sábado, 20 de dezembro de 2014

O CAJADO POLÍTICO DO PAPA FRANCISCO CONTRA DALAI LAMA



O que é o Vaticano?
O que sempre foi: Um Estado político e religioso. Com essa característica, o que é delicado de se administrar é a coexistência paradoxal entre o pragmatismo político e o moralismo religioso.

A recusa do Papa Francisco em se encontrar com Dalai Lama mostra a supremacia política em detrimento dos valores religiosos dentro do Vaticano. Nesse exemplo específico, tudo para não gerar ruídos com a China.

Francisco, que em seus discursos prega o ecumenismo, ao recusar um encontro com o líder tibetano, reforça o separatismo que a política e a religião geram. Ponto este, que Jesus sempre combateu na sua época com relação ao separatismo entre os judeus e os samaritanos.

O Vaticano zela pelo seu império de forma absoluta. Zelar pelos valores cristãos é parcial. Esta, mostrada quando a corda política aperta! O viés político sempre prevaleceu no catolicismo. Desde os Bórgias até Pio XII que preferiu acender uma vela para o Nazismo para que a vela do comunismo fosse apagada e as paredes da casa de Pedro não caíssem. Mesmo que o efeito colateral disso fosse a perseguição aos judeus.

Papa Francisco, como ser humano, pode seguir os princípios cristãos e tentar inseri-los ao máximo em seu trabalho sacerdotal. No entanto, enquanto existir um Estado religioso, terá que manter a coligação entre os meios de Maquiavel para alcançar e sustentar os fins.

Pedro Curvelo
Dezembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

PELE NEGRA


Nasce a Lua
A magia em sintonia
Há o bordado em sua saia
Há a lascívia em sua pele negra

A razão se prende nas teias do encantamento
O beijar o seu pescoço
Me leva ao despertar da volúpia

Comigo você tem o momento
Com ele a eternidade
Sem brilho

Permita-se a fuga que os deuses nos concederam
As pálpebras da moral adormeceram
O vento trouxe a oportunidade
Um suspiro, um gozo
Um adormecer, um adeus
O sol nasceu
A fantasia se desfez
Mas em nossos corações um memorial se fez.

Pedro Henrique Curvelo

Novembro de 2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O ESTUPRO DA VIDA PRIVADA



O Brasil nunca conseguiu separar a vida privada da social. E olha que nunca fomos um país comunista. Mas, calma! Isso não é de agora. Temos essa defraudação nas nossas raízes históricas. O grande historiador, Gilberto Freyre, em seu livro "Casa Grande e Senzala" vai abordar justamente isso. A prisão da vida privada.

Quando nossa nação era colônia e depois império, a vida particular era controlada pelo Estado. Por Estado, entenda a fusão entre política e religião católica. O que você come, quanto você gasta, com quem você transa e para quem você está rezando, tudo era monitorado, pelo Estado ou pelos vizinhos. Na parte da religião, os judeus e os protestantes tiveram dificuldade de viver sua fé no âmbito privado.

A mesma situação se aplica hoje. Eu observo as eleições atuais, as propostas e me assusto. A vida privada é colocada mais em pauta do que questões do comum, do todo, da sociedade. Exemplo: como enfrentaremos a recessão? Como lidaremos com a alta carga tributária? E assim por diante.

No entanto, o que se vê é: o candidato A é a favor do casamento gay? O candidato B é evangélico? O candidato C gosta de prostitutas? No emaranhado de interrogações coloco mais uma: o que a vida privada com isso?

Os políticos replicam o que é prática da sociedade. Nossa individualidade é invadida a todo instante.

Se você se relaciona com uma pessoa do mesmo sexo, por exemplo, isso é colocado em um tribunal social e você é exposto. Se você sai de uma "casa de massagem", o relaxamento que você conseguido, rapidamente vai embora porque os “sentinelas do puritanismo” irão questionar.

No aspecto religioso é a mesma coisa. A fé habita no ambiente particular. No entanto, se você sai de uma instituição religiosa, é visto de forma depreciativa, qualificado como "desviado" ou condenado com a frase "vai para o inferno". Infelizmente, temos facilidade em sacrificar o ser humano por causa das nossas crenças.


