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domingo, 6 de março de 2022

Mamãe, falei merda! Uma análise política sobre o áudio de Arthur do Val contra as mulheres ucranianas



O Deputado Arthur do Val (youtuber do canal MamãeFalei) foi do céu ao inferno em um curto espaço de tempo. Enquanto voltava da sua viagem (sem sentido) da Ucrânia, o poder de escala das redes sociais foi intenso ao vazar o áudio sexista contra as mulheres da Ucrânia  que o Deputado mandou em um grupo particular. Esse incidente fez o Arthur não só perder a namorada, mas também perder a chance de sucesso em uma disputa ao governo de São Paulo. E aqui eu quero com você analisar as lições no campo político. Não é nosso objetivo olhar a parte moral e ética. Por que não precisamos mais colocar nenhuma opinião. Acredito que todos concluem que foi repulsivo o que ele falou.

  

Vida de político não é festa. É um constante jogo de estratégia.


A política é um jogo de poderes. A todo instante se busca uma brecha do adversário. Principalmente em ano eleitoral.

 

O político é político 24h por dia. Não tem descanso. Esse é o preço. Logo, a justificativa de que “o áudio era em um grupo particular” o prejudica mais. Por que mostra uma pessoa diferente do que ele apresenta. Arthur do Val forneceu de graça munição para os adversários.

 

A impressão fala mais que a verdade.


Essa é uma verdade que incomoda o puritanismo da nossa sociedade. Mas é verdade, infelizmente. A massa da população não vai apurar uma determinada informação. Ela vai seguir a impressão. A agitação.

 

Então quando ele falou “olhem o contexto”, para tentar amenizar, isso não ajudou em nada.


Se um escândalo veio à luz, não alimente.


Por qual motivo a mídia potencializa as desgraças e escândalos? Por que o povo gosta disso ou porque tem alguém financiando. Simples assim.

 

Se algo vem a luz. Emita uma Nota Oficial e permita que o assunto fique quieto. Deixe nas mãos dos advogados e assessores para que atuem nos bastidores para resolver o assunto.

 

Percebam a família real britânica. Quando surge um escândalo, emitem uma nota oficial (maior parte dos casos) e não tocam mais no assunto. Essa postura é um dos motivos pelos quais permanecem tanto tempo no poder.

 

O que o partido do Arthur do Val, Podemos, deve fazer?


Literalmente afastar o deputado da legenda. Para não prejudicar o projeto maior de terceira via que estão propondo: Moro. Sem dizer que a presidente do Partido é uma mulher. Tem momentos, no jogo político, que devemos sacrificar uma peça para salvar o rei (analogia com o xadrez).

 

Arthur do Val. O que deve fazer?


Ir para os bastidores um tempo. Abrir mão da pré-candidatura. O que já fez. Aproveitar a janela partidária de março e trocar de partido, se não for expulso antes. E tentar a reeleição como deputado estadual por São Paulo.

 

Como jogador político Arthur do Val garoteou. Falou demais em um canal errado: WhatsApp. Acha mesmo que um dos integrantes de um grupo não poderia pegar o áudio e vender para um adversário político?

 

Por ironia, Moro, do mesmo partido, também foi “inocente” com essa ferramenta. Quando a conversa dele com Dallagnol vazou. Já escrevi sobre isso aqui no blog. 


Quero encerrar repetindo que esse texto não é sob a ótica da moral e ética. Todo mundo sabe, até os apoiadores do deputado, que o que foi falado é injustificável. Aqui é só analisar como é o movimento político em situações como essa. É importante que você como eleitor entenda como funciona o sistema. Não para se corromper. Mas para sobreviver a ele.

 

Pedro Henrique Curvelo

Março de 2022

  

sábado, 22 de junho de 2019

SÉRGIO MOURO DEVERIA ASSISTIR A SÉRIE BILLIONS!


Nos últimos dias o Brasil assistiu uma pequena rachadura na armadura do Ministro da Justiça Sérgio Moro. Ao ter seu bate papo com o procurador Dallagnol em um aplicativo de mensagem vazado no site The Intercept.

As mensagens revelaram  uma certa parcialidade e influência na sua época de juiz quanto a Lava Jato. Diante dessa notícia, não me assusto com o conteúdo. E sim, com a aparente inocência de Moro ao expor assuntos sigilosos por meio de um aplicativo de mensagem. Mesmo que esse aplicativo seja o Telegram. Onde até um tempo atrás se vangloriava da sua segurança digital frente ao Whatsapp.
Moro era o juiz da maior operação contra a corrupção que o Brasil já teve. Era de se esperar um mínimo de cautela.

O engraçado é que na semana que foi noticiado, eu estava assistindo a mais um capítulo da série Billions na Netflix. Série que mostra o duelo entre o promotor Chuck Rhoades (Paul Giamatti) e o magnata do mercado de ações Bobby Axelroad (Damian Lewis). Em um determinado momento um juiz precisava falar com o promotor. Ele não ligou e não mandou nenhuma mensagem por aplicativo. Apenas fez no modo antigo. Mandou um bilhete de papel via um intermediário e se encontraram em um lugar discreto.

O que isso mostra?
Que é comum juizes e procuradores trocarem mensagens. Seria inocência da nossa parte pensar o contrário. Mesmo que tenhamos conflito em separar o que é ilegal do que é imoral, a vida é um jogo. Cada um movimenta as peças conforme seus interesses. A ética na nossa ótica impede que venhamos a enxergar a estratégia do jogo. Não que devessemos abrir mão da ética, mas entender o sistema evita com que venhamos a nos iludir com as figuras dos heróis.

No entanto, mesmo sendo prática, revelar as cartas do jogo por meio de um aplicativo de mensagem é erro de garoto!

Depois das revelações de Edward Snowden, sobre a vigilância global por parte da NSA, ficou claro que nenhum aplicativo, e-mail, celular e computador é invunerável.

Será que Moro não percebeu que com o exército de inimigos que estava fazendo, cautela com celular era imperativo?

 O legado de Moro com a Lava Jato, onde prendeu Lula, Temer e processou Dilma e Collor, além inúmeros políticos e empresários, poderá ficar fragilizado, porém, dificilmente será destruído.

Mesmo que de graça Sérgio Moro tenha concedido munição para os seus adversários. Tanto da oposição quanto dos políticos e empresários que foram presos.

Moro resolveu jogar. Usou peças ocultas para justificar a vitória da justiça frente a corrupção. Como consequência da fragilidade na sua imagem, sua intenção a uma cadeira no STF ficará distante.

Mas, o jogo ainda não acabou. Há cartas a serem reveladas do outro lado. Pode ser uma bomba relógio ou alarme falso. Nesse intervalo, Sérgio Moro terá que  aproveitar a opinião pública a seu favor para abafar o caso. Vale também aproveitar esses momento para assistir a série Billions e pegar algumas dicas.

Pedro Henrique Curvelo
Junho de 2019
Imagem: https://www.riskscreen.com/kyc360/news/brazil-lawmakers-vote-to-strip-financial-oversight-from-justice-minister/