suas necessidades com de outros. Seja por associações, clubes ou sindicatos.

Exemplo: Você mora em um determinado bairro e as ruas possuem uma precária sinalização de trânsito que impacta a sua vida e de seus filhos na hora de ir para a escola. Outros pais também tem a mesma necessidade que a sua, momento ideal para unir forças e fazer um pedido para a prefeitura, chamar alguém da imprensa. Sozinho dificilmente você irá conseguir. Só se você for um influenciador digital, mas um caminho é associação de moradores do seu bairro.

Seu bairro tem um? Tem, mas você não gosta. Não querer participar de uma associação de moradores é um direito seu. Mas, pessoas irão decidir por você. E o que escolherem, pode te impactar.

Pense fora da narrativa política

Política é um jogo de narrativas. Pare de sofrer porque o Bolsonaro falou isso ou porque Lula falou aquilo. Saiba que nossa estrutura política é superior a isso. E dependendo de quem você é e suas necessidades, um prefeito te impacta mais do que um presidente. Foque no concreto. O que está sendo tratado no legislativo e executivo. Fuja das distrações.

Uma maneira de fazer isso é entrar no site da Câmara dos Deputados, senadores, assembleias legislativas estaduais, câmara de vereadores e cadastrar o seu e-mail. Para receber o que está sendo votado. Ou cadastrar de um determinado político para saber o que ele está fazendo.

Não se deixe enganar por partidos de "direita" ou de "esquerda"

Aqui tem relação com o ponto anterior. A guerra de narrativas entre direita e esquerda, capitalismo e comunismo (que foge totalmente do sentido tradicional) pode te distanciar dos seus objetivos.

Exemplo: Você é um professor da área pública. De imediato você pensa que seus interesses serão atendidos pelo PT ou PSOL. Não necessariamente. Existem políticos que se prendem apenas ao teatro do discurso para gerar sensacionalismo. E de prático não fazem nada de concreto.

Outro exemplo engraçado são políticos que possuem discurso forte contra bandido e a criminalidade. Mas, nunca apresentaram um projeto de lei para tornar a legislação mais firme. Se vai ser votado ou não é outra história. Mas, apresentar um documento com uma proposta de lei, todo deputado pode.

Aí, nesse exemplo, você é assaltado ou alguém da sua família morre vítima de um crime. Você se revolta, mas na eleição vota em políticos que não trabalham em prol a essa pauta.

Ter consciência de si é o primeiro passo para a consciência de classe. Que possui várias facetas.

Você tem alguém na sua família com autismo? Então você precisa se juntar com pessoas que estão na mesma realidade que você. Participe de grupos com essa temática, produza conteúdos, siga artistas que falam sobre e vote em políticos que defendem qualidade de vida e direitos para os autistas. O político ganhou, nada foi feito. Na próxima eleição não vote nele. Simples assim.

Você é trabalhador e precisa andar de transporte público, ônibus e Uber. Essa é sua classe. Você precisa votar em vereadores que cobram a prefeitura por qualidade desses transportes. E não no miliciano que proíbe Uber no seu bairro para forçar você a pegar a van controlada por ele. Não vote nele. Mesmo que seu líder religioso diga que é um “homem de Deus”. Você não precisa falar que não irá votar nele porque pode ser arriscado, apenas não vote nele no momento da cabine da urna eletrônica. 

 Por fim, pense: O que vai acontecer se todos lutarem pelos seus interesses?

A resposta é: O jogo ficará mais equilibrado. Como no xadrez, se você não focar, apenas o outro irá ganhar. 

Hoje é desproporcional o conceito de equidade no jogo. Ainda na analogia do xadrez. É como se o outro jogador só tivesse Rainhas entre suas peças e você peões. Peão é limitado por natureza. Rainha tem mais oportunidade de movimento. Por isso que o peão precisa se esforçar para pegar alguns espaços que a Rainha tem ocupado. Se ele não se movimentar será comido. Simples assim.

Pense nisso.

Pedro Henrique Curvelo

Abril de 2024

quarta-feira, 8 de março de 2023

O que é a Política? Leia isso e pare de sofrer.

 


O que é a política? Essa é uma pergunta que muitos se fazem e que muitas vezes não encontram uma resposta clara e objetiva. Mas, antes de tentar responder essa pergunta, é preciso entender que a política é o jogo do poder, e que, como tal, ela não deve ser romantizada.

É comum vermos pessoas que se deixam levar pela emoção e pelos discursos inflamados dos políticos, esquecendo-se de que a política é um jogo em que cada um busca o poder para si ou para seu grupo. E é por isso que, ao invés de se iludir com as promessas vazias, é preciso ter consciência de qual classe ou grupo se pertence, e lutar pelos seus direitos.

