sexta-feira, 9 de junho de 2023

ALGUÉM É SUA PROPRIEDADE EXCLUSIVA?



 Uma das coisas mais doentias que podemos perceber é quando uma pessoa considera alguém como sua propriedade exclusiva. Com base naquilo que ela acha, se enxerga no direito de ser proprietário desse outro. De decidir o que é melhor para aquela pessoa ou o único que possui o "direito autoral" para falar por aquele ser.

O proprietário encara o outro como coisa, objeto ou até mesmo um animal. E isso é em todas as esferas da vida.

RELIGIÃO

Tem gente que se acha proprietária, por exemplo, de Jesus Cristo. Onde apenas a sua regra de fé interpreta na integralidade aquilo que Jesus quis ensinar. Se percebe alguma vertente religiosa diferente dela, fica incomodada e nem escuta os argumentos, porque acredita que sua instituição religiosa possui os direitos autorais sobre Jesus Cristo.

Aqui estou falando de Jesus porque é nossa realidade cultural. Mas, serve para qualquer religião: Budismo, Islamismo e assim por diante.

POLÍTICA

A prepotência aqui ocorre quando a pessoa acredita que apenas a sua ideológica serve para o país. Esse orgulho a cega a tal ponto que não consegue visualizar o que tem de bom no outro. Exemplo: A pessoa é liberal, mas não quer entender o que o socialista tem a dizer. A pessoa é comunista (não confunda comunismo com socialismo), mas não quer entender a forma de pensar de um nacionalista.

A ignorância se manifesta porque se eu não sei o que o outro pensa, não tenho propriedade para dizer o que concordo e o que não concordo.

RELAÇÕES

Aqui é o ponto mais tenso. É o homem, por exemplo, que acha que sua mulher é propriedade. Onde ela não consegue andar sem a autorização do marido. Ele define o que ela veste, quem ela encontra e se trabalha ou não. Sim, meus amigos! Em pleno século XXI temos esses excessos.

Com isso, tem os extremos: agressões físicas e psicológicas e até mesmo morte.

Cuidado com a tentação da possessividade. Ninguém é sua propriedade exclusiva. Você não é superior a ninguém para ser o dono da razão ou saber o que é melhor para ela.

Cuidado com a tentação em manipular as relações, a agressividade diante daquele que pensa diferente. Cuidado com o menosprezo diante do que o outro acredita ou decide para a vida dele.

Sua única propriedade é sua vida. Sua forma de acreditar diz respeito unicamente a você e sua constituição interna. Suas relações são em comum acordo, o dia em que esse processo não for mais seguido, não há o que fazer, não adianta aplicar a força.

Cuide da sua propriedade: Interna e externa. Esse é o caminho da saúde humana.

Pense nisso.

Pedro Henrique Curvelo

Junho de 2023

sábado, 13 de maio de 2023

QUANDO O DE REPENTE ASSUSTA



O de repente assusta.

Uma morte na família que ocorre sem esperar. O desemprego que chega sem aviso prévio. O término de um relacionamento. A descoberta de uma doença quando tudo parecia normal.

O de repente tem várias linguagens, mas o trauma é mesmo.

Fere nosso planejamento.

Quebra nossa expectativa.

Nos faz enxergar a ruptura da armadura, onde o sangue jorra.

Nos faz enxergar a finitude. A caveira que habita em nós.

A dor vem.

O desespero nos apossa.

É o momento onde tentamos inserir nossos remédios nas correntes das veias. Na esperança de nos livrar da realidade da dor.

Onde drogas, excessos, mantras e jargões religiosos não conseguem tirar.

Onde não conseguimos um escape para as miragens.

Aquele lugar em que a escuridão é o processo para a calma. De início é a insegurança e o medo. Mas com a respiração o cavaleiro medieval deixa a armadura cair. 

O suspiro desfaz as tensões na nossa musculatura.

O sagrado feminino tranquiliza por um momento.

Até o dia do último suspiro. Onde as asas do Aba irão cobrir nossa finitude. E entenderemos que dele sempre fomos filhos.

Onde em um campo verde você observará as nuvens passando.

As árvores balançando.

Sobre sua passagem sua semente observando.

E o legado da sabedoria sendo digerida.

Onde a fusão gera o Uno.

Onde um novo ciclo se apresenta.

E a constatação que somos nascidos da lua, mas renascidos pelo sol.

Pedro Curvelo

Maio de 2023

Imagem: Leon Biss

sábado, 1 de abril de 2023

PRINCÍPIO DA REGULARIDADE

 


O princípio da regularidade desperta o espírito humano para o avanço, evolução e encontro com um estado de saúde e equilíbrio. É o caminho da constância, repetição, do rito, da disciplina.

É o conceito espiritual da alavanca, em que com uma decisão, forçamos nosso corpo, nossa condição mental e ânimo de espírito a seguir um caminho. É a insistência como Jesus ensinou: "batei, batei", "pedi, pedi". 

A natureza humana é propensa a seguir a zona de conforto. Dependendo do contexto social e familiar de uma pessoa, pode ainda se boicotar com inúmeras justificativas traumáticas. 

Seguir um desejo, plano e sonho. É viver a gestação de uma ideia. Manter o ritmo até que seu corpo, alma e espírito encare aquilo como normal, como já parte do dia a dia. No início irá tremer, desistir algumas vezes, mas no final, é tentar novamente.

