domingo, 8 de junho de 2014

A DANÇA DOS LÁBIOS



Há um uniforme que cobre nossos desejos 

Há um protocolo que nos separa 

Mas no intervalo nos entregamos 

Somos jovens 
Não temos contas para pagar 

Vivemos a liberdade em um mundo sem asas

Mesmo neófito no amor 
Decidi me entregar a sacralidade da aliança 
Em detrimento da vulgaridade dos desejos 

Nossa juventude 
Nos torna eternos 

Mesmo diante do curso da nossa finitude 
Como ser insensível com o encantamento dos seus olhos?

Nossos lábios se encontram 
Um sorriso então surge na dança dos lábios 

A certeza do amanhã 
A dúvida do hoje 
A esperança do ontem

Pedro Henrique Curvelo
Junho de 2014

Imagem: http://melodiaslunares.blogspot.com.br/2008_05_01_archive.html

domingo, 11 de maio de 2014

SANTA ANSIEDADE! SOMOS TODOS DEVOTOS!



Santa ansiedade!
somos devotos!
Se não todos, menos que todos, mais que todos ou igual a todos.

Se estamos em uma fila de uma rodoviária, quando o ônibus chega, ao invés de esperarmos que ele pare para embarcarmos, ficamos como uma minhoca doida seguindo as suas rodas, enquanto estaciona. Um verdadeiro ziguezague.

Se vamos ao banheiro, levamos o Smartphone. Se vamos para a rua, da mesma forma. Se estamos em um enterro ou igreja, não desligamos. Algumas pessoas interrompem até o sexo para ver uma notificação no celular. Quando vai ver, é alguma foto de sacanagem encaminhada por um amigo em um grupo qualquer no WhatsApp.

A ansiedade nos leva a falta de educação. Se uma pessoa está conversando conosco e o celular treme, pegamos imediatamente para ver alguma mensagem ou post. Como desculpa, falamos que conseguimos fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

No trânsito, o sinal fecha e ficamos incomodado. O sinal mal abre, já tem gente buzinando. Como se sinal aberto deveria indicar ao veículo parado que deveria estar a 80 km por hora. Para tudo o povo buzina, pelo menos no Rio de Janeiro. Em outros estados que estive, a frequência é menor, no sul é quase zero. Deve ser um tesão imenso a buzina de um carro, pois o povo não larga a mão. Esquece do cinto de segurança e da seta, mas a buzina grita que é uma maravilha. A ansiedade anda de mãos dada com o barulho. Gostamos de gritar sem motivo, xingar e colocar música alta no ônibus.

Somos ansiosos até para dormir. Não conseguimos desacelerar. Precisamos no escuro do quarto da luz do tablet ou do som da televisão.
Silêncio e quietude são perigosos. Pois, liberam o vazio do nosso interior das amarras. Ninguém quer ver isso.
Se estamos em um templo religioso, precisamos de barulho. Meditação e silêncio podem liberar a voz do interior. O problema é que o interior sempre fala a verdade. Não gostamos dela, por isso gritamos, recitamos mantras e até em línguas estranhas falamos. Inocentes que somos.

Assim seguimos, ansiosos. A natureza acompanha, pois é influenciada. Até quando? Não sabemos. Esse é um outro problema. Por que não saber o fim, para alguns gera ansiedade. Se não para alguns, mais que alguns, menos que alguns ou igual a alguns.

Pedro Henrique Curvelo
Maio de 2014

Imagem: http://blog.sc.senac.br/voce-se-deixa-dominar-pela-ansiedade/

domingo, 4 de maio de 2014

O GUARDIÃO DO DIA NO LABIRINTO DA FLORESTA


Olhamos para a montanha em uma noite fria
Algo em nosso coração, uma intuição talvez, dizia que deveríamos subir.

Com coragem fizemos, fizemos apesar das armadilhas da noite.
A alvorada nos visitou
Foi então possível olhar para o vale
Mesmo com a visão turva 
Olhamos e lá estava ele,
Sozinho com os sons dos seus pensamentos.

Chegar até ele
Significa encarar o labirinto da floresta 
Todos sabemos que ela tem seus encantamentos que nos prendem ao medo e nos "zumbifica".

Na dúvida entre se aventurar e encontrar ou mudar a rota e seguir o caminho do riacho, nós lembramos do Guardião do dia. Este, também é o Guardião da noite.


Há uma direção a seguir, faremos.
Ele está lá. Prossigamos então!


Há raízes que o envolve
Há a paciência a auxiliar
Há um amor a confiar
Seja cedo ou tarde
Firme o amaremos
Seja de perto ou de longe,
A ele nos doaremos.

Pedro Curvelo
Maio de 2014

domingo, 27 de abril de 2014

ATENÇÃO! ESTÃO FALANDO MAL DE VOCÊ!



Se você compra um carro importando, o povo fala que você é avarento e quer se mostrar.
Se você compra um carro simples, falam mal dele chamando de carroça. 
Se anda de ônibus com bilhete único te chamam de "fudido".

Se você sai social de casa para trabalhar, te chamam de "besta".
Se sai de bermuda em plena segunda a tarde, é chamado de vagabundo.

Se você, mulher, é magra e coloca um vestido que realce os seus seios, é chamada de "piranha", garota fácil e que tá a caça de homens. Dizem que você é burra e só tem corpo. 
Se você é gorda, enfim, te chamam de gorda mesmo.