Precisamos passar por um processo de mudança de consciência. Entender que o privado só pode ser invadido quando prejudica a sociedade. Do contrário, voltamos a Idade Média, onde quem praticava na vida privada a bruxaria era queimado. Quem não era, mas fosse acusado, também iria para a fogueira. Não estamos longe disso. Somos um povo que não sabemos digerir, colocamos na boca e vomitamos. Vejam o caso daquela mulher de Guarujá que foi linchada na rua acusada de bruxaria e sacrifício de crianças. Tudo por causa de uma fofoca do Facebook.

A menina que chamou o goleiro do Santos de "macaco", teve a casa atacada.

São diversos incidentes que se eu escrever irão virar uma enciclopédia.

A discrição e a preservação da nossa vida privada é essencial para a nossa saúde social.


Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ELA FOI UMA ROSA BRANCA


Ela voltou do ontem
Olhamos para o mar
Ele serve como encantamento para a projeção de uma fantasia

Seu olhar me levou para outra dimensão
Há uma casa que guarda um segredo
Há uma música que guarda um clímax
Há uma dança da noite em um castelo onde ansiamos pelo passado, nos esquecemos do futuro e fechamos os olhos para a realidade do presente

Dimensões do encantamento de uma paixão
Por um nevoeiro formos arrebatados pelo ápice do gozo
Um gozo que nos embriaga
Liga a memória do primeiro encontro com a dor da despedida


Tentei segurar a ampulheta para que suas areias parassem de correr
Foi em vão!
Ela se quebrou 
O vento desfez o tempo
O silêncio de mim se apoderou
A sensatez me levou para a realidade
Um novo caminho passei então a seguir
A Rosa branca desfez suas pétalas
Espalhadas foram no mar
Onde tudo começou 

Pedro Curvelo
Setembro 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O AMANHÃ COMO SALVAÇÃO



Amanhã começo a dieta
Amanhã paro de fumar
Amanhã não vou deixar de ir na academia
Amanhã trato essa demanda do trabalho
Amanhã volto minha consciência para o meu lado espiritual
Amanhã ligo para ela e peço perdão

Amanhã vou propagar o outro amanhã
Assim, serei sempre levado cativo a ilusão do amanhã
Viver o hoje envolve energia
No amanhã tenho a esperança de uma carga extra
O tempo não nos salva
O despertar da consciência, sim

O "cair em si" se envolve no agora. Mesmo que este represente apenas um segundo. A confissão traz a salvação no hoje.

Esperar pelo amanhã, gera o risco de termos nossas sementes roubadas pela madrugada. Enquanto nos entregamos ao sono que, aparentemente, abre o portal do amanhã.
Enquanto houver o hoje, a vigilância e trabalho serão necessários.
Ainda não é noite, mas nos comportamos como se fosse. Dessa forma, abortamos o dia e a vida que nele existe.
Há um "pão nosso" atrelado a cada dia. Você já se alimentou dele hoje?

Pedro Curvelo
Setembro 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MESSIANISMO POLÍTICO



A relação entre política e religião é literalmente a figura do lobo se vestindo de ovelha. A peculiaridade nesse caso é a indefinição de quem é lobo e quem é ovelha. É um estado de metamorfose, pois, em algum momento histórico a política pode usar a religião, outro esta a aquela e, até mesmo, um defraudar o outro.

É um processo totalmente incoerente. Onde se é capaz de se sujar com água e se lavar com sangue. Nesse antagonismo poucos enxergam.

Política e religião sempre viveram juntas, no Antigo Egito eram fundidas onde o líder político (Faraó) era também a encarnação do divino. Os hebreus se constituíram como nação escolhida por uma ordem divina. Na Europa Absolutista os reis tinham o selo da eleição divina. E a Igreja Católica construiu o seu próprio Estado: O Vaticano.

Nessas eleições é possível ver o messianismo político. Alguns encaram a Marina como a escolhida de Deus, apesar dela ser totalmente discreta com a sua fé. Dilma sobe no altar do Manuel Ferreira e diz que "feliz é a nação cujo Deus é o Senhor". O PSC lança um candidato que é pastor.

