sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O SARCASMO DO CANAL PORTA DOS FUNDOS


   O canal “Porta dos Fundos” utiliza um humor que é guiado pelo sarcasmo. Recentemente publicou um vídeo intitulado “Especial de Natal – Porta dos Fundos” que beirou ao insulto e ironia.

   O vídeo coloca em dúvida a virgindade de Maria, expõe o suposto “chifre” que Maria colocou em José e debocha do nascimento divino de Jesus ao dizer “o povo acredita em qualquer coisa”. A frase, apesar de ser verdadeira em alguns assuntos, se tornou uma ofensa contra o pilar do cristianismo que é a figura de Jesus (seja ela histórica ou mística).

   Além disso, o vídeo fala a relação entre Maria Madalena e Jesus, este que é mencionado em evangelhos apócrifos e esteve em debate na mídia constantemente. Em uma outra cena um dos discípulos oferece suborno para conseguir lugares no restaurante. Diante da cena, Jesus finge que não viu. Para finalizar, na hora da crucificação, percebemos um Jesus medroso e reativo.

   Depois de assistir, me lembrei do evento onde a revista francesa “Charlie Hebdo” publicou as charges do profeta Maomé. A reação foi extrema! Ao ponto de termos algumas embaixadas fechadas. Em 2005, caricaturas dinamarquesas do profeta geraram uma onda de revolta onde 50 pessoas foram mortas.

   No Brasil, a reação está apenas no discurso. No entanto, apesar de termos liberdade de expressão, ela precisa de um bom senso. Não uma censura gerada por parte de quem se sentiu ofendido, mas por parte de quem fez o comentário ou vídeo. Ao satirizar um assunto, precisamos medir os efeitos colaterais.

   Pelos comentários, vejo pessoas felizes com o vídeo e aproveitando para ofender evangélicos e católicos. Também, vejo religiosos já encarando o assunto como guerra santa e se posicionando como advogados de Deus.

  Porta dos Fundos segue ganhando com os diversos cliques no vídeo. Enquanto isso, um ringue foi montado de bestialidades. De um lado, um ódio que aproveita o sarcasmo do vídeo para debochar. Do outro, religiosos ofendidos que se mobilizam em protestos.

   Nosso país é bem aventurado ao ter liberdade religiosa. Onde você pode acreditar em que quiser. É feliz também em ter liberdade de expressão que permite um cidadão criticar o que bem entender, até mesmo uma divindade. No entanto, o que vemos hoje é o povo não sabendo usar essas riquezas constitucionais. Somos crianças que brincam na lama com diamantes e ouro.


Pedro Henrique Curvelo

Dezembro de 2013 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A TRÍADE DO CAMINHO: UMA PUTA, UMA RELIGIOSA E SANDRA, SIMPLESMENTE



Ela faz isso desde os 14 anos. O que ela faz? Ir para a cama e viver a ciranda da putaria. Toques, cheiros, penetrações e vários nomes.

Ela sabia que a cada transa seu ser era enterrado vivo. Ela nunca quis trabalhar na sua cidade natal. O motivo? Seus pais poderiam descobrir. Dessa forma, dizia que trabalhava em uma outra cidade como executiva. Esta, até aparece em algumas fantasias, mas nem sempre. Nessas transformações, a cada ejaculação que tinha que engolir (ou fingir), sentia dor na alma. Ela não era uma puta de verdade. Estava ali para juntar um dinheiro e se mandar para a Europa. Mas, qual o valor estipulado? Ela nunca definiu. Enquanto isso, várias mãos/pintos já passaram pelo seu corpo. Imaginar que na infância ela queria ser médica.

