sexta-feira, 19 de setembro de 2014
ELA FOI UMA ROSA BRANCA
Ela voltou do ontem
Olhamos para o mar
Ele serve como encantamento para a projeção de uma fantasia
Seu olhar me levou para outra dimensão
Há uma casa que guarda um segredo
Há uma música que guarda um clímax
Há uma dança da noite em um castelo onde ansiamos pelo passado, nos esquecemos do futuro e fechamos os olhos para a realidade do presente
Dimensões do encantamento de uma paixão
Por um nevoeiro formos arrebatados pelo ápice do gozo
Um gozo que nos embriaga
Liga a memória do primeiro encontro com a dor da despedida
Tentei segurar a ampulheta para que suas areias parassem de correr
Foi em vão!
Ela se quebrou
O vento desfez o tempo
O silêncio de mim se apoderou
A sensatez me levou para a realidade
Um novo caminho passei então a seguir
A Rosa branca desfez suas pétalas
Espalhadas foram no mar
Onde tudo começou
Pedro Curvelo
Setembro 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
O AMANHÃ COMO SALVAÇÃO
Amanhã começo a dieta
Amanhã paro de fumar
Amanhã não vou deixar de ir na academia
Amanhã trato essa demanda do trabalho
Amanhã volto minha consciência para o meu lado espiritual
Amanhã ligo para ela e peço perdão
Amanhã vou propagar o outro amanhã
Assim, serei sempre levado cativo a ilusão do amanhã
Viver o hoje envolve energia
No amanhã tenho a esperança de uma carga extra
O tempo não nos salva
O despertar da consciência, sim
O "cair em si" se envolve no agora. Mesmo que este represente apenas um segundo. A confissão traz a salvação no hoje.
Esperar pelo amanhã, gera o risco de termos nossas sementes roubadas pela madrugada. Enquanto nos entregamos ao sono que, aparentemente, abre o portal do amanhã.
Enquanto houver o hoje, a vigilância e trabalho serão necessários.
Ainda não é noite, mas nos comportamos como se fosse. Dessa forma, abortamos o dia e a vida que nele existe.
Há um "pão nosso" atrelado a cada dia. Você já se alimentou dele hoje?
Pedro Curvelo
Setembro 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
MESSIANISMO POLÍTICO
A relação entre política e religião é literalmente a
figura do lobo se vestindo de ovelha. A peculiaridade nesse caso é a
indefinição de quem é lobo e quem é ovelha. É um estado de metamorfose, pois,
em algum momento histórico a política pode usar a religião, outro esta a aquela
e, até mesmo, um defraudar o outro.
É um processo totalmente incoerente. Onde se é capaz de
se sujar com água e se lavar com sangue. Nesse antagonismo poucos enxergam.
Política e religião sempre viveram juntas, no Antigo
Egito eram fundidas onde o líder político (Faraó) era também a encarnação do
divino. Os hebreus se constituíram como nação escolhida por uma ordem divina. Na Europa
Absolutista os reis tinham o selo da eleição divina. E a Igreja Católica
construiu o seu próprio Estado: O Vaticano.
Nessas eleições é possível ver o messianismo político.
Alguns encaram a Marina como a escolhida de Deus, apesar dela ser totalmente
discreta com a sua fé. Dilma sobe no altar do Manuel Ferreira e diz que
"feliz é a nação cujo Deus é o Senhor". O PSC lança um candidato que
é pastor.
Os religiosos querem garantias contra o "kit gay",
obrigação da inclusão da bíblia em bibliotecas, mas, não protestam contra a
corrupção. São capazes de se calar diante, por exemplo, dos escândalos de
corrupção do PT para garantir favores políticos, como concessões na televisão e
rádio. Conseguem fazer uma oração abençoando Arruda em pleno ato de corrupção. Se vendem por pouco. De fato, conseguem "engolir um camelo e se
engasgarem com uma mosca".
Existem momentos onde essa relação é quebrada. Como na época de Jesus, onde alguns esperavam que
ele reivindicasse o poder político e religioso. No entanto, não o fez. Deixou
"César" de um lado e o "templo" do outro lado. Seguiu apenas o seu caminho.
Nossas estruturas sociais não separam o político da
religião. Mas, nas nossas consciências poderemos fazer esse divisor. Preservando a nossa
relação com o Sagrado e encarando as questões políticas na ótica do
racionalíssimo político. Assim, nossa fé será verdadeira em nós e nosso lado
político amadurecido em conhecimento e atitude.
Pense nisso!
Pedro Curvelo
Agosto de 2014
sábado, 23 de agosto de 2014
UMA VIDA SEM GARANTIAS
Eu escrevo esse texto
Mas, amanhã não sei se terei visão para ler, força nas mãos para escrever e nem saúde mental para refletir.
Tenho um carro na garagem
Mas, não sei se amanhã ele voltará. Pode ser roubado ou posso bater
Tenho um emprego estável
Mas, o mercado é dinâmico
A empresa pode acabar ou o meu setor ter redução de gastos
Tenho uma companheira
Mas, amanhã a chama desse relacionamento pode acabar
Um de nós dois morrer ou simplesmente terminarmos
Assim eu vivo
Igual a você que faz essa leitura
Sem garantia de nada
Podemos mitigar os riscos, mantendo uma alimentação saudável, por exemplo, embora tal prática não elimine a probabilidade de uma doença ocorrer
Tudo pode acontecer
Seja algo bom ou ruim
O que fazer?
Se a qualquer momento podem pedir a nossa alma
A única garantia que temos é o Agora. O Agora é um ramo da videira chamado Hoje
Sem apoios, nosso eu interior balança até encontrar um ponto de equilíbrio. Não rígido, mas flexível frente aos acontecimentos inesperados desse mistério chamado vida.
Essa consciência nos separa do medo do amanhã. Alimenta a paz no hoje e a força para vivermos em plenitude.
Pedro Henrique Curvelo
Agosto de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
LABIRINTO DOS VIDROS
Fleches de uma memória
O retorno a um ponto não definido por mim
Mas gerado dentro de mim
Há dois corpos
Mas várias identidades
É coerente definir como identidade quando o real se mistura com o abstrato?
Quando a energia consumida em uma imaginação se fundi com o corpo físico em sua atividade
É como se o Eu estivesse rodeado por vários espelhos
Cada um parece ter vida, pois reflete a imagem e locomoção de quem o projetou
Como se achar no labirinto dos vidros?
O espelho mostra em parte
O caminho da cegueira mostra a plenitude
Par alcançar, é necessário ouvir atentamente o som da surdez
Por ali ninguém passou
Nunca ninguém entrou
Só há um que de dentro saiu
Com a ordem criada se entrelaçou
Por fim, se corrompeu e se viciou do swing das identidades
Em uma dimensão os espelhos
Em outra o voar adormecido
Necessário se faz do sono do voo despertar
Para no silêncio então flutuar
Pedro Curvelo
Agosto de 2014
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