Os religiosos querem garantias contra o "kit gay", obrigação da inclusão da bíblia em bibliotecas, mas, não protestam contra a corrupção. São capazes de se calar diante, por exemplo, dos escândalos de corrupção do PT para garantir favores políticos, como concessões na televisão e rádio. Conseguem fazer uma oração abençoando Arruda em pleno ato de corrupção. Se vendem por pouco. De fato, conseguem "engolir um camelo e se engasgarem com uma mosca".

Existem momentos onde essa relação é quebrada. Como na época de Jesus, onde alguns esperavam que ele reivindicasse o poder político e religioso. No entanto, não o fez. Deixou "César" de um lado e o "templo" do outro lado. Seguiu apenas o seu caminho.


Nossas estruturas sociais não separam o político da religião. Mas, nas nossas consciências poderemos fazer esse divisor. Preservando a nossa relação com o Sagrado e encarando as questões políticas na ótica do racionalíssimo político. Assim, nossa fé será verdadeira em nós e nosso lado político amadurecido em conhecimento e atitude.

Pense nisso!

Pedro Curvelo
Agosto de 2014

sábado, 23 de agosto de 2014

UMA VIDA SEM GARANTIAS



Eu escrevo esse texto
Mas, amanhã não sei se terei visão para ler, força nas mãos para escrever e nem saúde mental para refletir.

Tenho um carro na garagem
Mas, não sei se amanhã ele voltará. Pode ser roubado ou posso bater

Tenho um emprego estável
Mas, o mercado é dinâmico
A empresa pode acabar ou o meu setor ter redução de gastos

Tenho uma companheira
Mas, amanhã a chama desse relacionamento pode acabar
Um de nós dois morrer ou simplesmente terminarmos

Assim eu vivo
Igual a você que faz essa leitura
Sem garantia de nada

Podemos mitigar os riscos, mantendo uma alimentação saudável, por exemplo, embora tal prática não elimine a probabilidade de uma doença ocorrer

Tudo pode acontecer
Seja algo bom ou ruim
O que fazer?
Se a qualquer momento podem pedir a nossa alma

A única garantia que temos é o Agora. O Agora é um ramo da videira chamado Hoje

Sem apoios, nosso eu interior balança até encontrar um ponto de equilíbrio. Não rígido, mas flexível frente aos acontecimentos inesperados desse mistério chamado vida.

Essa consciência nos separa do medo do amanhã. Alimenta a paz no hoje e a força para vivermos em plenitude.

Pedro Henrique Curvelo
Agosto de 2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

LABIRINTO DOS VIDROS



Fleches de uma memória
O retorno a um ponto não definido por mim
Mas gerado dentro de mim

Há dois corpos
Mas várias identidades

É coerente definir como identidade quando o real se mistura com o abstrato?
Quando a energia consumida em uma imaginação se fundi com o corpo físico em sua atividade

É como se o Eu estivesse rodeado por vários espelhos
Cada um parece ter vida, pois reflete a imagem e locomoção de quem o projetou

Como se achar no labirinto dos vidros?
O espelho mostra em parte
O caminho da cegueira mostra a plenitude
Par alcançar, é necessário ouvir atentamente o som da surdez

Por ali ninguém passou
Nunca ninguém entrou
Só há um que de dentro saiu
Com a ordem criada se entrelaçou
Por fim, se corrompeu e se viciou do swing das identidades

Em uma dimensão os espelhos
Em outra o voar adormecido

Necessário se faz do sono do voo despertar
Para no silêncio então flutuar

Pedro Curvelo
Agosto de 2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O QUE SIGNIFICA O TEMPLO DE SALOMÃO OU DO MACEDO



O que significa o Templo de Salomão do Bispo Macedo?

Várias coisas!

Para alguns líderes evangélicos, motivo de inveja, pois em algum momento já pensaram em tal projeto.

Para algumas pessoas, um atestado de que Edir Macedo enlouqueceu.

Para outros, mais um ponto turístico religioso, mais moderno que a Aparecida ou o Cristo Redentor.

Tem pessoas que estão indiferentes, pois associam o coração do homem como o único Templo.

Outros, farão de São Paulo um lugar de peregrinação para a fé neopentecostal. Por considerar um símbolo de avivamento espiritual.