Ela, a outra, sabia que em cada culto, rito religioso, amordaçava o seu verdadeiro eu. Entrava em um molde e sustentava com “a paz do Senhor”, “amém irmão”, “tá amarrado”, “recebo”, “em nome de Jesus”, “essa benção é minha”, “o diabo tá furioso”, “o Senhor me revelou” e por aí vai. Falaram para ela sobre o caminho do autoconhecimento, do “trancar o quarto” e sobre o silêncio. Mas, ao aquietar a alma, foi transportada para um espelho. Se assustou! Gritou! Era um fantasma? Não. Era ela mesma. Preferiu sair correndo, entrar para uma corrente qualquer, continuar com o check list do moralismo religioso e olhar para o pedaço de madeira que está no olho do próximo. É mais fácil e todo mundo faz isso. Agora, mais do que nunca, postando frases religiosas no Facebook.

Sandra, simplesmente se arrumou. Era o dia da sua formatura. Olhou no espelho e se admirou, mesmo sem maquiagem. Lembrou do primeiro dia de aula, do período em que descobriu sua matéria favorita, a troca de olhares com o João, o bar com as amigas depois da aula de sexta, a morte de um professor querido, o sabor do comungar com diversas pessoas e trocar energias e culturas. De vários universos, ela construiu o seu. Tão místico que o espelho não refletia. Apenas sua consciência, em parte o João e sua mãe e no todo o Eterno. Este, ela reverencia todos os dias no trem, meditava em um livro sagrado e lavava os pés de algumas pessoas em silêncio. Tanta discrição que eu não consegui descobrir os nomes dessas pessoas do Caminho para escrever nesse texto. Era assim, tanto sua vida sexual quanto fé eram tão preciosas que falar demais, seria como espalhar pérolas aos porcos. Mas, no seu caminhar, víamos sua essência, riqueza de humanidade, não havia um lado oculto nela, havia modéstia, o que é bastante diferente. Não havia formas e aparências, havia simplesmente ela: Sandra.


Termino aqui esse texto. Sandra sorri e sai correndo para a sua formatura. Antes fecha os olhos para agradecer alguém que ninguém ver. Por fim, não registrei o nome da puta e nem o da religiosa. O motivo? Ao perguntar, simplesmente não souberam responder.

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2014

domingo, 15 de dezembro de 2013

AS ARANHAS DA CAFETINA JEANY MARY CONER


   

   A cafetina de Brasília Jeany Coner foi presa recentemente por ser acusada de explorar a prostituição de luxo. Entre as suas aranhas, estão algumas vulvas que recebiam cachê de até 30 mil reais. Muito dinheiro para uma brincadeira entre cobras e aranhas.

   As acompanhantes de luxo, não apenas tem corpos esculturais, como também possuem cérebros e uma sagacidade incrível. Entre um gozo e outro sabiam utilizar suas teias para conectar interesses econômicos de alguns lobistas com interesses políticos.

  "Os fins justificam os meios". Abrir as pernas para um político é a possibilidade de abrir a caixa de pandora dos cofres públicos para acordos sem licitação.

   Essas aranhas não são menininhas com um corpo para serem possuídas por velhos políticos brochas e tarados. São espiãs que sabem se infiltrar em cargos públicos, oferecer fundos de investimentos que no fundo são areia movediça.

   Agora, utilizar lindos seios como confessionários não é uma invenção  brasileira. A história é cheia de exemplos. A Stasi, polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, utilizava prostitutas para extrair segredos dos turistas ocidentais e membros do governo. A diferença é que no recrutamento dessas meninas, elas deveriam provar que tinham convicção patriótica.

   Já as nossas meninas, não precisam saber cantar o hino nacional, não precisam torcer pelo Brasil na Copa e nem provar que votaram no PT nas últimas eleições. Basta, provar que são ambiciosas e espertas.

  Esse é o nosso Brasil. Um país que defende um falso moralismo e que só vive caindo em contradição. Enquanto por um lado tem postura firme quanto ao projeto de lei que regulamenta e legaliza o trabalho das profissionais do sexo, por outro lado deixa a porta aberta para que aranhas entrem e façam a suas teias. O problema não é a diversão erótica de um parlamentar, e sim, o dinheiro público que fica preso nessas teias.