A política é um jogo em que se utiliza de todos os meios possíveis para se chegar ao poder. Esses meios vão desde a persuasão até a violência. E é por isso que é importante que o jogo democrático esteja equilibrado, para que os grupos mais fracos não sejam oprimidos pelos mais fortes.

Nicolau Maquiavel, um dos mais importantes filósofos políticos da história, defendia que o príncipe deveria usar a astúcia e a violência, se necessário, para se manter no poder. Ele acreditava que a política não era regida por valores morais, mas sim pela razão de Estado. E é por isso que, ao se falar de política, é preciso ter em mente que os fins muitas vezes justificam os meios.

Mas, apesar disso, é possível fazer política sem perder a ética e os valores. É preciso buscar sempre o equilíbrio, e lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. E para isso, é preciso conhecer a política, entender como ela funciona e como ela pode ser usada para promover o bem comum.

Em resumo, a política é o jogo do poder, em que cada um busca o poder para si ou para seu grupo. Não se deve romantizar o que não tem como ser romantizado. É um jogo. E para sobreviver é preciso conhecer as regras.

Pense nisso.

Pedro Henrique Curvelo

Março de 2023

domingo, 6 de março de 2022

Mamãe, falei merda! Uma análise política sobre o áudio de Arthur do Val contra as mulheres ucranianas



O Deputado Arthur do Val (youtuber do canal MamãeFalei) foi do céu ao inferno em um curto espaço de tempo. Enquanto voltava da sua viagem (sem sentido) da Ucrânia, o poder de escala das redes sociais foi intenso ao vazar o áudio sexista contra as mulheres da Ucrânia  que o Deputado mandou em um grupo particular. Esse incidente fez o Arthur não só perder a namorada, mas também perder a chance de sucesso em uma disputa ao governo de São Paulo. E aqui eu quero com você analisar as lições no campo político. Não é nosso objetivo olhar a parte moral e ética. Por que não precisamos mais colocar nenhuma opinião. Acredito que todos concluem que foi repulsivo o que ele falou.

  

Vida de político não é festa. É um constante jogo de estratégia.


A política é um jogo de poderes. A todo instante se busca uma brecha do adversário. Principalmente em ano eleitoral.

 

O político é político 24h por dia. Não tem descanso. Esse é o preço. Logo, a justificativa de que “o áudio era em um grupo particular” o prejudica mais. Por que mostra uma pessoa diferente do que ele apresenta. Arthur do Val forneceu de graça munição para os adversários.

 

A impressão fala mais que a verdade.


Essa é uma verdade que incomoda o puritanismo da nossa sociedade. Mas é verdade, infelizmente. A massa da população não vai apurar uma determinada informação. Ela vai seguir a impressão. A agitação.

 

Então quando ele falou “olhem o contexto”, para tentar amenizar, isso não ajudou em nada.


Se um escândalo veio à luz, não alimente.


Por qual motivo a mídia potencializa as desgraças e escândalos? Por que o povo gosta disso ou porque tem alguém financiando. Simples assim.

 

Se algo vem a luz. Emita uma Nota Oficial e permita que o assunto fique quieto. Deixe nas mãos dos advogados e assessores para que atuem nos bastidores para resolver o assunto.

 

Percebam a família real britânica. Quando surge um escândalo, emitem uma nota oficial (maior parte dos casos) e não tocam mais no assunto. Essa postura é um dos motivos pelos quais permanecem tanto tempo no poder.

 

O que o partido do Arthur do Val, Podemos, deve fazer?


Literalmente afastar o deputado da legenda. Para não prejudicar o projeto maior de terceira via que estão propondo: Moro. Sem dizer que a presidente do Partido é uma mulher. Tem momentos, no jogo político, que devemos sacrificar uma peça para salvar o rei (analogia com o xadrez).

 

Arthur do Val. O que deve fazer?


Ir para os bastidores um tempo. Abrir mão da pré-candidatura. O que já fez. Aproveitar a janela partidária de março e trocar de partido, se não for expulso antes. E tentar a reeleição como deputado estadual por São Paulo.

 

Como jogador político Arthur do Val garoteou. Falou demais em um canal errado: WhatsApp. Acha mesmo que um dos integrantes de um grupo não poderia pegar o áudio e vender para um adversário político?

 

Por ironia, Moro, do mesmo partido, também foi “inocente” com essa ferramenta. Quando a conversa dele com Dallagnol vazou. Já escrevi sobre isso aqui no blog. 


Quero encerrar repetindo que esse texto não é sob a ótica da moral e ética. Todo mundo sabe, até os apoiadores do deputado, que o que foi falado é injustificável. Aqui é só analisar como é o movimento político em situações como essa. É importante que você como eleitor entenda como funciona o sistema. Não para se corromper. Mas para sobreviver a ele.