Em toda a história, a raça humana sempre precisou tangibilizar o sagrado. Isso ocorreu em todos os povos, egípcios, romanos, gregos, hebreus e até cristãos.

Pelo sagrado, o homem levanta os seus altares e templos faraônicos como forma de devoção, medo do divino e estandarte do ego dos seus líderes. Neste, em um templo na Roma Antiga, se projetava a fundição entre a grandeza do seu líder político com a natureza divina.

O homem tem sede em materializar o poder. Seja terreno ou celestial.

Na época de Cristo, um novo discurso passou a ser usado: O homem como morada do divino. Expressões como "o corpo é templo do Espírito", "o Reino de Deus está dentro do coração do homem", começaram a ser apregoados. Com isso, o desapego da estrutura física e o foco para a necessidade do próximo. Sabendo que, sobre o Templo de Herodes, "não ficaria pedra sobre pedra".

Com a institucionalização da fé cristã, o imperador Constantino casa a política com a religião. Fruto desse casamento foram vários templos levantados em um sincretismo só. Catedrais com características romanas, egípcias, judaicas e gregas. Chegando ao ápice na história da criação de um Estado: O Vaticano.

A Reforma Protestante tentou retornar ao coração do homem. Se separando das estruturas institucionais e da figura do clero. Não durou muito para cair na sede de poder político baseado na expressão "dominar toda a terra". Se prendeu a uma teologia da prosperidade em detrimento ao "conhecer a si mesmo".

Utilizar o mega altar do Templo de Salomão como palanque político não será tentação exclusiva dos dirigentes da Universal. Malafaia já utilizou o seu altar para projetar José Serra, Lindberg Farias e para falar mal da Marina Silva.

Macedo, que sempre bateu de frente com a Igreja Católica, ganhou mais uma batalha. Levantando um Templo com dimensões maiores que a do Cristo Redentor, como destacou essa semana o jornal The New York Times.

Questionam os milhões de reais gastos na construção. Que esse dinheiro poderia ser destinado aos pobres. Esse protesto vem de todos os lados, dos invejosos e dos que são a favor da caridade. Lembrando que, apesar dos diversos escândalos da Universal, ela é uma instituição que "mete a mão na massa" em trabalhos sociais, seja no Brasil ou na África.


Por fim, não há como precisar o significado do Templo da Universal. O que há, é nos conscientizarmos de que o Templo Humano precisa se reestruturar no caminho do autoconhecimento, para enxergarmos o nosso interior e o nosso próximo. Templos dinâmicos e evolutivos.

Pedro Curvelo
Julho de 2014

sábado, 26 de julho de 2014

A OVERDOSE DE UM MONSTRO



Overdose
O exagero de tudo

De um gole mergulhou no álcool

De uma atração
Migrou para um bacanal onde até o próprio baco se escandalizaria

Em uma devoção espiritual
Tentado se viu em manipular o outro lado
Se mascarar e lucrar

De uma porneia migrou para as mais loucas extravagâncias

Do degustar para as amarras da gula

Do refletir de uma informação pulou para a fragmentação de todas
O profundo se tornou superficial
Tudo queria compreender
Era um dia
Uma noite

Do vazio de um quarto e de um silêncio interior queria escapar
De tudo se drogou, inclusive dele mesmo
No quarto se trancou
Em seu próprio gozo se sujou
Dimensões em sua mente criou
Ele queria subir sem as censuras
No ápice ao sono se entregar
Na esperança de que amanhã traga o encantamento do renovo
Da força a serenidade

Parado estava, mas dentro de si andava errante
Por sorte ou milagre, uma pequena chama ainda estava acessa na sua consciência
Pensar ainda pode. Decidir, no entanto, passou a ficar em extinção

No quarto ao invés do descanso
Há o tormento
Pela nudez da alma
O tormento do monstro chamado Eu

A válvula dele era o seu próprio androide
Em uma armadura se refugia
Do seu interior e do próximo se silencia
Percebeu a negligência em que se encontrava
Percebeu que a cura era se suportar em seu próprio quarto
Olhando com coragem para a sua nudez

Pedro Henrique Curvelo
Julho de 2014


 Imagem: http://jeygodoy.blogspot.com.br/2012/03/o-chamado-do-monstro.html

domingo, 8 de junho de 2014

A DANÇA DOS LÁBIOS



Há um uniforme que cobre nossos desejos 

Há um protocolo que nos separa 

Mas no intervalo nos entregamos 

Somos jovens 
Não temos contas para pagar 

Vivemos a liberdade em um mundo sem asas

Mesmo neófito no amor 
Decidi me entregar a sacralidade da aliança 
Em detrimento da vulgaridade dos desejos 

Nossa juventude 
Nos torna eternos 

Mesmo diante do curso da nossa finitude 
Como ser insensível com o encantamento dos seus olhos?

