terça-feira, 16 de outubro de 2012

LETÍCIA GOSTA DE MENINAS



Primavera de um ano qualquer, nasce Letícia em uma família onde no DNA tinha uma parte dos beberrões e outra dos religiosos. Nunca lhe faltou nada, seu pai e sua mãe sempre trabalharam fora e seu irmão caçula vivia mais no quintal que dentro de casa. 

Entre as obrigações do colégio, reflexões sobre o mundo e sobre ela. 

Um pai divertido, uma mãe durona, seu irmão no quintal, no final, tudo terminava na bebida.

Os anos se passavam, o véu do mundo se abria cada vez mais para Letícia, sua virgindade intacta e seu irmão ainda brincando no quintal.

Primeiro beijo, 16 anos. Do menino de 17 anos também era. Afobado, tirou a força a roupa de Letícia. Pensava que era igual as embalagens de brinquedo que ganhava quando criança. 

Letícia teve medo, o garoto, depois de algumas tentativas, achou o bendito "buraco".

Para Letícia, uma dor insuportável, para o garoto, o certificado de homem.

Letícia seguiu o seu caminho, entre culpa e prazer, começou a beijar garotos e garotas.

Esperou fazer 18 anos e rasgou a confissão do coração: Gosto de meninas!

Da sua mãe apanhou bastante, como se muita porrada fosse colocar a opção sexual no lugar "certo".


Do seu pai um carinho e uma bebida.

Do seu irmão, nada! Pois ainda estava no quintal brincando.

Agora, entre meninas e meninas, Letícia vai tentar construir um falo interior para ver se, de fato, cria a independência do pênis de um macho.

Ela se sente melhor. Apesar de não ter certeza se segue o espírito de Gynos ou o de Androgynos. 


Por enquanto vive! Já seu irmão, continua no quintal.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SEU FANTASMA AINDA CANTA


Com ou sem você o vislumbre é o mesmo.

Garota de uma terra distante. Do seu lado estou, mas você não diz nada.

Já falam da nossa história, mas o início ainda não escrevemos.

Uma noite, uma cama. Uma paixão avassaladora nos tomou, chegamos ao ápice do gozo, onde dois corpos se tornam um.

Uma manhã, uma cama. O desconforto do toque, uma estranheza no olhar.

O vinho que bebemos na noite anterior, gerou mal-estar e a taça quebramos.

Sei que é verdade que nenhum grande navegador seria capaz de explorar a sua alma, mas eu arrisquei. Suas ilhas explorei.

Mas, dessa expedição só recebi memórias e um fantasma.

Seu vulto aparece, sempre com a mesma canção. Te vejo reencarnada em vários rostos, no entanto, são só miragens.


A canção continua, a estrofe se repete. Calmamente espero. Uma hora acaba.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O LADO MENINA DE NATASHA




Depois do expediente do trabalho, vestida com roupa social preta, da sua bolsa, Natasha tira sua agenda rosa. Agenda que momentos que vira um diário. Entre registros de compromissos, contas a pagar, há também corações desenhados, desabafos escritos e desenhos de bonecas.

Totalmente mulher, simplesmente menina. No amor, ela sabe que não há príncipes encantados. Ela sabe que homens são encontrados na jornada chamada vida, o permitir se revelar, o permitir conhecer. Mas, há em paralelo as expectativas afobadas, sonhos de uma família que são fragmentos das suas brincadeiras com as bonecas.

O duelo do belo e feio, ela sabe que é relativo. Desafio para seguir o seu coração ou aquilo que o mundo colocou como padrão.

Que variação de sentimento, Natasha!

Quando criança, medo de ser adulta.
Quando adulta, aliviada pela satisfação da independência.

Quando criança, sonho de voar.
Quando adulta, medo de cair.

Infância e vida adulta, são fases que o tempo rege em parte, pois a outra, a magia conduz. E esta, sempre esteve com você, Natasha.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

SOU PEREGRINO


Nesse mundo sou peregrino!

Na terra desse mundo, o meu mundo tem outras fronteiras.

Sou peregrino com relação ao outro. Comungo, mas não me aproprio.

Distante estou do exterior desse mundo. Perto estou do interior do meu mundo.


Minha linguagem eu entendo. Mesmo que para o outro eu não seja intérprete. 

Logo, sou errante, distante, estrangeiro da pessoa que está do meu lado.

Tenho uma cidadania predestinada antes que nesse mundo eu fosse gerado.


Sem me prender ao início e fim, serei livre um dia na minha própria pátria.


De miragens os meus olhos se cansam.


De fantasias a minha alma se embriaga.


Ao meu interior estou voltando. Com nudez tenho me contemplado no caminhar com o Eterno/Eu Sou, por fim, evoluindo no tempo/ser.


Eu os vejo atentamente. Eles não me percebem. Mas observo as suas almas devotando a minha admiração.  São rosas de um jardim ainda não descoberto.

Sou assim! Oculto/presente. Corpo/mente. Semente germinada. Fruto ainda não descoberto.

Pedro Henrique Curvelo
Setembro de 2012


sábado, 25 de agosto de 2012

SABER ESPERAR





Existem momentos que precisamos esperar. Simplesmente sentar e esperar o ônibus passar. Alguns ficam irritados, outros transformam cinco minutos em uma tortura de ansiedade. Tem pessoas que relaxam e esperam, tiram um cochilo, escutam uma música, puxam um assunto com quem não conhece e, de repente, chega a hora de levantar e pegar o ônibus.


Nosso DNA parece que nasceu predestinado a viver sob pressão. Por isso vivemos o tempo todo agitados. Somos expelidos pelo espírito desse mundo a correr uma maratona, mas, na verdade, ainda nem aprendemos a engatinhar. Todo tempo somos agitados em um rodamoinho de miragens materiais.

Chega um momento que a alma pede que se desligue o motor por um momento. Apenas para suspirar um pouco. 

O silêncio está em extinção!  Todo instante nossos ouvidos e corações são afligidos por bombas sonoras. No trânsito, no trabalho, em casa e em até algumas religiões.  

Lenine tem uma canção que diz que "o corpo pede um pouco mais de alma", " o mundo pede calma".

Não respeitamos o nosso corpo/alma, como iremos respeitar o mundo com sustentabilidade?

Jesus, em sua humanidade, diante das agitações, tinha o costume de subir para um morro com o intuito de fazer uma vigília em silêncio.

Ele, em uma viagem de barco, quando o mar começou a ficar agitado, mostrou que a alma não poderia ser agitada por aquela situação. Resolveu dormir (rs). Simples assim!

Apesar da era tecnológica que vivemos, muitas pessoas não aprenderam o elementar: o saber respirar. Isso é a essência da vida!

Esperar não é a morte. É a renovação da estrutura interna e externa de uma águia no alto de um penhasco (quem lê, que entenda).

Pedro Henrique Curvelo

Agosto de 2012