 

Pedro Henrique Curvelo

Março de 2022

  

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

OS FINS ECONÔMICOS JUSTIFICAM OS MEIOS RELIGIOSOS




Você conhece a velha frase: “Os fins justificam os meios”. Apesar de, erroneamente, associarem a frase à Maquiavel, não há como provar que o autor de O Príncipe tenha escrito ou falado isso.
Vou adaptar a frase para “Os fins econômicos justificam os meios religiosos”. Digo com essa frase que o poder econômico é o que respalda a ação de qualquer entidade. Com isso, se for necessário utilizar o discurso religioso para alcançar esse fim, que assim seja.

A grande empreitada dos reis católicos para expandir a fé cristã nas américas é uma prova disso. Financiar missionários era uma forma de preparar o terreno para a exploração. Os EUA e a Inglaterra também fizeram com missionários protestantes.

Eu poderia em ordem cronológica abordar as evidências ao longo dos anos, mas quero chegar rapidamente ao ponto que o Brasil vive com um novo presidente. Que possui um discurso totalmente afinado com o conservadorismo cristão.

A expressão política “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” fortalece a posição de Bolsonaro com relação aos evangélicos e católicos. Abre, inclusive, as portas do aeroporto para a visita do Primeiro Ministro de Israel, Netanyahu. A primeira de um chefe do estado judeu desde a sua fundação.

Em volta do Netanyahu há muita euforia. Desde a pose para foto do Silas Malafaia, o selo dos Correios até a do próprio chefe de Estado Israelense. Fortalecer o vínculo espiritual de parceria entre evangélicos e judeus, Brasil e Israel, traz um ganho econômico muito grande. O apoio do Brasil para a mudança da embaixada para Jerusalém, ampliação do turismo religioso e compra de tecnologia de segurança por parte do Brasil de Israel (Sim! Eles são referências nessa área).

Por fim, lembre-se que para fortalecer o poder é possível até que coloquem argumentos religiosos nas relações políticas. Isso é comum. Sempre aconteceu e sempre acontecerá. Não espere um “messianismo” de um líder. Mesmo que tenha “Messias” no sobrenome ou aliança com Israel. Encare-o como humano e político. Onde o seu sucesso dependerá de acordos e diálogo.

Feliz 2019!

Pedro Curvelo
Dezembro de 2018
Imagem: https://medium.com/@charlesomoregie/uma-carta-aos-meus-amigos-crist%C3%A3os-que-apoiam-o-bolsonaro-c8b466dcf0d0

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÃO FEDERAL Entre a arte e o dever de casa



Mal passou o carnaval, somos surpreendidos com um novo bloco. Ou, para ser mais preciso em se tratando do Rio de Janeiro, “arrastão da federal”. 💂

A intervenção federal surge como um “Aleluia” para a população do estado do Rio que sofre ao sair de casa. Quando em todo lugar, as pessoas usam a tecnologia do celular para consultarem aplicativos de tempo e trânsito para sair das suas residências, o carioca olha o aplicativo “Onde tem tiroteio” (#OTT), que apesar de útil, revela nossa crise social. A história mostra que em tempos de desespero, quando aparece alguém como um salvador, esse alguém é amado e desejado pela população. Ainda mais se esse salvador aparecer de farda. Não importa se essa mesma farda foi responsável um dia pela expulsão do Imperador do Brasil ou pela ditadura militar. Você quer falar de história para um povo que tem sido assaltado com violência?! Desculpa! Vamos prosseguir.👇

A intervenção surge também como uma cartada certa de Temer. Sim! Diante da sua dificuldade em consolidar votos necessários para a Reforma da Previdência (Por mais que ele seja “carismático”, mas votar uma pauta dessa em pleno ano de eleição é muito difícil!), e sua fixação em deixar um legado na história, nada melhor do que tentar salvar um defunto. Não é mesmo? Então, ele joga de um lado: Se conseguir consolidar votos, dar uma pausa na série de terror que é o Rio, aprova a Reforma e entra para a história como o responsável pela “mesada” do vovôs e vovós no futuro. Se não conseguir, brinca de “marcha soldado” e também entra para a história. 👴👵

Não acredite em “bom samaritano” na política. Quando se faz uma jogada, é igual no xadrez, um olho no relógio e o outro no olhar do adversário. Qual ação ele projeta no tabuleiro? 👀

A intervenção ajuda também as eleições de 2018. É insumo para candidatos como o Bolsonaro nos seus discursos que... não sei explicar! O que importa? Não preciso escrever mesmo o que ele fala, pois o que alimenta a multidão é sua imagem e seus gritos. Ninguém analisa os seus discursos. Haja vista, diante da solução que ele deu em uma palestra para a Rocinha, ele deveria se candidatar a governador do Rio e não Presidente. Mas, não vou gastar linhas com ele. Ele não irá ganhar. Pode acreditar em mim (rs). Irá sim, fazer volume para no segundo turno, apoiar alguém e ganhar um ministério. Quem sabe o da justiça 😊