Nossos lábios se encontram 
Um sorriso então surge na dança dos lábios 

A certeza do amanhã 
A dúvida do hoje 
A esperança do ontem

Pedro Henrique Curvelo
Junho de 2014

Imagem: http://melodiaslunares.blogspot.com.br/2008_05_01_archive.html

domingo, 11 de maio de 2014

SANTA ANSIEDADE! SOMOS TODOS DEVOTOS!



Santa ansiedade!
somos devotos!
Se não todos, menos que todos, mais que todos ou igual a todos.

Se estamos em uma fila de uma rodoviária, quando o ônibus chega, ao invés de esperarmos que ele pare para embarcarmos, ficamos como uma minhoca doida seguindo as suas rodas, enquanto estaciona. Um verdadeiro ziguezague.

Se vamos ao banheiro, levamos o Smartphone. Se vamos para a rua, da mesma forma. Se estamos em um enterro ou igreja, não desligamos. Algumas pessoas interrompem até o sexo para ver uma notificação no celular. Quando vai ver, é alguma foto de sacanagem encaminhada por um amigo em um grupo qualquer no WhatsApp.

A ansiedade nos leva a falta de educação. Se uma pessoa está conversando conosco e o celular treme, pegamos imediatamente para ver alguma mensagem ou post. Como desculpa, falamos que conseguimos fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

No trânsito, o sinal fecha e ficamos incomodado. O sinal mal abre, já tem gente buzinando. Como se sinal aberto deveria indicar ao veículo parado que deveria estar a 80 km por hora. Para tudo o povo buzina, pelo menos no Rio de Janeiro. Em outros estados que estive, a frequência é menor, no sul é quase zero. Deve ser um tesão imenso a buzina de um carro, pois o povo não larga a mão. Esquece do cinto de segurança e da seta, mas a buzina grita que é uma maravilha. A ansiedade anda de mãos dada com o barulho. Gostamos de gritar sem motivo, xingar e colocar música alta no ônibus.

Somos ansiosos até para dormir. Não conseguimos desacelerar. Precisamos no escuro do quarto da luz do tablet ou do som da televisão.
Silêncio e quietude são perigosos. Pois, liberam o vazio do nosso interior das amarras. Ninguém quer ver isso.
Se estamos em um templo religioso, precisamos de barulho. Meditação e silêncio podem liberar a voz do interior. O problema é que o interior sempre fala a verdade. Não gostamos dela, por isso gritamos, recitamos mantras e até em línguas estranhas falamos. Inocentes que somos.

Assim seguimos, ansiosos. A natureza acompanha, pois é influenciada. Até quando? Não sabemos. Esse é um outro problema. Por que não saber o fim, para alguns gera ansiedade. Se não para alguns, mais que alguns, menos que alguns ou igual a alguns.

Pedro Henrique Curvelo
Maio de 2014

Imagem: http://blog.sc.senac.br/voce-se-deixa-dominar-pela-ansiedade/

domingo, 4 de maio de 2014

O GUARDIÃO DO DIA NO LABIRINTO DA FLORESTA


Olhamos para a montanha em uma noite fria
Algo em nosso coração, uma intuição talvez, dizia que deveríamos subir.

Com coragem fizemos, fizemos apesar das armadilhas da noite.
A alvorada nos visitou
Foi então possível olhar para o vale
Mesmo com a visão turva 
Olhamos e lá estava ele,
Sozinho com os sons dos seus pensamentos.

Chegar até ele
Significa encarar o labirinto da floresta 
Todos sabemos que ela tem seus encantamentos que nos prendem ao medo e nos "zumbifica".

