quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

O PODER DA CRIAÇÃO



Não pense que a criação ocorre quando há algo sem forma. Isso se chama reforma. 
A criação ocorre quando há o vazio. Quando não há nada.

Sob os olhos dAquele que tudo arquitetou, somos chamados de imagem e semelhança dEle.

Temos o poder da criação. Nossa liberdade está no encontro com essa energia. Apenas ela poderá florescer o que de fato somos. 

Nossa infelicidade é que no processo somos tentados a nos aprisionarmos nos moldes. Chame ele o que você quiser chamar. Poderia exemplificar, mas poderia ser mais uma condução para um pensamento moldado.

A verdade é que o ser humano tem medo da liberdade. Por isso a ansidedade em ser regulamentado.

A liberdade só vem com a Verdade.
Verdade que leva a nudez dos olhos da alma.
Nudez que leva ao vazio. 
Vazio que leva ao Silêncio.
Silêncio que leva ao som da respiração.
Respiração que leva ao fôlego de vida.
Fôlego que leva a visão da Luz.
Luz que leva a centralidade.
Centralidade que leva a Palavra.
Palavra que é Verbo.
Que traz a existência o que não existe.

O fazer sempre esteve ligado no pensar e falar. Potencializar os nossos dons é exercer um pouco da divindade que existe em nós. O que traz prosperidade e satisfação.

Pense nisso.

Pedro Curvelo
Janeiro 2021

Imagem: https://mindmatters.pt/2016/04/28/o-som-do-silencio/



domingo, 24 de maio de 2020

QUANDO IREMOS CHORAR PELOS NOSSOS MORTOS?



"Porque nos dias que antecederam ao Dilúvio, o povo levava a vida comendo e bebendo, casando-se e oferecendo-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca." (citação bíblica de Mateus 24:38 mostrando o descaso que as pessoas praticavam nos dias de Noé ao invés de se prepararem para o dilúvio [passagem da mitologia judaica])"

Brasileiros mortos na Guerra do Paraguai: 50 mil (60 mil se contassem os civis);
Brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial: 464 homens aproximadamente);
Brasileiros mortos na pandemia da Gripe Espanhola: 35 mil (estimativa);
Brasileiros mortos por Covid-19: mais de 22 mil (até 24/05).

Nossa sociedade é tão doente por causa do vírus da indiferença que não choramos com os que choram.

Ligamos o "foda-se" e vida que segue.
Pessoas estão morrendo, mas estamos trancados em nossos apartamentos comendo tudo que tem carboidrato e vendo todas as séries da Netflix.
Os políticos vivem com suas oratórias de ataque. Como se vivessem em um eterno período eleitoral.

Vivemos os extremos: De um lado os que dizem que é uma "gripezinha" e qualquer dosagem de cloroquina resolve. Do outro lado os que incentivam o isolamento para aproveitar o pânico da população e roubar.

Compra sem licitação? Maravilha!!!
Pago por um respirador o preço de três. Uso um fornecedor que não tem nenhum CNAE de serviço hospitalar.

Superlotação.
Desvio de dinheiro.
Violência doméstica crescendo por causa da quarentena.
Suicídios.
Desempregados e pequenos empresários fechando a porta de forma definitiva.

No entanto, temos outras preocupações. Nossas mentes estão cauterizadas pelo egoísmo e descaso. Até o momento em que um familiar  entrar nas estatísticas.

Pense nisso.
Chore pelos mortos.
Pratique a jornada do autoconhecimento na quarentena.
Ajude aqueles que batem na sua porta.


"Nós entoamos lamentações e vocês não choraram." (Jesus Cristo em Mateus 11:17)

Pedro Curvelo
Maio de 2020


Imagem: https://esportes.yahoo.com/noticias/coronav%C3%ADrus-enfermeira-relata-drama-em-111603056.html

domingo, 22 de março de 2020

A TERRA PRECISA RESPIRAR - Uma reflexão sobre a pandemia do Coronavírus



A terra é um organismo que também precisa de descanso.

De tempos em tempos ela sinaliza isso.
Escolas espirituais mostram a necessidade do “entrar para casa”, como foi no caso do dilúvio e das pragas no Egito.

Ficar em casa para se reencontrar. Para descansar. Para celebrar com a família. Quantos judeus viveram trancados em casa com seus familiares por causa da perseguição nazista. Conseguiram manter a saúde mental por causa do comungar com a família.

A terra respira um pouco enquanto você sossega.
Esse sossego precisa alcançar a mente. Não podemos abrir mão da humanidade e querer comprar um mercado inteiro sem nos importarmos com outras famílias. Não podemos andar pelos bares bebendo, brincando como se nada estivesse acontecendo. Seria cometer o mesmo erro das pessoas que não davam crédito para o dilúvio. De acordo com a narrativa bíblica.

“Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos”.

No entanto, a pessoa irresponsável pode não morrer, mas transmitir para o grupo de risco.

A pandemia não pode gerar outro vírus. O vírus da xenofobia. Cair em um radicalismo e culpar os chineses. Pelo contrário, estamos tendo a oportunidade de expandirmos a solidariedade e o autoconhecimento. Outra oportunidade é zelarmos pela humildade. Veja, um vírus que atinge tanto quem é pobre como quem é rico.

Não é a primeira e não é a última pandemia que viveremos na nossa história.

A terra respira. A redução de dióxido de carbono (CO2) pode reduzir esse ano em cerca de 7%. Se os humanos não lutaram direito para reduzir o CO2 pelo Acordo de Paris, a própria terra vai mostrar como se faz.

Fique em casa! Tudo na vida passa. Enquanto isso a Terra troca suas energias. Tenha certeza de que é apenas um ciclo. Que estejamos fortes e conscientes para o próximo.

Pedro Curvelo
Março de 2020

Imagem: eusemfronteiras.com.br/mudancas-energeticas-da-terra-continuam-os-sintomas/

sábado, 22 de junho de 2019

SÉRGIO MOURO DEVERIA ASSISTIR A SÉRIE BILLIONS!


Nos últimos dias o Brasil assistiu uma pequena rachadura na armadura do Ministro da Justiça Sérgio Moro. Ao ter seu bate papo com o procurador Dallagnol em um aplicativo de mensagem vazado no site The Intercept.

As mensagens revelaram  uma certa parcialidade e influência na sua época de juiz quanto a Lava Jato. Diante dessa notícia, não me assusto com o conteúdo. E sim, com a aparente inocência de Moro ao expor assuntos sigilosos por meio de um aplicativo de mensagem. Mesmo que esse aplicativo seja o Telegram. Onde até um tempo atrás se vangloriava da sua segurança digital frente ao Whatsapp.
Moro era o juiz da maior operação contra a corrupção que o Brasil já teve. Era de se esperar um mínimo de cautela.

O engraçado é que na semana que foi noticiado, eu estava assistindo a mais um capítulo da série Billions na Netflix. Série que mostra o duelo entre o promotor Chuck Rhoades (Paul Giamatti) e o magnata do mercado de ações Bobby Axelroad (Damian Lewis). Em um determinado momento um juiz precisava falar com o promotor. Ele não ligou e não mandou nenhuma mensagem por aplicativo. Apenas fez no modo antigo. Mandou um bilhete de papel via um intermediário e se encontraram em um lugar discreto.

O que isso mostra?
Que é comum juizes e procuradores trocarem mensagens. Seria inocência da nossa parte pensar o contrário. Mesmo que tenhamos conflito em separar o que é ilegal do que é imoral, a vida é um jogo. Cada um movimenta as peças conforme seus interesses. A ética na nossa ótica impede que venhamos a enxergar a estratégia do jogo. Não que devessemos abrir mão da ética, mas entender o sistema evita com que venhamos a nos iludir com as figuras dos heróis.

No entanto, mesmo sendo prática, revelar as cartas do jogo por meio de um aplicativo de mensagem é erro de garoto!

Depois das revelações de Edward Snowden, sobre a vigilância global por parte da NSA, ficou claro que nenhum aplicativo, e-mail, celular e computador é invunerável.

Será que Moro não percebeu que com o exército de inimigos que estava fazendo, cautela com celular era imperativo?

 O legado de Moro com a Lava Jato, onde prendeu Lula, Temer e processou Dilma e Collor, além inúmeros políticos e empresários, poderá ficar fragilizado, porém, dificilmente será destruído.

Mesmo que de graça Sérgio Moro tenha concedido munição para os seus adversários. Tanto da oposição quanto dos políticos e empresários que foram presos.

Moro resolveu jogar. Usou peças ocultas para justificar a vitória da justiça frente a corrupção. Como consequência da fragilidade na sua imagem, sua intenção a uma cadeira no STF ficará distante.

Mas, o jogo ainda não acabou. Há cartas a serem reveladas do outro lado. Pode ser uma bomba relógio ou alarme falso. Nesse intervalo, Sérgio Moro terá que  aproveitar a opinião pública a seu favor para abafar o caso. Vale também aproveitar esses momento para assistir a série Billions e pegar algumas dicas.