Assim como uma pessoa que tem habilidade para algum esporte. Sem a regularidade, atrofia e enterra o seu talento. 

Como alguém que tem uma sensibilidade espiritual diferente. Mas, sem a regularidade  de ritos de uma determinada religião (a que se identifica), extingue o fogo.

O mesmo acontece com um trabalhador com uma habilidade técnica desenvolvida, mas sem a repetição, rotina de atualização e aplicação de horas de trabalho, cairá no esquecimento e desatualização.

É importante lembrar que a energia do realizar, do fazer acontecer está dentro de você. Não virá de fora. Não virá de graça. É preciso tomar com força.

Um passo de cada vez.

A primeira coisa primeiro.

Menos é mais.

Faça até que dentro de você comece a surgir um dinamus que te levará a constância. Por fim, a evolução de uma vida mais equilibrada e saudável.

Pense nisso.

Pedro Henrique Curvelo

Abril de 2023

Imagem: https://pixabay.com/photos/artwork-statue-sculpture-expo-16923/

quarta-feira, 8 de março de 2023

O que é a Política? Leia isso e pare de sofrer.

 


O que é a política? Essa é uma pergunta que muitos se fazem e que muitas vezes não encontram uma resposta clara e objetiva. Mas, antes de tentar responder essa pergunta, é preciso entender que a política é o jogo do poder, e que, como tal, ela não deve ser romantizada.

É comum vermos pessoas que se deixam levar pela emoção e pelos discursos inflamados dos políticos, esquecendo-se de que a política é um jogo em que cada um busca o poder para si ou para seu grupo. E é por isso que, ao invés de se iludir com as promessas vazias, é preciso ter consciência de qual classe ou grupo se pertence, e lutar pelos seus direitos.

A política é um jogo em que se utiliza de todos os meios possíveis para se chegar ao poder. Esses meios vão desde a persuasão até a violência. E é por isso que é importante que o jogo democrático esteja equilibrado, para que os grupos mais fracos não sejam oprimidos pelos mais fortes.

Nicolau Maquiavel, um dos mais importantes filósofos políticos da história, defendia que o príncipe deveria usar a astúcia e a violência, se necessário, para se manter no poder. Ele acreditava que a política não era regida por valores morais, mas sim pela razão de Estado. E é por isso que, ao se falar de política, é preciso ter em mente que os fins muitas vezes justificam os meios.

Mas, apesar disso, é possível fazer política sem perder a ética e os valores. É preciso buscar sempre o equilíbrio, e lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. E para isso, é preciso conhecer a política, entender como ela funciona e como ela pode ser usada para promover o bem comum.

Em resumo, a política é o jogo do poder, em que cada um busca o poder para si ou para seu grupo. Não se deve romantizar o que não tem como ser romantizado. É um jogo. E para sobreviver é preciso conhecer as regras.

Pense nisso.

Pedro Henrique Curvelo

Março de 2023

domingo, 12 de fevereiro de 2023

QUANTAS PEDRAS TEM NA SUA MOCHILA?


 

Pense que pedras na mochila simbolizam os problemas que carregamos. Problemas que nós geramos, como decisões erradas, ou aqueles impostos pela vida como um trauma, morte e desgraça familiar. Ou seja, que fogem do nosso controle.

Pense que você tem três opções: Fingir que não tem peso nas suas costas e tentar andar ereto, mesmo tendo uma escoliose psicológica; reconhecer as pedras e ficar se martirizando, usando-as para se autoflagelar; ou reconhecer as pedras, aceitar as feridas ocasionadas e joga-las foras. Pelo menos aquelas que são possíveis.

Pense que isso exige trabalho e autorresponsabilidade. Exige ficar em silêncio e se olhar no espelho. Trabalhar a pedra bruta com as ferramentas dispostas no seu interior. 

Pense que a vida não é uma utopia da leveza. Mas, podemos deixar a mochila mais leve. Existem pedras que você não precisa carrega. Mas fulano disse..., mas na minha família..., mas minha religião... Acorde! Algumas pedras não são suas.

Pense em tirar as pedras que são possíveis de tirar do caminho e adube a terra. As que não são possíveis de tirar, aceite. Você não é um super homem.

Pense que algumas pedras, apesar do incomodo, você não precisa necessariamente joga-las fora. Pode usa-las como arma para derrubar algum gigante da vida. Pense em Davi no conflito com Golias. Uma pedra pode ser uma lápide em um túmulo ou uma arma que te faz avançar.

Pense em cuidar das pedras necessárias que estão na sua vida. Trabalhe elas para que sirvam como pedra angular para a construção da sua vida.

Pense na mitologia de Sísifo que foi punido pelos deuses para empurrar uma pedra até o alto de uma montanha, e quando chegava no cume, uma força o empurrava até o ponto de partida. 

Pense com essa história que o mundo é cruel e injusto. Que essa verdade possa gerar em você revolta e um desejo de tentar novas formas. Haverá garantia que conseguirá? Não sabemos. Mas insistir em um caminho e em uma única forma não faz sentido se não tem gerado resultado. Alguns irão questionar:  Mas e a esperança?

Pense, por fim, que a esperança tem que existir no objetivo de chegar no cume da montanha. Esse é o fim. O resto é o meio. Logo, podem ter várias alternativas. Não se prenda ao complexo. Tem momentos que a riqueza está no que é simples.

Pense nisso.

Pedro Henrique Curvelo

Fevereiro de 2023