Na dúvida entre se aventurar e encontrar ou mudar a rota e seguir o caminho do riacho, nós lembramos do Guardião do dia. Este, também é o Guardião da noite.


Há uma direção a seguir, faremos.
Ele está lá. Prossigamos então!


Há raízes que o envolve
Há a paciência a auxiliar
Há um amor a confiar
Seja cedo ou tarde
Firme o amaremos
Seja de perto ou de longe,
A ele nos doaremos.

Pedro Curvelo
Maio de 2014

domingo, 27 de abril de 2014

ATENÇÃO! ESTÃO FALANDO MAL DE VOCÊ!



Se você compra um carro importando, o povo fala que você é avarento e quer se mostrar.
Se você compra um carro simples, falam mal dele chamando de carroça. 
Se anda de ônibus com bilhete único te chamam de "fudido".

Se você sai social de casa para trabalhar, te chamam de "besta".
Se sai de bermuda em plena segunda a tarde, é chamado de vagabundo.

Se você, mulher, é magra e coloca um vestido que realce os seus seios, é chamada de "piranha", garota fácil e que tá a caça de homens. Dizem que você é burra e só tem corpo. 
Se você é gorda, enfim, te chamam de gorda mesmo.

Se você fica com todo mundo, você é "galinha". Se não fica com ninguém, é encalhado. Se namora firme, dizem que você enrola para casar.

Se você é crente, te chamam de fanático. Se abandona a igreja é desviado. Se não quer ser evangélico é batizado como "pessoa do mundo".

Se um político faz algo certo, falamos que ele é interesseiro e só pensa nas eleições. Se é corrupto, começamos a escarnecer e depois votamos nele de novo.

Se Jesus bebesse vinho, tinha demônio. Se João Batista não bebesse vinho, tinha demônio também.

Se você posta assuntos da sua vida no Facebook, falam que você quer se mostrar.
Se não publica nada, falam que você não tem novidade de vida.

Se o motorista de ônibus anda rápido, reclamam que ele está correndo muito e que não está carregando a "própria mãe".
Se pára em todos os pontos e anda devagar, o chamam de "lesma" e lerdo. Se obedece o sinal vermelho, é chamado de lerdo mesmo assim.

Se você utiliza as promoções do peixe urbano ou groupon, te chamam de mesquinho.
Se você janta com a namorada em um restaurante caro e posta no Instagram, falam que você quer ostentar.

Ufa! Por fim, se você fizer alguma coisa ou não fizer nada, só pelo fato de você existir, irão falar mal de você. Então, "beijinho no ombro" e vamos viver pela nossa própria cabeça.

Pedro Curvelo
Abril de 2014



quarta-feira, 2 de abril de 2014

ABORTO DA PRODUÇÃO TEOLÓGICA




Nenhuma ciência é estagnada. Todas vivem o processo da evolução. Entre elas, a Teologia não foge desse fluxo.

Não podemos abortar o pensamento teológico por causa de tradições e do fundamentalismo. Uma crença não é estática, ela passa por uma metamorfose que segue o multiculturalismo da nossa sociedade. Isto é, as diversas subjetividades. Uma ótica religiosa do passado pode, naturalmente, ser contestada nos dias de hoje. Vejamos a composição da Bíblia, o cânon, como é chamado, passou por mais de uma definição. Livros foram excluídos, depois voltaram, depois excluídos novamente e definidos como "apócrifos". No entanto, esqueceram que o próprio cânon acaba fazendo menção de alguns livros "apócrifos". 

Temos evoluído na tecnologia e em outras ciências, a teologia não pode ficar em retrocesso.

Para isso, não podemos ter medo. Ou seja, questionar, criar possibilidades, ver um outro lado e pensar no "e se não for bem assim". Todo esse processo faz parte de uma mente que não se conforma. Pensávamos que o raio era fruto de um movimento do Grande Ser nos céus, percebemos que se trata de fenômenos físicos e não metafísicos. Não valeu a crença anterior? Claro que valeu. A partir dela se chegou ao macro. O seu início, ligado ao campo mitológico alimentou a antropologia com o comportamento do homem, a psicologia com o medo do desconhecido, despertou o lado esotérico na produção de rezas, ritos e artes que alimentaram o passado e enriqueceram o futuro.