E o Pezão? A intevenção só reforça um ponto de reflexão: Caramba! Por qual motivo eu voltei a comer aquela comida que me fez mal? Ou seja, se eu fiz burrada em votar no Cabral, por qual motivo votei no Pezão como governador e no filho do Cabral como deputado?😒

Por fim, escrevi e escrevi para dizer o seguinte: Se para eu comprar pão na rua tranquilo eu preciso ter um soldado na esquina, que assim seja! Moro na zona norte do Rio e tenho que preferir pela lei da sobrevivência.🙈🙉🙊

Pense nisso!
Pedro Curvelo
Fevereiro de 2018



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SE CONVERTENDO EM DEUS (Pontifex Maximus)



Nossa história tem diversos ícones de seres humanos, líderes políticos, que se "converteram em deus".
Desde a figura do Faraó no Egito até Júlio César, ditador romano, que se tornou Sumo Sacerdote (Pontifex Maximus) e depois em um "deus vivo". Para ser mais atual, Hitler ao se comparar com o "Espírito Santo" em um dos seus discursos.

A política sempre precisou buscar um cunho religioso. Tudo para inflar o ego do personagem político. O último estágio nessa ação é colocar o "trono nas alturas". Até no comunismo essa prerrogativa foi utilizada. Por um outro viés, o de combater a religião. Não em nome da laicidade do estado, e sim, para combater a religião e fortalecer o "braço de prata" do Estado (livro do profeta Daniel na Bíblia).

Na história da Igreja Católica Romana, o Papa Leão I (440-461) abraçou esse título, visto que era a consolidação do poder político romano com a nova religião, o Cristianismo. Até hoje é mantido no papado esse título. Afinal, o Vaticano é um Estado Teocrático. 

O tempo nos revela o quão traiçoeiro é essa relação. Política junto com a religião fortalece os interesses de um grupo ou líder político. A oratória política ganha vida quando o "nome de Deus é usado em vão". Belo exemplo foi a votação do impeachment da Dilma. Foi tanto "em nome de Deus" que parecia um exorcismo na política.

Os efeitos colaterais da chamada "bancada evangélica" são maiores que os benefícios. Observem a operação Lava Jato que revelou vários parlamentares evangélicos. Observem Eduardo Cunha e suas campanhas na Rádio Melodia no Rio de Janeiro. "O povo merece respeito!" Esse irônico slogan de Cunha prejudicou a imagem dos evangélicos na política. Em suas campanhas políticas, por exemplo, era frequente o Pastor Silas Malafaia e o RR Soares chamando Cunha de "homem de Deus". O povo dizendo amém, ao invés da criticidade que a história do protestantismo nos ensinou.

Assim, devemos entender que Religião e Política tendem a fortalecer o poder temporário. Em detrimento, na maior parte, da religiosidade individual. Natural termos políticos religiosos. No entanto, envolver o altar da instituição religiosa com o palanque político é perigoso.

Pense Nisso!

Pedro Henrique Curvelo
Agosto de 2016

Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador_romano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Le%C3%A3o_I
http://germanoreis.com/politica-com-humor-deus-reclama-de-usarem-o-nome-dele-na-votacao-de-impeachment-de-dilma-rousseff/

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

CORDA BAMBA EM BRASÍLIA



A corda bamba que a nossa política anda, chegou em um péssimo momento. Digo isso porque para levantarmos a nossa economia é fundamental uma sólida base política. No entanto, os constantes terremotos em Brasília, da Lava Jato até o pedido de Impeachment,  quebram qualquer via de investimento, reforma tributária e reeducação na gestão pública. Não há equilibrista que se segure na corda.
Diante da possibilidade da Dilma cair ou o do Cunha, o fato é que nós já estamos no chão. Vivemos o retrocesso: salários devorados pela alta carga tributária, não produção de tecnologia e mentes brilhantes saindo do país. Vivemos a corrupção desde o "cafezinho" em uma blitz policial até a política. Nosso congresso se preocupa com o matérias insignificantes como o "Dia do homem Hétero" até a possibilidade das igrejas questionarem o STF.
No que diz respeito ao Impeachment, temos um ponto histórico para analisar: Collor.
Ele não caiu por causa do movimento dos Caras-pintadas, caiu porque não tinha o apoio no congresso. Simples assim!

Apesar da Dilma ter uma bancada forte, ela precisará, para se livrar, fazer o que nunca fez: Política! Nessa matéria, ela tem dificuldades. Se o mais básico que é receber a visita de algum deputado ela não consegue, o que dirá fazer uma forte articulação para impedir o impeachment.

Já o Cunha ganha tempo para não cair agora. Tem momentos que penso se a série do Netflix, House of Cards, foi inspirada nele ou o contrário. O presidente da Câmara dos Deputados, sabe que irá cair em algum momento. Quando esse momento chegar, as orações do Malafaia ou do R.R Soares não poderão livra-lo.

