sábado, 15 de setembro de 2012
SOU PEREGRINO
Nesse mundo sou peregrino!
Na terra desse mundo, o meu mundo tem outras fronteiras.
Sou peregrino com relação ao outro. Comungo, mas não me aproprio.
Distante estou do exterior desse mundo. Perto estou do interior do meu mundo.
Minha linguagem eu entendo. Mesmo que para o outro eu não seja intérprete.
Logo, sou errante, distante, estrangeiro da pessoa que está do meu lado.
Tenho uma cidadania predestinada antes que nesse mundo eu fosse gerado.
Sem me prender ao início e fim, serei livre um dia na minha própria pátria.
De miragens os meus olhos se cansam.
De fantasias a minha alma se embriaga.
Ao meu interior estou voltando. Com nudez tenho me contemplado no caminhar com o Eterno/Eu Sou, por fim, evoluindo no tempo/ser.
Eu os vejo atentamente. Eles não me percebem. Mas observo as suas almas devotando a minha admiração. São rosas de um jardim ainda não descoberto.
Sou assim! Oculto/presente. Corpo/mente. Semente germinada. Fruto ainda não descoberto.
Pedro Henrique Curvelo
Setembro de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
SABER ESPERAR
Existem momentos que precisamos esperar. Simplesmente sentar e esperar o ônibus passar. Alguns ficam irritados, outros transformam cinco minutos em uma tortura de ansiedade. Tem pessoas que relaxam e esperam, tiram um cochilo, escutam uma música, puxam um assunto com quem não conhece e, de repente, chega a hora de levantar e pegar o ônibus.
Nosso DNA parece que nasceu predestinado a viver sob pressão. Por isso vivemos o tempo todo agitados. Somos expelidos pelo espírito desse mundo a correr uma maratona, mas, na verdade, ainda nem aprendemos a engatinhar. Todo tempo somos agitados em um rodamoinho de miragens materiais.
Chega um momento que a alma pede que se desligue o motor por um momento. Apenas para suspirar um pouco.
O silêncio está em extinção! Todo instante nossos ouvidos e corações são afligidos por bombas sonoras. No trânsito, no trabalho, em casa e em até algumas religiões.
Lenine tem uma canção que diz que "o corpo pede um pouco mais de alma", " o mundo pede calma".
Não respeitamos o nosso corpo/alma, como iremos respeitar o mundo com sustentabilidade?
Jesus, em sua humanidade, diante das agitações, tinha o costume de subir para um morro com o intuito de fazer uma vigília em silêncio.
Ele, em uma viagem de barco, quando o mar começou a ficar agitado, mostrou que a alma não poderia ser agitada por aquela situação. Resolveu dormir (rs). Simples assim!
Apesar da era tecnológica que vivemos, muitas pessoas não aprenderam o elementar: o saber respirar. Isso é a essência da vida!
Esperar não é a morte. É a renovação da estrutura interna e externa de uma águia no alto de um penhasco (quem lê, que entenda).
Pedro Henrique Curvelo
Agosto de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Sapatos de Luciana
A noite de sexta-feira é o momento onde o
sentido horário regressa, a alma mostra outras faces e o luar se torna
indecifrável.
Luciana sabia disso, seus sapatos também.
Com óculos de armação grossa preta, não sabia a
noite quem era ela.
Meiga com rosto de criança, discreta e
misteriosa. Sua bolsa parecia uma caixa de pandora que carregava os mistérios
da sua alma.
Seus sapatos a conheciam mais do que qualquer
pessoa.
Em plena noite de sexta-feira a estrada a esperava, as veredas antigas a
despertavam para o momento onde o presente e suas intuições se fundiam.
Pés de menina, sapatos de mulher. Nunca houve
compasso em seus passos, mas qual a necessidade disso? Nem sempre trilhos retos
e planejados levam a um final feliz.
A verdade é que hoje ela irá andar. Simplesmente
andar. Já avisou em casa que chegará mais tarde. Será a noite em que ela vai permitir ser mulher.
Em si, ela tem um pouco de
receio. Mas os seus sapatos já estão preparados.
Pela primeira vez ela usa
um decote, seu colar para censurar, mas ao mesmo tempo hipnotizar. Sua cintura,
ao andar, é um pêndulo que direciona qualquer libido.
A noite passa e poucos homens a perceberam. Esta
é uma deficiência do sexo masculino, não ficar atento às ricas fábulas que
rodeiam a alma feminina com a lua.
Eu também não reparei. Não
reparei nos sapatos da Luciana.
Só foi possível
percebê-los quando fiquei descalço.
Pedro Henrique Curvelo
Julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
O LEÃO DE CADA DIA EU QUERO
Me Pai! Minhas lágrimas mostram a carência que minha alma tem de ti.
Sei que você mora em mim, através do teu Espírito. Mas o medo também.
O leão de cada dia te peço hoje.
Ele me assusta, me amedronta, na minha alma ele quer ser rei.
Não peço que me livres do Leão, mas que me conceda o pão de cada dia, isto é, estrutura para que eu possa enfrenta-lo e com as minhas próprias mãos rasgar a sua boca.
Pois, é matando que fará nascer um outro leão.
Sim! O Leão de cada dia eu quero.
Sim! O teu pão que me segura também.
No refletir percebo que o medo é a metamorfose para que um Leão venha nascer dentro de mim.
A biologia da alma é diferente, a casca precisa quebrar para o nascer, por isso vejo o tremer.
Sim! O Leão de cada dia eu quero.
Sim! O teu pão que me segura também.
E que o meu interior encontre bonança em ti.
E que a tua paz guarde minha mente e meu coração.
Pedro Henrique Curvelo
Julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
AO MESTRE COM CARINHO
A tecnologia deve servir o homem. O ser humano em si é um ser produtor de conhecimento. Como fruto da sua gestação se encontra a tecnologia. Esta, deve tornar a vida mais prática e cooperar com a construção do conhecimento.
No entanto, diante da evolução da inteligência artificial, não podemos permitir que o "filho coloque o pai em um asilo". Isto é, não podemos substituir a figurar física do professor por um arquétipo virtual do saber.
Sou um grande fã da tecnologia, principalmente no que ela é capaz de cooperar com o conhecimento. Vejam! Eu uso a palavra "cooperar" e não "substituir".
O mercado de cursos pela internet, seja através do computador da sua casa, seja através de um Tablet ou celular, que é denominado de M-Learning, é fantástico! Além do enriquecimento gráfico digital que facilita a didática, proporciona flexibilidade de horário e local. E isso vai desde um curso básico de inglês até um curso de pós-graduação. Só no meu celular tenho três aplicativos de cursos. Eu utilizo e gosto muito!
O efeito colateral disso, infelizmente, é o distanciamento de algumas pessoas e instituições de ensino do professor. Tenho receio que a sociedade apenas o encare como uma espécie de "barriga de aluguel". Aquele que passa a letra para que o digital possa educar.
O professor deve utilizar esses aplicativos e canais multimídias para o auxiliar. Mas, jamais abrir mão da dialética, do contato com o aluno, do ouvir, imaginar, debater, questionar o que foi estabelecido como certo, moral e ético.
O professor é o mentor que gera insumos para a evolução da consciência dos seus alunos.
Caro leitor, a preservação da missão desse profissional depende de você e de mim. Nossa posição deve ser: Aceito a praticidade da tecnologia para me servir, mas jamais ela irá atrofiar o meu pensar ativo como ser humano.
Ao mestre com carinho.
Pedro Henrique Curvelo
São José dos Pinhais - PR
Julho de 2012
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