sábado, 21 de fevereiro de 2026

Quando a "justiça" é inimiga da própria Justiça. A relação de um homem de 35 anos com uma adolescente de 12 anos

 


Assusta quando vemos que aqueles que deveriam ser os guardiões da lei se tornam defraudadores do que está escrito, da moral e do bom senso.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais derrubou essa semana a sentença de primeira instância que havia condenado um homem de 35 anos acusado de estupr@r uma menina de apenas 12 anos.

Apesar de o Código Penal ser claro ao condenar a conjunção carnal com menor de 14 anos — e aqui não é preciso ser do ramo do Direito para entender isso — argumentou-se a existência de “vínculo afetivo consensual”. Chega a ser absurdo. Então agora meninas de 12 anos podem manter relação com homens adultos simplesmente porque consentiram? Outra loucura foi o argumento baseado no costume da cidade e porque teve a "benção" da mãe. 

Vale reforça que o homem de 35 anos também já tinha passagem na polícia por crimes como homicídio e tráfico de drogas. 

Agora pensem nas consequências: se amanhã homens adultos começarem a se relacionar com menores, mesmo com o consentimento dos pais, não serão penalizados? Teremos um padrão nesse absurdo?

Estamos falando da dignidade sexual das crianças e adolescentes. Toda defraudação, abuso ou opressão contra crianças e adolescentes revela uma degradação espiritual e moral de um país.

É dever da Sociedade em todas as esferas: religiosa, política, associações, imprensa e, principalmente jurídica, protestar contra esse acontecimento e decisão.

A justiça não pode cortar a própria vista para essa depravação.

Pense nisso!

Pedro H. Curvelo

Fevereiro 2026

domingo, 25 de janeiro de 2026

Quando o Rei Paga: como política, mídia e religião manipulam narrativas de poder


 

Há uma pergunta incômoda que atravessa séculos e permanece urgente: quem paga a conta das narrativas que moldam nossa visão de mundo?

Por trás de filmes premiados, manchetes bem construídas, músicas emocionadas e sermões inflamados, muitas vezes existe menos compromisso com a verdade e mais compromisso com quem financia a história.

Menos fé.
Menos ética.
Mais conveniência.

Manipulação de narrativas e poder político

Quando o rei paga, a narrativa muda.

Músicos passam a ouvir virtudes onde antes havia ruído.
Poetas encontram luz em quartos escuros.
Roteiristas transformam tiranos em heróis.

Não porque o governante tenha mudado, mas porque a narrativa política mudou de dono.

O poder político sempre entendeu que controlar histórias é tão estratégico quanto controlar exércitos.

Indústria cultural, cinema e propaganda ideológica

Quando o rei paga, a arte deixa de confrontar e passa a confortar.

Filmes reescrevem personagens.
Canções suavizam biografias.
Prêmios legitimam versões.

A indústria cultural cria mitologias modernas onde líderes são apresentados como salvadores, e não como agentes de interesses.

Não é errado potencializar o positivo — o erro é abortar o bom senso

Não há nada de errado em destacar virtudes quando se é pago para comunicar.

O problema começa quando, para cumprir esse papel, abortamos o bom senso, abortamos os valores e abortamos o nosso lado humano.

Quando maquiamos o grotesco.
Normalizamos abusos.
E pintamos sepulcros caiados como exemplos de virtude.

Aqui, a comunicação deixa de informar.
Passa a manipular.

Mídia, jornais e a higienização da realidade

Quando o rei paga, crimes viram equívocos.
Escândalos viram ruídos.
Fracassos viram desafios.

A mídia não mente diretamente.
Ela suaviza.

E quem suaviza, muitas vezes, esconde.

Influenciadores e o novo marketing político

Nos dias atuais, influenciadores se tornaram peças centrais da propaganda política.

Eles não defendem abertamente.
Mas sugerem.
Não declaram apoio.
Mas sinalizam.

É apoio sem assinatura.
Propaganda sem carimbo.

Religião, poder e a profanação do sagrado

Quando o rei paga, alguns líderes religiosos esticam versículos até sangrar.

O texto sagrado, que deveria confrontar reis, passa a legitimar tronos.

Aqui ocorre algo ainda mais grave: o sagrado é profanado.

O altar vira palanque.
O púlpito vira tribuna.
Deus vira argumento.

Tudo para beatificar, entre aspas, a atuação de um rei.

Controle do imaginário: ontem e hoje

Ontem eram bardos e arautos.
Hoje são estúdios, redações e algoritmos.

Mudam os meios.
Permanece a lógica: quem controla o imaginário controla o poder.

Quando o pagamento compra consciência

O dinheiro não é o vilão.

O problema é quando ele compra silêncio.
Compra distorção.
Compra louvor.

Nesse ponto, a arte deixa de ser arte.
A fé deixa de ser fé.
A palavra deixa de ser palavra.

Tudo vira mercadoria.

A pergunta que desmonta qualquer narrativa

Diante de discursos inflamados, filmes emocionantes e sermões reveladores, talvez a pergunta mais honesta seja:

quem está pagando?

Não para invalidar toda voz.
Mas para aprender a desconfiar.

Porque, quase sempre, quando o rei paga, não ouvimos convicções.

Ouvimos recibos.

Pense nisso!

Pedro Henrique Curvelo

Janeiro de 2026