Por fim, o processo do impeachment e as brincadeiras de "imperador" do Cunha precisam passar rápido. A estabilidade política precisa voltar para que, então, a nossa economia possa se apoiar e se curar.
 
Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2015

Imagem: http://wellingtonflagg.blogspot.com.br/2015/06/dilma-de-bicicleta-na-corda-bamba-charge.html


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

DORMINDO AO LADO DO DIABO - Uma reflexão sobre a Reforma do Papa Francisco


 
 
A luta do Papa Francisco contra a corrupção da Igreja Católica será árdua. Primeiro porque isso é um mal do ser humano, a tendência à corrupção, segundo por causa de uma instituição política com viés religioso, que é o Vaticano. É muito difícil equilibrar um Estado Religioso. De um lado a balança do pragmatismo político, do outro, o discurso do contentamento e amor cristão.

Já havia sinalizado algo semelhante em um texto que escrevi ano passado: http://phcurvelo.blogspot.com.br/2014/12/o-cajado-politico-do-papa-francisco.html

Pelo princípio cristão, Francisco já teria se encontrado com Dalai Lama. No entanto, pelo viés político, não é prudente gerar rachaduras com o governo Chinês.

Agora é a vez dos mafiosos religiosos de batina.
Onde está a raiz da corrupção? A ganância pelo dinheiro e poder. O Papa contesta a gestão financeira do Vaticano, mas, manter um banco ligado a uma religião é dormir ao lado do diabo.

A atuação do Papa é louvável e honrada. O que esperamos do seu cargo. O risco é que mexer em um buraco que só tem cobras, criadas durante séculos, é muito difícil não se ferir.

Pedro Curvelo

Novembro de 2015
 

sábado, 4 de julho de 2015

OPERAÇÃO LAVA JATO – ATÉ QUANDO A ÁGUA IRÁ DURAR?



A operação da Polícia Federal “Lava Jato” é significativa no seu título de batismo por mexer com uma sujeira grossa que, de tão complexa, sempre se empurrou para debaixo do tapete. Com a transparência dos fatos, vivemos momentos de surpresa pela sociedade, medo por parte dos corruptos, “oba-oba” da oposição e correria por parte da imprensa devido a tanta informação.

Cada jato traz uma novidade que está ligada a um deputado, este a um empresário, este a fulano de tal e assim por diante. É um ciclo do “carma” político.

Essa sujeira sem fim traz um problema sério. A falta d’água. Isso mesmo! Não há como sustentar por muito tempo essa força da Lava Jato. Não há energia e nem estrutura para lidar com tanta sujeira.

A sociedade não deve esperar que uma operação policial venha a exorcizar nossa política.

Não é personificando o Lula para “Judas” que iremos nos limpar.

Não é retirando um determinado partido do poder que poderemos fechar a torneira.

Corrupção é um aspecto moral da nossa sociedade. Não são apenas políticos que são corruptos. O que existe é um povo corrupto que se manifesta na política. Uma vez escrevi se criticamos os corruptos porque somos honestos ou porque somos invejosos. É comum ver um cidadão fraudando compras no trabalho, desviando aquisições, mentindo na declaração do Imposto de Renda, subornando um policial em uma blitz, colando nas provas, pagando uma pessoa para amenizar em determinadas dívidas com a prefeitura, pagando um advogado para fraudar uma aposentadoria e por aí vai. Somos criativos no jeitinho.

Mas, voltando ao campo político. Corrupção não foi gerada pelo PT. É institucional e hereditária. A nossa herança vem desde a época da colônia. Para se ter uma ideia, quando a família imperial chegou ao Brasil, alguns cargos políticos não tinham salário. Que isso? Trabalho escravo? Não. Pelo contrário, fonte de dinheiro! Esses cargos eram disputadíssimos. Uma vez entrando se fazia muito dinheiro.

Mas, não pense você que isso é um mal de brasileiro. Corrupção existe em qualquer lugar em que o homem esteja. O problema é que não temos pulso firme para lidar com isso.

A Lava Jato investiga o “diabo” e quem fez pacto com ele. Mas, como esse esgoto é profundo, um momento a água ficará fraca e não conseguirá revelar mais nada. Ela precisará decidir se coloca o jato d’água apenas na Petrobras ou em todos os setores onde o cartel de empreiteiras atuou.

Nosso poder judiciário precisa se organizar para peneirar toda essa sujeira. Colocando-a na lixeira adequada. Isto é, estruturar um processo de apuração, julgamento e punição.

Com isso visível, iremos evoluir. Até lá, partidos da oposição pegam o lixo como marketing político, mas se esquecem de ver que suas mãos também estão sujas.

A Polícia Federal uma hora precisará fechar a torneira e falar para o judiciário: Limpa esse monte de lixo já revelado! Do contrário, o vento irá dispersar. E acreditem, nossa nação tem memória fraca.

