domingo, 25 de novembro de 2012

A FORMAÇÃO DE UM DEMÔNIO




Um humano nos nasceu
Um demônio se formou

Do proibido conheceu a si
Do fruto, alimentou uma outra natureza

Metamorfoseou o coração 
Errante andou pela terra 
Terra dos humanos, que um dia foi dos anjos e agora é de um demônio

Assim ele quis, assim foi feito

Da sua raiz familiar resolveu cortar
Sua herança roubou, possuiu antes do tempo

Andou errante, procurando um culpado. Viveu acusando

De um espelho, imagem nenhuma viu, nenhuma semelhança identificou

Viu um dia a Cruz. 
Dela riu e não se curvou

Rei quis ser. Por isso se prostrou diante de si mesmo

Pedras carregou para o deserto. 
Se alimentou delas como se fossem os figos do Éden

Cego se tornou para não ver aquele que chamaram de Lázaro

Paralítico se tornou para não seguir as trilhas do Caminho
Surdo se tornou para não ouvir o canto de uma criança

Se isolou para não sentir o vento

Animal se tornou. 
Seu entendimento atrofiou

Quem é ele?
Agora é tarde. O Tempo o levou. As cinzas da sua história não servirão de memória.

Pedro Henrique Curvelo
Novembro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CINZAS DO PASSADO




Ele olhou para o passado em busca de algum vestígio, no entanto, só encontrou cinzas.
Sem referência, memória ou fragmentos. Teve que encarar o presente partindo do estado zero.

Nem sempre o novo se constrói sobre ruínas. Tem momentos que precisa ser trabalhado sobre um terreno virgem. Se há fantasmas escondidos, as erosões do futuro irão mostrar.

Ele pegou o papel, construiu o preto e o branco. Do seu interior teve que buscar forças para colorir.

Uns chamam isso de fé.

Mas, nesse aspecto, a fé tem outra dimensão. Pois não floresceu de uma promessa, testemunho ou "dito profético". Ela germinou sem semente. Do vazio surgiu, crendo em algo que ninguém consegue ver.

Do Mistério veio o querer e o realizar. Como consequência, uma jardim surgiu. Jardim esse que para ele será um memorial.


Pedro Henrique Curvelo
Novembro de 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O SORRISO DE UMA DEUSA MENINA



O sorriso de uma deusa menina

Os humanos carregam dentro de si fragmentos daquilo que é divino. Somos mortais, mas por dentro, carregamos o reflexo daquilo que É.

Ela é assim! Carrega no interior o legado do belo da sua criação. Homem que sou, sou explorador dos seus olhos, onde cada piscar dos seus cílios vejo a dimensão da sua beleza. 

Ela é assim! Com a simplicidade do seu sorriso, mostra a realeza da sua essência. Homem que sou, reverencio tal imponência.

Ela é assim! Com a maciez dos seus lábios, me torna frágil diante da libido  que é proporcionada. Homem que sou, consinto na fragilidade, como menino, me coloco indefeso. Tudo para viver a fantasia.

Seu beijo e abraço transporta o homem que sou a um mundo paralelo, mundo de contos e fantasias. Nessa dimensão, bebo o vinho do Olimpo. A embriaguez que rejuvenesce.

Até quando ela estará presente? Eu não sei. Afinal, a mulher não é fruto de Cronos, ela é fruto da costela de Adão. Que vem e preenche. Ou então, vem e deixa.

Homem que sou, prossigo em conhecer e ser conhecido pela deusa-menina, humana-mulher.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

DEMANDAS DE UM AMANHÃ QUE PODE NÃO CHEGAR




Demandas de um amanhã que pode não chegar.

A gratidão do instante chamado agora que não é confessada.


Como a Sabedoria um dia falou: "Nós tocamos flauta, mas vocês não dançaram. Falamos de lamentações, mas vocês não choraram."


O que a alma sufocada deseja? 


O que as profundezas de um interior cada vez mais recalcado quer confessar?


As ondas do mundo e seus sistemas, te levaram para mais longe daquilo que você realmente é.


Quem é você? Uma vez que você nunca confessou o seu próprio nome.

Eles dividiram o seu eu. Dividido, você não tem conexão. Assim nunca irá descobrir o elo do verdadeiro ser.


Sejamos um! Falou a Sabedoria.


Mas como ser? Forasteiro você se transformou no extremismo do ter.


Corpo estático, mente agitada.


Você se afunda nesse oceano como uma estátua, sem expressão de reação.


Mas, no esquecimento, observamos uma lágrima. Lágrima essa que irá conduzir às ruínas. Ruínas que levam ao fim. 

Fim que leva ao encontro. Encontro que leva ao Renascer.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CONFISSÃO DE UM OGRO/TROLL: Mosán Santos

            

               Porque tu partis
         Como não se imagi
                      sou um poe
                Muito mais tris

                      Porque fos
                 Destruiu o ver
                              Virou- 
                          Ao inver

     Não meço minha métri
              Atravesso meu rit
Não ressoa minha  sonorida

                     Só uma rima
        Meu coração consola
              Dor com saudade


Mosán Santos

Outubro de 2012
(Fim do MBA em Gestão de Projetos - FGV Nova Iguaçu)