A produção teológica precisa ser livre. Não podemos ter mordaças de nenhuma instituição religiosa. É claro que o teólogo irá interpretar de acordo com os seus códigos espirituais. Mas uma teoria, não pode ser abortada. Precisa andar no campo do debate.

Quem disse que o inferno existe?
Como se relacionar com o Deus judaico-cristão que mandou matar crianças, idosos e animais para que um determinado povo dominasse um lugar na terra?
O Sagrado não aprova a relação homossexual?
Quem garante que o corpo de Jesus não foi roubado?
Como alguém pode nascer de uma virgem?

São algumas perguntas que não precisamos ficar com medo de levantar. Como também, devemos parar de pegar jargões para definir e ponto final. Tirar a venda dos olhos pode nos revelar algo ou não. Afinal, como está escrito na Bíblia no livro de Deuteronômio 29:30 que "as coisas encobertas pertencem a Deus, e as reveladas aos homens..."



Como a fé fica no campo subjetivo, nunca teremos respostas concretas. É totalmente filosófico. Na relação intrapessoal, minha fé é absoluta no Divino que acredito com a minha constituição interna. Porém, na relação social há diferentes pontos de vistas que enriquecem a cultura humana. Não preciso excomungar o humano porque ele acredita de forma diferente. Partidos há até mesmo em um próprio segmento religioso. Judeus pensam diferentes entre si, evangélicos tem suas denominações, o Budismo tem suas divisões e até o Islã.



O objetivo da teologia não é provar a existência de Deus, e sim, estudar o Sagrado que o humano projetou e revelou. Santo Agostinho contribuiu com os seus códigos sobre como era o Sagrado. Calvino contribuiu para a construção do protestantismo. O Apóstolo Paulo com sua visão sobre a Graça. São verdades absolutas? Não. São homens com as suas teologias. E hoje? Qual a contribuição do campo teológico?



Ver outras interpretações do Sagrado, amadurece a nossa visão. Concordo que nossa espiritualidade pode ser fortalecida ou entrar em crise. Mas, faz parte do processo do conhecimento humano.


Pedro Henrique Curvelo
Abril de 2014

Foto: http://www.itf.org.br/algumas-anotacoes-em-torno-de-caracteristicas-da-teologia-medieval-e-seu-pano-de-fundo-para-a-compreensao-de-uma-teologia-franciscana-2.html

sábado, 8 de março de 2014

UM NOME CONHECIDO POR VOCÊ E PELOS ANJOS


O que você é?

Você não é o seu emprego, status na sociedade, sua arte e nem o seu corpo.
Você é o que simplesmente É.

Deus ao se apresentar a Moisés não disse que ele era o Criador, mas o "Grande Eu Sou".


Ser é uma dimensão onde enterramos nossos atributos e conquistas. Para que nus no espírito possamos nos desenvolver.

Enterrar o que temos não é o fim. Ele frutificará no tempo certo. Maduros, no entanto, seremos. Pois a consciência do Ser resplandecerá.

Os talentos frutificarão sem abortar o ser.


O Ser não tem tempo nem idade. Ele  é habita na estática mística do campo da existência.

O nosso Ser comunga com o Ser que é o princípio e o fim. O Caminho é o silêncio e a fé.

Para, por fim, descobrirmos o nosso nome, escrito no livro da vida. Conhecido por nós e pelos anjos.

Pedro Curvelo
Março de 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

A VERDADE DE DOIS


Ela e eu no crepúsculo da noite
Onde o mistério sustenta uma fantasia
Da máscara para a verdade

Um simples conhecer
Uma pessoa para entender

Na nudez descobrimos as nossas minas
Fonte de prazer e riqueza
Extraímos o ouro um do outro
Sem defraudar 
Apenas explorar aquilo que o outro queria entregar

O descanso de um abraço
Torna jovial o romantismo e a amizade
De um beijo uma fogueira que não se apaga mesmo quando amanhece

Há uma casa que guarda uma intimidade
Há uma nudez que guarda uma verdade

A verdade de dois
Que no comungar se percebe que muito há

Do gozar até o sonhar.

