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sexta-feira, 27 de maio de 2016

NOSSA CRISE





A crise na política que vivemos atualmente é apenas uma ponta do Iceberg.

Ela gerou uma crise econômica agressiva. Os músculos da nossa produtividade estão enfraquecidos. De um lado, a força do trabalho de alguns, do outro as “pedras de decoração” que estão na máquina pública, cujo custo pesa demais na balança e desequilibra. Além de atrapalhar os funcionários públicos que trabalham com zelo.

Aqueles que ainda trabalham, precisam sustentar os fantasmas dos cargos comissionados, a legião de políticos em Brasília, pagar sindicatos, pagar uma alta carga tributária e pagar a iniciativa privada por serviços que deveriam, pela constituição, ser prestados pelo órgão público.

Não se trabalha para construir um patrimônio ou conquistar uma qualidade de vida. Se trabalha para sobreviver.

Mas, se mergulharmos mais nesse oceano escuro, iremos perceber que além da política e econômica, temos uma outra crise: a moral.

Os políticos são uma fração do que é a sociedade. Uma sociedade corrupta gera políticos corruptos. Fraudamos a marcação de ponto na empresa, mentimos para os nossos familiares, colamos na escola, compramos diploma, fraudamos balanços contábeis, pagamos o “cafezinho” em uma blitz policial, pagamos o agente público para agilizar, ou melhor, apenas para seguir com um procedimento que era responsabilidade dele mesmo. 

Nossa humanidade está em crise. Nos bestializamos e nos tornamos insensíveis diante das barbáries do dia a dia. 

Uma jovem morre ao chegar no Rio de Janeiro por uma bala perdida e nos acostumamos.

Uma adolescente é estuprada por 30 homens e levantamos um juízo de valor contra a adolescente. Um comentário na internet dizia: “Se estivesse na igreja, isso não teria acontecido”. Loucura!!!
Aceitamos uma “marcha para Jesus” feita por pastores que apoiam políticos corruptos e ficamos calados. A lã das ovelhas é roubada e elas não choram.

Uma mulher é acusada no Facebook, sem provas, de que fazia sacrifícios de crianças e que era bruxa. O povo, sem apurar, se bestializa e espanca a mulher na rua até a morte. Ironicamente, a mulher era mãe e cristã.

Há muitas feridas abertas na nossa terra. Há muito sangue inocente que clama por justiça.

Até onde isso irá?

O lado bom da crise é que ela gera o novo! Uma nova geração mais politizada, mais ética, mais empreendedora, mais zelosa, mais humana e mais inteligente.

Essa tem que ser a nossa esperança. Pois, ou evoluímos ou afundamos de vez.

Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo
Maio de 2016 

imagem: https://www.linkedin.com/pulse/brasil-de-crise-em-olivia-bulla

sábado, 10 de janeiro de 2015

UM ESPELHO, UMA IMAGEM E UMA PESSOA - Reflexão sobre o atentado terrorista na França



Certo viajante uma vez contou a seguinte história:

Nos tempos mitológicos, onde a fantasia trazia cores para o preto e branco da realidade do homem, havia um único espelho. Neste, deuses, anjos e homens se juntavam para contemplar a Imagem.

Imagem! Representação de uma ideia que interpretamos e aceitamos como real. Um fantasma que não assusta. Um portal que mostra o mesmo mundo e face que conhecemos, mas sob um outro ângulo.

Um espelho onde todos olhavam. A imagem refletida do todo gerava a contemplação do um. Um gerado pelo todo. Todos os homens se tornando um homem. Todos os deuses se fundindo no espelho e gerando um único deus.

Ver todos os homens no espelho e considera-los um se tornou normal. A normalidade virou rotina. Vez ou outra, todos se uniam e olhavam para o único espelho e viam apenas uma imagem.

O que era rotina foi surpreendido pelo acaso. O “de repente”. De repente o espelho perdeu estabilidade e quebrou. Com a queda, fragmentos se espalharam pela terra e pelo céu. Assustados com o imprevisto, todos correram para pegar um pedaço e garantir uma parte da Imagem. A cooperação deu lugar para o egoísmo. A inteligência para fundir os pedaços de vidro, deu lugar para a ignorância.

Separados, o todo do um, só era possível para cada homem e deus ver em parte a Imagem. Pela limitação dos pedaços um homem só enxergava a si mesmo. Não tinha espaço para olhar o semelhante. Um deus só contemplava sua personalidade e nome. O pedaço que cada um tinha só tornava possível a contemplação do um.

No início foi estranho. Depois o estranho cauterizou a consciência. Foi comum então olhar para um pedaço do espelho e considera-lo o espelho. Foi comum um homem olhar para um espelho e pensar que apenas ele era o todo. Pois, era o que sua ótica mostrava.

Assim seguimos. Matamos em nome de Jeová, Alá, Maomé e Jesus. A mão de todos os homens está suja em nome do seu deus ou em nome do poder econômico e político travestido de discurso religioso.

Não percebemos que matamos a nós mesmos. Destruímos a Imagem do que é Deus e do que é homem. Os poucos fragmentos do vidro que poderiam ser unidos estão ficando extintos.

Um dia o meu vidro voltará para a areia. O seu também. Então, perceberemos que éramos um no nascimento, como um seremos na morte.

Como viajante, sigo o meu caminho. Comungando com outros viajantes. Todos no mesmo Caminho.

Pedro Henrique Curvelo

Janeiro de 2015