sábado, 20 de dezembro de 2014

O CAJADO POLÍTICO DO PAPA FRANCISCO CONTRA DALAI LAMA



O que é o Vaticano?
O que sempre foi: Um Estado político e religioso. Com essa característica, o que é delicado de se administrar é a coexistência paradoxal entre o pragmatismo político e o moralismo religioso.

A recusa do Papa Francisco em se encontrar com Dalai Lama mostra a supremacia política em detrimento dos valores religiosos dentro do Vaticano. Nesse exemplo específico, tudo para não gerar ruídos com a China.

Francisco, que em seus discursos prega o ecumenismo, ao recusar um encontro com o líder tibetano, reforça o separatismo que a política e a religião geram. Ponto este, que Jesus sempre combateu na sua época com relação ao separatismo entre os judeus e os samaritanos.

O Vaticano zela pelo seu império de forma absoluta. Zelar pelos valores cristãos é parcial. Esta, mostrada quando a corda política aperta! O viés político sempre prevaleceu no catolicismo. Desde os Bórgias até Pio XII que preferiu acender uma vela para o Nazismo para que a vela do comunismo fosse apagada e as paredes da casa de Pedro não caíssem. Mesmo que o efeito colateral disso fosse a perseguição aos judeus.

Papa Francisco, como ser humano, pode seguir os princípios cristãos e tentar inseri-los ao máximo em seu trabalho sacerdotal. No entanto, enquanto existir um Estado religioso, terá que manter a coligação entre os meios de Maquiavel para alcançar e sustentar os fins.

Pedro Curvelo
Dezembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

PELE NEGRA


Nasce a Lua
A magia em sintonia
Há o bordado em sua saia
Há a lascívia em sua pele negra

A razão se prende nas teias do encantamento
O beijar o seu pescoço
Me leva ao despertar da volúpia

Comigo você tem o momento
Com ele a eternidade
Sem brilho

Permita-se a fuga que os deuses nos concederam
As pálpebras da moral adormeceram
O vento trouxe a oportunidade
Um suspiro, um gozo
Um adormecer, um adeus
O sol nasceu
A fantasia se desfez
Mas em nossos corações um memorial se fez.

Pedro Henrique Curvelo

Novembro de 2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O ESTUPRO DA VIDA PRIVADA



O Brasil nunca conseguiu separar a vida privada da social. E olha que nunca fomos um país comunista. Mas, calma! Isso não é de agora. Temos essa defraudação nas nossas raízes históricas. O grande historiador, Gilberto Freyre, em seu livro "Casa Grande e Senzala" vai abordar justamente isso. A prisão da vida privada.

Quando nossa nação era colônia e depois império, a vida particular era controlada pelo Estado. Por Estado, entenda a fusão entre política e religião católica. O que você come, quanto você gasta, com quem você transa e para quem você está rezando, tudo era monitorado, pelo Estado ou pelos vizinhos. Na parte da religião, os judeus e os protestantes tiveram dificuldade de viver sua fé no âmbito privado.

A mesma situação se aplica hoje. Eu observo as eleições atuais, as propostas e me assusto. A vida privada é colocada mais em pauta do que questões do comum, do todo, da sociedade. Exemplo: como enfrentaremos a recessão? Como lidaremos com a alta carga tributária? E assim por diante.

No entanto, o que se vê é: o candidato A é a favor do casamento gay? O candidato B é evangélico? O candidato C gosta de prostitutas? No emaranhado de interrogações coloco mais uma: o que a vida privada com isso?

Os políticos replicam o que é prática da sociedade. Nossa individualidade é invadida a todo instante.

Se você se relaciona com uma pessoa do mesmo sexo, por exemplo, isso é colocado em um tribunal social e você é exposto. Se você sai de uma "casa de massagem", o relaxamento que você conseguido, rapidamente vai embora porque os “sentinelas do puritanismo” irão questionar.

No aspecto religioso é a mesma coisa. A fé habita no ambiente particular. No entanto, se você sai de uma instituição religiosa, é visto de forma depreciativa, qualificado como "desviado" ou condenado com a frase "vai para o inferno". Infelizmente, temos facilidade em sacrificar o ser humano por causa das nossas crenças.


Precisamos passar por um processo de mudança de consciência. Entender que o privado só pode ser invadido quando prejudica a sociedade. Do contrário, voltamos a Idade Média, onde quem praticava na vida privada a bruxaria era queimado. Quem não era, mas fosse acusado, também iria para a fogueira. Não estamos longe disso. Somos um povo que não sabemos digerir, colocamos na boca e vomitamos. Vejam o caso daquela mulher de Guarujá que foi linchada na rua acusada de bruxaria e sacrifício de crianças. Tudo por causa de uma fofoca do Facebook.

A menina que chamou o goleiro do Santos de "macaco", teve a casa atacada.

São diversos incidentes que se eu escrever irão virar uma enciclopédia.

A discrição e a preservação da nossa vida privada é essencial para a nossa saúde social.


Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ELA FOI UMA ROSA BRANCA


Ela voltou do ontem
Olhamos para o mar
Ele serve como encantamento para a projeção de uma fantasia

Seu olhar me levou para outra dimensão
Há uma casa que guarda um segredo
Há uma música que guarda um clímax
Há uma dança da noite em um castelo onde ansiamos pelo passado, nos esquecemos do futuro e fechamos os olhos para a realidade do presente

Dimensões do encantamento de uma paixão
Por um nevoeiro formos arrebatados pelo ápice do gozo
Um gozo que nos embriaga
Liga a memória do primeiro encontro com a dor da despedida


Tentei segurar a ampulheta para que suas areias parassem de correr
Foi em vão!
Ela se quebrou 
O vento desfez o tempo
O silêncio de mim se apoderou
A sensatez me levou para a realidade
Um novo caminho passei então a seguir
A Rosa branca desfez suas pétalas
Espalhadas foram no mar
Onde tudo começou 

Pedro Curvelo
Setembro 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O AMANHÃ COMO SALVAÇÃO



Amanhã começo a dieta
Amanhã paro de fumar
Amanhã não vou deixar de ir na academia
Amanhã trato essa demanda do trabalho
Amanhã volto minha consciência para o meu lado espiritual
Amanhã ligo para ela e peço perdão

Amanhã vou propagar o outro amanhã
Assim, serei sempre levado cativo a ilusão do amanhã
Viver o hoje envolve energia
No amanhã tenho a esperança de uma carga extra
O tempo não nos salva
O despertar da consciência, sim

O "cair em si" se envolve no agora. Mesmo que este represente apenas um segundo. A confissão traz a salvação no hoje.

Esperar pelo amanhã, gera o risco de termos nossas sementes roubadas pela madrugada. Enquanto nos entregamos ao sono que, aparentemente, abre o portal do amanhã.
Enquanto houver o hoje, a vigilância e trabalho serão necessários.
Ainda não é noite, mas nos comportamos como se fosse. Dessa forma, abortamos o dia e a vida que nele existe.
Há um "pão nosso" atrelado a cada dia. Você já se alimentou dele hoje?

Pedro Curvelo
Setembro 2014