Pedro Henrique Curvelo

Março de 2014

DEUS E O MACACO NO CONGRESSO AMERICANO


Recentemente através de uma projeto de lei, o congresso americano colocou Deus contra o macaco. O objetivo é barrar o ensino da Teoria da Evolução nas escolas. Intervir com a política nas questões religiosas é prática muito comum dos Republicanos, entre eles, o autor do projeto de lei, Rick Brattin do Estado do Missouri. 

Há muita confusão na história do evolucionismo. Darwin nunca dissertou sobre QUEM criou, e sim, sobre o COMO fomos criados e evoluímos.

Uma certa vez mencionei que é ignorância querer colocar o criacionismo contra o darwinismo. O primeiro diz que Deus criou e o segundo que evoluímos de animais inferiores. Ora, criação divina é no âmbito da fé. Esta, como a própria bíblia define no livro de Hebreus "é a prova das realidades que não se veem" (Hebreus 11:1b - Bíblia de Jerusalém). Já a teoria da evolução se encontra no campo do empírico, na experiência. Não é verdade absoluta, por isso é teoria. Pois, pode ser reformulada ao longo dos anos.

Querer racionalizar ensinamentos religiosos é pura penúria, como foi o julgamento do professor de biologia John Scopes em 1925, por ter simplesmente ensinado a teoria da evolução para os seus alunos em Ohio nos EUA. O evento ficou conhecido como o "Julgamento do macaco". O promotor pegou a tese de um bispo ao dizer que Deus criou o mundo no dia 23 de outubro do ano 4004 a.C, às 9h. Precisamos aceitar que a bíblia não é um livro histórico. E sim, um livro religioso. Como tal, possui fragmentos mitológicos, alegóricos, históricos e antropológicos sobre a forma de ver o sagrado por um determinado autor ou sociedade. Querer afirmar datas, como foi o caso da criação é perigoso por falta de argumentação.

O equilíbrio precisa existir entre os religiosos. É preciso aceitar a diversidade que há na sociedade, quem tem ateus e religiosos de concepções teológicas diferentes da exposta no livro de Gênesis.

Por outro lado, o sistema educacional precisa zelar para que as aulas de biologia não se transformem em proselitismo do ateísmo de alguns professores. Focar no evolucionismo não significa atacar o criacionismo. O debate pode ser exposto livremente. No entanto, quando se trata de crianças é complicado. Elas ficam em desvantagem porque não possuem armas para enfrentar um debate que envolve ciência e fé.

Agora, barrar o ensino de Darwin, é voltarmos a um período de censura da liberdade de pensamento. O iluminismo veio justamente para fornecer ao homem outras óticas sobre a vida, além da ótica religiosa.

Sendo assim, o pensamento é livre. Já a fala tem os seus semáforos apenas para organizar o fluxo do conhecimento, mas não para impedi-la de andar.

Pedro Henrique Curvelo
Março de 2014

Imagem: http://biogeografia-ufsm.blogspot.com.br/2012/05/evolucionismo-e-criacionismo-aceitacoes.html

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

NOSSA TENTAÇÃO



Somos tentados a correr
Mas o Hoje pede apenas um passo

Somos tentados a acumular
Mas é uma incoerência quando ainda nem aprendemos a desfrutar

Somos tentados a romper e fugir
Mas será que já tentamos reconciliar? 

Somos tentados a pensar mil coisas ao mesmo tempo
Mas não conseguimos desligar e desfrutar o sono do justo

Somos tentados a Ter
Mesmo que tenhamos que vender o Ser

Somos tentados a transformar um memorial em um encantamento
Mas a verdade é que as águas sempre se renovam, apesar do coração ser o mesmo

Somos tentados a boicotar a nossa essência
E quando perguntarem o nosso nome, não responderemos
Simplesmente porque não sabemos

Somos tentados domesticar aquilo que é místico
Enquanto a vela do espírito queima por relacionamento e aliança

Somos tentados a virarmos monumentos
No entanto, temos uma uma constituição que é de barro, somos húmus, filhos de Adão

Somos tentados a cobrirmos a nossa nudez
Mas sem ela não há verdade, não há aliança, por fim, não há vida

Pedro Henrique Curvelo
Fevereiro de 2014