Pedro Curvelo

Julho de 2015

Imagem: http://noticias.uol.com.br/album/2015/01/05/charges-2015.htm

terça-feira, 2 de junho de 2015

PASSARELA DO HORROR


Passarela do horror
Você anda em um canto,
Seja a pé, de bicicleta, de carro ou de ônibus
Todos são atingidos

Em um canto um pivete com faca
No outro um bandido com arma
Na Zona Oeste um miliciano
Na Baixada um traficante

Em um canto o discurso do Governador: A culpa é do judiciário
O judiciário, por sua vez, aborda o gesso da burocracia da nossa legislação
ONGs falam da estrutura familiar e da falta de educação

Os legisladores são lentos naquilo que é interesse de todos
Um projeto de lei sobre a inclusão da faca no código penal se encontra parado desde 2004
Justo! Temos um projeto de lei mais importante: A construção de um shopping para os deputados.

Diante do horror não nos assustamos
Parecemos amebas
Todos nos roubam e procuramos também roubar
De uma forma ou de outra
Seja em propina de uma empreiteira ou no "gato" na luz

Isso é Brasil!
Coloque o seu sapato!
É sua hora de andar nessa passarela.

Pedro Henrique Curvelo
Junho 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

UMA ESPINHA NO ROSTO CHAMADA DE PT




Uma espinha (acne) no rosto pode ser fruto de diversos fatores. Entre eles o psicológico, baixa auto estima, e tipos de alimentos.

Entre as diversas formas de tratamento o imperativo é não estourar a espinha! 

O que isso tem a ver com um partido político?

O PT possui muitas bactérias, fruto da corrupção e de uma má gestão.

Naturalmente o mal estar, gerado pela alta dos juros, aumento de impostos, vai expelir a sujeira do partido de forma natural. Até mesmo naqueles que estão anestesiados por causa dos "benefícios sociais".

Agora, se ficarmos no cutuque, será que saberemos lidar com a avalanche de sujeira? E com as cicatrizes?

Esse cutuque vem da mídia e seus excessos de críticas. Vi, recentemente até um programa esportivo criticando o PT.

Vi também, um partido da oposição que mantém robôs nas redes sociais. Onde, automaticamente, alimentam perfis falsos e críticas com relação ao poder. Alimentando esse conteúdo, podem facilmente levar um assunto ao trending topics (assuntos mais discutidos) do Twitter.

Não estou dizendo que devemos evitar essas matérias, como a operação Lava Jato, por exemplo. Pelo contrário, devemos acompanhar sempre e questionar a veracidade e a fonte. No entanto, a dosagem tem que ser a mesma para a reflexão. Refletir sobre o que é democracia, corrupção (desde os pequenos atos no nosso dia a dia até o sistema eleitoral), como podemos votar melhor, enfim, como evitar a "oleosidade" que leva a formação dessa espinha.

Um exemplo claro é o Collor continuar no poder, agora como Senador. A massa, infelizmente, não entende de política. Se a maioria erra ao pensar que vereador asfalta rua, com certeza, irá errar na diferença entre senador e deputado. Temos uma arma na mão, mas não sabemos atirar. Temos um sapato, mas não conseguimos andar. Ou seja, temos o voto nas mãos, mas não sabemos utilizar.

Ao invés de vivermos a agitação do "Fora Dilma", vamos aproveitar para entender sobre inflação, o poder do Estado e nossa posição como cidadão.

Nesse processo de transformação no pensamento social, o próprio organismo, nossa sociedade, expelirá toda sujeira de forma a não deixar efeitos colaterais. Agora, se ficarmos no cutuque, após o pus virá algo pior: PMDB. Sobre isso, não preciso escrever.

Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo
Abril de 2015

Imagem: http://noticias.gospelmais.com.br/pt-alianca-psd-atrair-voto-evangelicos-30198.html

sábado, 10 de janeiro de 2015

UM ESPELHO, UMA IMAGEM E UMA PESSOA - Reflexão sobre o atentado terrorista na França



Certo viajante uma vez contou a seguinte história:

Nos tempos mitológicos, onde a fantasia trazia cores para o preto e branco da realidade do homem, havia um único espelho. Neste, deuses, anjos e homens se juntavam para contemplar a Imagem.

Imagem! Representação de uma ideia que interpretamos e aceitamos como real. Um fantasma que não assusta. Um portal que mostra o mesmo mundo e face que conhecemos, mas sob um outro ângulo.

Um espelho onde todos olhavam. A imagem refletida do todo gerava a contemplação do um. Um gerado pelo todo. Todos os homens se tornando um homem. Todos os deuses se fundindo no espelho e gerando um único deus.

Ver todos os homens no espelho e considera-los um se tornou normal. A normalidade virou rotina. Vez ou outra, todos se uniam e olhavam para o único espelho e viam apenas uma imagem.