Essa é a porneia brasileira.

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2013


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TODO DINHEIRO DESTINADO PARA O PRÓXIMO É SAGRADO


   

   Sempre quando vejo casos de desastres por causa da chuva, vejo uma mobilização popular, do governo e da iniciativa privada para arrecadar fundos e ajudar.
No entanto, infelizmente, dentro dessa ação a população encontra casos de corrupção, desvio de dinheiro. Como exemplo, podemos mencionar o caso de Teresópolis onde dinheiro e até papel higiênico foram desviados.

   Esse cenário é o extremo da bestialização. Onde o homem abre mão da sua humanidade e conectividade com o próximo para enxergar apenas o seu ventre. 
Roubar dinheiro que é destinado para o próximo é uma blasfêmia contra os Céus. É entregar novamente Cristo para cruz por 30 moedas de prata. É a ambição de Ananias e Safira que entrega PARTE dizendo que é o TUDO.

   Todo dinheiro destinado ao próximo é santo. No novo testamento, não temos uma lei que nos orienta a entregar o dízimo como imposto, como acontecia com os judeus. Pelo contrário, temos a sensibilidade de olhar para o próximo e dar o que é devido, seja 5%, 10% ou tudo conforme o nosso coração sugerir. É entregar sem esperar nada em troca. É dar com a mão direita sem a esquerda ficar sabendo. É cumprir com o direito civil de dar "a César o que de César" e o espiritual/humano de entregar "a Deus o que é de Deus". Este, significa investir no próximo.

   Uma ONG, um governo e uma instituição religiosa tem uma imensa responsabilidade em zelar por aquilo que é destinado para o próximo.

   Que tenhamos esse zelo para com as diversas ofertas destinadas para os diversos "Jesus" que estão pelo Caminho da Vida.


Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

SE NÃO FOR PELO AMOR, VAI PELA FORÇA - Uma reflexão sobre a Lei de Responsabilidade Educacional




   Se não vai pelo amor, vai pela força. É isso que significa o projeto de lei de Responsabilidade Educacional. Projeto que propõe a cassação dos direitos políticos de todo governante que entregar o ensino pior do que encontrou.


  Embora a intenção seja ótima, é necessário ter total clareza na forma de controlar os indicadores. Isto é, monitorar com eficiência para que não seja suscetível às fraudes.



   Esse projeto de lei é uma forma de segurar o Brasil que cai grosseiramente no ranking mundial da educação. Entre 65 países o Brasil era o 53 na lista, hoje é o 57. Embora seja algo básico previsto pela constituição e que deveria ser foco de qualquer governante, se revela algo complexo de gerir. Esta complexidade é fruto do desleixo dos administradores públicos.



   A elaboração dos indicadores precisa ser bem pensada para não levar apenas critérios de aprovação como sinônimo de qualidade. A performance dos professores precisa ser medida, tanto em questão de conhecimento/didática como inteligência emocional e capacidade de interação com os alunos. O gestor educacional precisa criar vínculos entre a escola e a sociedade (bairro/cidade) onde está inserida.



   Responsabilidade Educacional não irá atingir a consciência dos governantes, infelizmente, mas o bolso e o poder, sim. Como ouvi certa vez de uma amiga: "o órgão mais sensível do corpo humano é o bolso". Nessa lógica, o prefeito/governador irá pensar duas vezes antes de destituir um diretor porque não virou um cabo eleitoral.



   Se esse projeto de lei se tornar realidade, será uma forma de avançarmos como sociedade. A escola, infelizmente, não tem apenas a corrupção de um gestor como inimiga, ela é frágil diante dos sindicatos que, se forem da oposição, levantam a bandeira da greve, mascarada por interesses da qualidade profissional do professor, mas seu intuito real é a agitação política.



O autor desse projeto é o deputado federal Raul Henry (PMDB-PE). Se você é a favor desse projeto, encaminhe um e-mail para o seu deputado solicitando o apoio dele.




Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2013