Se você fica com todo mundo, você é "galinha". Se não fica com ninguém, é encalhado. Se namora firme, dizem que você enrola para casar.

Se você é crente, te chamam de fanático. Se abandona a igreja é desviado. Se não quer ser evangélico é batizado como "pessoa do mundo".

Se um político faz algo certo, falamos que ele é interesseiro e só pensa nas eleições. Se é corrupto, começamos a escarnecer e depois votamos nele de novo.

Se Jesus bebesse vinho, tinha demônio. Se João Batista não bebesse vinho, tinha demônio também.

Se você posta assuntos da sua vida no Facebook, falam que você quer se mostrar.
Se não publica nada, falam que você não tem novidade de vida.

Se o motorista de ônibus anda rápido, reclamam que ele está correndo muito e que não está carregando a "própria mãe".
Se pára em todos os pontos e anda devagar, o chamam de "lesma" e lerdo. Se obedece o sinal vermelho, é chamado de lerdo mesmo assim.

Se você utiliza as promoções do peixe urbano ou groupon, te chamam de mesquinho.
Se você janta com a namorada em um restaurante caro e posta no Instagram, falam que você quer ostentar.

Ufa! Por fim, se você fizer alguma coisa ou não fizer nada, só pelo fato de você existir, irão falar mal de você. Então, "beijinho no ombro" e vamos viver pela nossa própria cabeça.

Pedro Curvelo
Abril de 2014



quarta-feira, 2 de abril de 2014

ABORTO DA PRODUÇÃO TEOLÓGICA




Nenhuma ciência é estagnada. Todas vivem o processo da evolução. Entre elas, a Teologia não foge desse fluxo.

Não podemos abortar o pensamento teológico por causa de tradições e do fundamentalismo. Uma crença não é estática, ela passa por uma metamorfose que segue o multiculturalismo da nossa sociedade. Isto é, as diversas subjetividades. Uma ótica religiosa do passado pode, naturalmente, ser contestada nos dias de hoje. Vejamos a composição da Bíblia, o cânon, como é chamado, passou por mais de uma definição. Livros foram excluídos, depois voltaram, depois excluídos novamente e definidos como "apócrifos". No entanto, esqueceram que o próprio cânon acaba fazendo menção de alguns livros "apócrifos". 

Temos evoluído na tecnologia e em outras ciências, a teologia não pode ficar em retrocesso.

Para isso, não podemos ter medo. Ou seja, questionar, criar possibilidades, ver um outro lado e pensar no "e se não for bem assim". Todo esse processo faz parte de uma mente que não se conforma. Pensávamos que o raio era fruto de um movimento do Grande Ser nos céus, percebemos que se trata de fenômenos físicos e não metafísicos. Não valeu a crença anterior? Claro que valeu. A partir dela se chegou ao macro. O seu início, ligado ao campo mitológico alimentou a antropologia com o comportamento do homem, a psicologia com o medo do desconhecido, despertou o lado esotérico na produção de rezas, ritos e artes que alimentaram o passado e enriqueceram o futuro.

A produção teológica precisa ser livre. Não podemos ter mordaças de nenhuma instituição religiosa. É claro que o teólogo irá interpretar de acordo com os seus códigos espirituais. Mas uma teoria, não pode ser abortada. Precisa andar no campo do debate.

Quem disse que o inferno existe?
Como se relacionar com o Deus judaico-cristão que mandou matar crianças, idosos e animais para que um determinado povo dominasse um lugar na terra?
O Sagrado não aprova a relação homossexual?
Quem garante que o corpo de Jesus não foi roubado?
Como alguém pode nascer de uma virgem?

São algumas perguntas que não precisamos ficar com medo de levantar. Como também, devemos parar de pegar jargões para definir e ponto final. Tirar a venda dos olhos pode nos revelar algo ou não. Afinal, como está escrito na Bíblia no livro de Deuteronômio 29:30 que "as coisas encobertas pertencem a Deus, e as reveladas aos homens..."



Como a fé fica no campo subjetivo, nunca teremos respostas concretas. É totalmente filosófico. Na relação intrapessoal, minha fé é absoluta no Divino que acredito com a minha constituição interna. Porém, na relação social há diferentes pontos de vistas que enriquecem a cultura humana. Não preciso excomungar o humano porque ele acredita de forma diferente. Partidos há até mesmo em um próprio segmento religioso. Judeus pensam diferentes entre si, evangélicos tem suas denominações, o Budismo tem suas divisões e até o Islã.



O objetivo da teologia não é provar a existência de Deus, e sim, estudar o Sagrado que o humano projetou e revelou. Santo Agostinho contribuiu com os seus códigos sobre como era o Sagrado. Calvino contribuiu para a construção do protestantismo. O Apóstolo Paulo com sua visão sobre a Graça. São verdades absolutas? Não. São homens com as suas teologias. E hoje? Qual a contribuição do campo teológico?



Ver outras interpretações do Sagrado, amadurece a nossa visão. Concordo que nossa espiritualidade pode ser fortalecida ou entrar em crise. Mas, faz parte do processo do conhecimento humano.


Pedro Henrique Curvelo
Abril de 2014

Foto: http://www.itf.org.br/algumas-anotacoes-em-torno-de-caracteristicas-da-teologia-medieval-e-seu-pano-de-fundo-para-a-compreensao-de-uma-teologia-franciscana-2.html