O que era rotina foi surpreendido pelo acaso. O “de repente”. De repente o espelho perdeu estabilidade e quebrou. Com a queda, fragmentos se espalharam pela terra e pelo céu. Assustados com o imprevisto, todos correram para pegar um pedaço e garantir uma parte da Imagem. A cooperação deu lugar para o egoísmo. A inteligência para fundir os pedaços de vidro, deu lugar para a ignorância.

Separados, o todo do um, só era possível para cada homem e deus ver em parte a Imagem. Pela limitação dos pedaços um homem só enxergava a si mesmo. Não tinha espaço para olhar o semelhante. Um deus só contemplava sua personalidade e nome. O pedaço que cada um tinha só tornava possível a contemplação do um.

No início foi estranho. Depois o estranho cauterizou a consciência. Foi comum então olhar para um pedaço do espelho e considera-lo o espelho. Foi comum um homem olhar para um espelho e pensar que apenas ele era o todo. Pois, era o que sua ótica mostrava.

Assim seguimos. Matamos em nome de Jeová, Alá, Maomé e Jesus. A mão de todos os homens está suja em nome do seu deus ou em nome do poder econômico e político travestido de discurso religioso.

Não percebemos que matamos a nós mesmos. Destruímos a Imagem do que é Deus e do que é homem. Os poucos fragmentos do vidro que poderiam ser unidos estão ficando extintos.

Um dia o meu vidro voltará para a areia. O seu também. Então, perceberemos que éramos um no nascimento, como um seremos na morte.

Como viajante, sigo o meu caminho. Comungando com outros viajantes. Todos no mesmo Caminho.

Pedro Henrique Curvelo

Janeiro de 2015

sábado, 20 de dezembro de 2014

O CAJADO POLÍTICO DO PAPA FRANCISCO CONTRA DALAI LAMA



O que é o Vaticano?
O que sempre foi: Um Estado político e religioso. Com essa característica, o que é delicado de se administrar é a coexistência paradoxal entre o pragmatismo político e o moralismo religioso.

A recusa do Papa Francisco em se encontrar com Dalai Lama mostra a supremacia política em detrimento dos valores religiosos dentro do Vaticano. Nesse exemplo específico, tudo para não gerar ruídos com a China.

Francisco, que em seus discursos prega o ecumenismo, ao recusar um encontro com o líder tibetano, reforça o separatismo que a política e a religião geram. Ponto este, que Jesus sempre combateu na sua época com relação ao separatismo entre os judeus e os samaritanos.

O Vaticano zela pelo seu império de forma absoluta. Zelar pelos valores cristãos é parcial. Esta, mostrada quando a corda política aperta! O viés político sempre prevaleceu no catolicismo. Desde os Bórgias até Pio XII que preferiu acender uma vela para o Nazismo para que a vela do comunismo fosse apagada e as paredes da casa de Pedro não caíssem. Mesmo que o efeito colateral disso fosse a perseguição aos judeus.

Papa Francisco, como ser humano, pode seguir os princípios cristãos e tentar inseri-los ao máximo em seu trabalho sacerdotal. No entanto, enquanto existir um Estado religioso, terá que manter a coligação entre os meios de Maquiavel para alcançar e sustentar os fins.

Pedro Curvelo
Dezembro de 2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O ESTUPRO DA VIDA PRIVADA



O Brasil nunca conseguiu separar a vida privada da social. E olha que nunca fomos um país comunista. Mas, calma! Isso não é de agora. Temos essa defraudação nas nossas raízes históricas. O grande historiador, Gilberto Freyre, em seu livro "Casa Grande e Senzala" vai abordar justamente isso. A prisão da vida privada.

Quando nossa nação era colônia e depois império, a vida particular era controlada pelo Estado. Por Estado, entenda a fusão entre política e religião católica. O que você come, quanto você gasta, com quem você transa e para quem você está rezando, tudo era monitorado, pelo Estado ou pelos vizinhos. Na parte da religião, os judeus e os protestantes tiveram dificuldade de viver sua fé no âmbito privado.

A mesma situação se aplica hoje. Eu observo as eleições atuais, as propostas e me assusto. A vida privada é colocada mais em pauta do que questões do comum, do todo, da sociedade. Exemplo: como enfrentaremos a recessão? Como lidaremos com a alta carga tributária? E assim por diante.

No entanto, o que se vê é: o candidato A é a favor do casamento gay? O candidato B é evangélico? O candidato C gosta de prostitutas? No emaranhado de interrogações coloco mais uma: o que a vida privada com isso?

Os políticos replicam o que é prática da sociedade. Nossa individualidade é invadida a todo instante.

Se você se relaciona com uma pessoa do mesmo sexo, por exemplo, isso é colocado em um tribunal social e você é exposto. Se você sai de uma "casa de massagem", o relaxamento que você conseguido, rapidamente vai embora porque os “sentinelas do puritanismo” irão questionar.