Pedro Henrique Curvelo
Junho de 2019
Imagem: https://www.riskscreen.com/kyc360/news/brazil-lawmakers-vote-to-strip-financial-oversight-from-justice-minister/

domingo, 5 de maio de 2019

A DIFÍCIL ARTE DE SER BOLSONARO




No campo político para conquistar o poder e mantê-lo é necessário construir um nome até o ponto em que ele deixa o individual e assume o coletivo. Deixa de ser referência a uma pessoa comum e se torna em um mito. O nome passa a ter identidade própria. Mais tangível que a própria pessoa que o carrega.

Assim aconteceu com o imperador romano Augusto Cesar, onde o “Cesar” passou a ser um título cujo o significado era atrelado ao seu tio avó Julio Cesar.

Hitler passou de um cidadão político para uma espécie de Entidade do Terceiro Reich. No Brasil o mesmo se fez com Dom Pedro II, Vargas e nos dias atuais Lula. Lula não é mais um codinome de Luis Inácio da Silva. É agora um poder que pode definir o rumo do país em uma eleição. Mesmo estando preso.

Por sua vez, Jair Bolsonaro também viveu essa transfiguração ao evoluir o Bolsonaro do seu nome para uma entidade que serve de bandeira para o conservadorismo da direita. Evoluiu em uma proporção muito superior ao que o próprio Jair poderia alcançar. Tão elevado se fez que garantiu uma eleição apenas pelas mídias sociais. Conseguiu atingir a massa política ao gerar seguidores extremistas: Os bolsominions. Palavra depreciativa para fazer referência aos seguidores fanáticos do Bolsonaro.

Nesse ponto, existe o grande conflito do nosso presidente. A incapacidade do Jair em ser o Bolsonaro. Ele não consegue sustentar isso por muito tempo. O Jair do Twitter é diferente do Jair construído por Olavo de Carvalho.

Temos pouco tempo de governo e a cada semana o imprevisto do que o Jair poderá falar ou digitar. O imprevisto gera angústia naqueles que estão conduzindo um tema de suma importância: A reforma da previdência. Tema este que está acima do governo do PSL. Se o Hadadd tivesse ganhado as eleições, também teria que priorizar esse tema. No entanto, tal tema construtivo é impactado pelas criancices do PSL.  

Bolsonaro ao invés de ficar perguntando no twitter o que é “Golden Shower”, deveria assumir seu papel constitucional como presidente. Ao invés de ficar defendendo o filho na briga com Mourão, deveria mostrar para o Brasil que seus filhos não são príncipes de uma corte republicana.

Mas, não é fácil o Bolsonaro assumir seu papel constitucional e, tão pouco, gerir seu partido PSL.
O PSL é muito mais complexo que o PT. O PT, por exemplo, possui a ala radical com os Sem Terras. Tem a ala intelectual da turma do Hadadd e a ala tradicional da formação original. Nessa pluralidade do PT, Lula conduziu e conduz com maestria.

O PSL, no entanto, vai muito além. Vejam a complecidade: Bolsonaro precisa gerir dentro do próprio partido a ala conservadora, a ala militar, a ala liberal (centralizada no Paulo Guedes), a ala intelectual (centralizada na figura de Olavo de Carvalho) e uma turma de deputados que não possue nenhuma experiência política. Enquanto digito esse texto fico, sinceramente, na dúvida do que é mais difícil: O Brasil ou o PSL.

Jair vive pressionado. Uma coisa é ser um parlamentar com anos e mais anos no congresso. É fácil! É só colocar lenha na fogueira. É fazer um discurso radical no microfone. Agora, a pegada é outra. Ser Presidente não é para qualquer um.

Diante dessa carência do Jair e da loucura do PSL, temos a falta de um articulador político. Um guardião da presidência, que negocia temas importantes com o congresso, que coloca o Jair no trilho e que preserva a imagem do que é ser Bolsonaro.

Esse poder de articulação não existe. Por isso o intenso conflito com o Rodrigo Maia. Querem, a todo custo, transferir para Maia esse papel. Mas, o próprio já criticou. Apesar da sua grande capacidade com o Congresso, ele é o presidente da câmara e não o chefe da casa civil. Esta, que é conduzida pelo Onyx Lorenzoni. Que, convenhamos, não serve para nada.

Diante dessa bagunça toda vale a pergunta: Até quando Bolsonaro ficará no poder?

Difícil dizer. Mas, com toda certeza, nada acontecerá até a aprovação da Reforma da Previdência. Poderes maiores blindam o tema das intempéries políticas. Depois da aprovação, aposto que o Governo Bolsonaro irá cair e Jair poderá ser Jair apenas.

Maio de 2019
Pedro Curvelo


Imagem: https://jornaldecaruaru.com.br/2019/04/nao-nasci-para-ser-presidente-nasci-para-ser-militar-diz-bolsonaro/