
MULHERES TURBINADAS — E O HOMEM QUE SE ESCONDE
A cada dia me surpreendo com as mulheres “turbinadas”.
Vivemos em uma época em que o corpo deixou de ser apenas corpo — tornou-se projeto, vitrine, produto. Seios desenhados, curvas calculadas, rostos filtrados. Não apenas carne, mas construção.
Muitos homens têm dificuldades em lidar com mulheres reais, devido a overdose de estímulos virtuais.
Se Sansão vivesse hoje, talvez não enfrentasse leões — enfrentaria algoritmos.
Se Salomão reinasse, seu harém talvez fosse digital.
E Eros perderia espaço para a indústria do desejo sob demanda.
Hoje temos homens que observam, desejam, mas não se aproximam. Que consomem imagens, mas evitam o encontro. Que preferem o controle do virtual ao risco do real.
E, nesse jogo, todos perdem.
Porque a mulher “turbinada” pode se tornar refém da própria imagem.
E o homem, refém da própria fantasia.
No meio disso tudo, ainda existem as mulheres reais.
As que não cabem em filtros.
As que vivem fora da vitrine.
As que não performam perfeição — mas entregam presença. Algumas sequer possuem Instagram.
Nessa onda afrodisíaca, o caminho saudável está nas mulheres reais.
As normais. As do dia a dia. Gente como a gente.
Humanas — que têm essência, mesmo com suas imperfeições.
São elas: Juliana, Fernanda, Jéssica, Renata, Vanessa…
Ou qualquer outro nome comum, desde que não sejam filhas de IA (inteligência artificial).
E talvez, no fim, seja isso que ainda salva tudo.
Pense nisso!Pedro Henrique Curvelo
Setembro de 2009 - atualizado em 2026
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