No aspecto religioso é a mesma coisa. A fé habita no ambiente particular. No entanto, se você sai de uma instituição religiosa, é visto de forma depreciativa, qualificado como "desviado" ou condenado com a frase "vai para o inferno". Infelizmente, temos facilidade em sacrificar o ser humano por causa das nossas crenças.


Precisamos passar por um processo de mudança de consciência. Entender que o privado só pode ser invadido quando prejudica a sociedade. Do contrário, voltamos a Idade Média, onde quem praticava na vida privada a bruxaria era queimado. Quem não era, mas fosse acusado, também iria para a fogueira. Não estamos longe disso. Somos um povo que não sabemos digerir, colocamos na boca e vomitamos. Vejam o caso daquela mulher de Guarujá que foi linchada na rua acusada de bruxaria e sacrifício de crianças. Tudo por causa de uma fofoca do Facebook.

A menina que chamou o goleiro do Santos de "macaco", teve a casa atacada.

São diversos incidentes que se eu escrever irão virar uma enciclopédia.

A discrição e a preservação da nossa vida privada é essencial para a nossa saúde social.


Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MESSIANISMO POLÍTICO



A relação entre política e religião é literalmente a figura do lobo se vestindo de ovelha. A peculiaridade nesse caso é a indefinição de quem é lobo e quem é ovelha. É um estado de metamorfose, pois, em algum momento histórico a política pode usar a religião, outro esta a aquela e, até mesmo, um defraudar o outro.

É um processo totalmente incoerente. Onde se é capaz de se sujar com água e se lavar com sangue. Nesse antagonismo poucos enxergam.

Política e religião sempre viveram juntas, no Antigo Egito eram fundidas onde o líder político (Faraó) era também a encarnação do divino. Os hebreus se constituíram como nação escolhida por uma ordem divina. Na Europa Absolutista os reis tinham o selo da eleição divina. E a Igreja Católica construiu o seu próprio Estado: O Vaticano.

Nessas eleições é possível ver o messianismo político. Alguns encaram a Marina como a escolhida de Deus, apesar dela ser totalmente discreta com a sua fé. Dilma sobe no altar do Manuel Ferreira e diz que "feliz é a nação cujo Deus é o Senhor". O PSC lança um candidato que é pastor.

Os religiosos querem garantias contra o "kit gay", obrigação da inclusão da bíblia em bibliotecas, mas, não protestam contra a corrupção. São capazes de se calar diante, por exemplo, dos escândalos de corrupção do PT para garantir favores políticos, como concessões na televisão e rádio. Conseguem fazer uma oração abençoando Arruda em pleno ato de corrupção. Se vendem por pouco. De fato, conseguem "engolir um camelo e se engasgarem com uma mosca".

Existem momentos onde essa relação é quebrada. Como na época de Jesus, onde alguns esperavam que ele reivindicasse o poder político e religioso. No entanto, não o fez. Deixou "César" de um lado e o "templo" do outro lado. Seguiu apenas o seu caminho.


Nossas estruturas sociais não separam o político da religião. Mas, nas nossas consciências poderemos fazer esse divisor. Preservando a nossa relação com o Sagrado e encarando as questões políticas na ótica do racionalíssimo político. Assim, nossa fé será verdadeira em nós e nosso lado político amadurecido em conhecimento e atitude.

Pense nisso!

Pedro Curvelo
Agosto de 2014

quinta-feira, 14 de março de 2013

TERRA DA PUTARIA



Terra da putaria é ordem inversa do termo. É onde você paga para ser fudido.

Você como cidadão possui deveres diante da figura do Estado. Mas, na hora dos seus direitos, o falo da máquina pública te fode sem pudor. 

Essa putaria não podemos considerar uma suruba. Pois, se fosse, cada um comeria um pouco. É na verdade um estupro concedido. Dizer que é concedido não é contraditório. Desde que nossa consciência social e cidadã começou a ser formada, o Estado já veio com suas sutilezas, acariciando e abusando de nós.

No Brasil você trabalha de forma árdua. Ao invés de enriquecermos, os animais e pragas do governo, do Leão até o escorpião, devoram o nosso salário. Nessa selva, para ter direito a saúde, você paga tanto ao governo como ao particular. Com relação a educação, você paga impostos e pensa que poderá entrar com facilidade em uma Universidade. No final, pelo desamparo, você tem que recorrer ao particular.

Assim vivemos. Com relação a nossa velhice, pensamos que o dinheiro pago ao INSS poderá garantir uma terceira idade digna. Mas, para isso, é necessário pagar uma previdência privada.

Nossa consciência social e política permanece passiva. Claro! Apenas os passivos são fudidos. Parece que não sentimos mais dor. Já ficamos cauterizados e insensíveis.

É o que penso.

Pedro Henrique Curvelo
Março de 2013