sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O SARCASMO DO CANAL PORTA DOS FUNDOS


   O canal “Porta dos Fundos” utiliza um humor que é guiado pelo sarcasmo. Recentemente publicou um vídeo intitulado “Especial de Natal – Porta dos Fundos” que beirou ao insulto e ironia.

   O vídeo coloca em dúvida a virgindade de Maria, expõe o suposto “chifre” que Maria colocou em José e debocha do nascimento divino de Jesus ao dizer “o povo acredita em qualquer coisa”. A frase, apesar de ser verdadeira em alguns assuntos, se tornou uma ofensa contra o pilar do cristianismo que é a figura de Jesus (seja ela histórica ou mística).

   Além disso, o vídeo fala a relação entre Maria Madalena e Jesus, este que é mencionado em evangelhos apócrifos e esteve em debate na mídia constantemente. Em uma outra cena um dos discípulos oferece suborno para conseguir lugares no restaurante. Diante da cena, Jesus finge que não viu. Para finalizar, na hora da crucificação, percebemos um Jesus medroso e reativo.

   Depois de assistir, me lembrei do evento onde a revista francesa “Charlie Hebdo” publicou as charges do profeta Maomé. A reação foi extrema! Ao ponto de termos algumas embaixadas fechadas. Em 2005, caricaturas dinamarquesas do profeta geraram uma onda de revolta onde 50 pessoas foram mortas.

   No Brasil, a reação está apenas no discurso. No entanto, apesar de termos liberdade de expressão, ela precisa de um bom senso. Não uma censura gerada por parte de quem se sentiu ofendido, mas por parte de quem fez o comentário ou vídeo. Ao satirizar um assunto, precisamos medir os efeitos colaterais.

   Pelos comentários, vejo pessoas felizes com o vídeo e aproveitando para ofender evangélicos e católicos. Também, vejo religiosos já encarando o assunto como guerra santa e se posicionando como advogados de Deus.

  Porta dos Fundos segue ganhando com os diversos cliques no vídeo. Enquanto isso, um ringue foi montado de bestialidades. De um lado, um ódio que aproveita o sarcasmo do vídeo para debochar. Do outro, religiosos ofendidos que se mobilizam em protestos.

   Nosso país é bem aventurado ao ter liberdade religiosa. Onde você pode acreditar em que quiser. É feliz também em ter liberdade de expressão que permite um cidadão criticar o que bem entender, até mesmo uma divindade. No entanto, o que vemos hoje é o povo não sabendo usar essas riquezas constitucionais. Somos crianças que brincam na lama com diamantes e ouro.


Pedro Henrique Curvelo

Dezembro de 2013 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A TRÍADE DO CAMINHO: UMA PUTA, UMA RELIGIOSA E SANDRA, SIMPLESMENTE



Ela faz isso desde os 14 anos. O que ela faz? Ir para a cama e viver a ciranda da putaria. Toques, cheiros, penetrações e vários nomes.

Ela sabia que a cada transa seu ser era enterrado vivo. Ela nunca quis trabalhar na sua cidade natal. O motivo? Seus pais poderiam descobrir. Dessa forma, dizia que trabalhava em uma outra cidade como executiva. Esta, até aparece em algumas fantasias, mas nem sempre. Nessas transformações, a cada ejaculação que tinha que engolir (ou fingir), sentia dor na alma. Ela não era uma puta de verdade. Estava ali para juntar um dinheiro e se mandar para a Europa. Mas, qual o valor estipulado? Ela nunca definiu. Enquanto isso, várias mãos/pintos já passaram pelo seu corpo. Imaginar que na infância ela queria ser médica.

Ela, a outra, sabia que em cada culto, rito religioso, amordaçava o seu verdadeiro eu. Entrava em um molde e sustentava com “a paz do Senhor”, “amém irmão”, “tá amarrado”, “recebo”, “em nome de Jesus”, “essa benção é minha”, “o diabo tá furioso”, “o Senhor me revelou” e por aí vai. Falaram para ela sobre o caminho do autoconhecimento, do “trancar o quarto” e sobre o silêncio. Mas, ao aquietar a alma, foi transportada para um espelho. Se assustou! Gritou! Era um fantasma? Não. Era ela mesma. Preferiu sair correndo, entrar para uma corrente qualquer, continuar com o check list do moralismo religioso e olhar para o pedaço de madeira que está no olho do próximo. É mais fácil e todo mundo faz isso. Agora, mais do que nunca, postando frases religiosas no Facebook.

Sandra, simplesmente se arrumou. Era o dia da sua formatura. Olhou no espelho e se admirou, mesmo sem maquiagem. Lembrou do primeiro dia de aula, do período em que descobriu sua matéria favorita, a troca de olhares com o João, o bar com as amigas depois da aula de sexta, a morte de um professor querido, o sabor do comungar com diversas pessoas e trocar energias e culturas. De vários universos, ela construiu o seu. Tão místico que o espelho não refletia. Apenas sua consciência, em parte o João e sua mãe e no todo o Eterno. Este, ela reverencia todos os dias no trem, meditava em um livro sagrado e lavava os pés de algumas pessoas em silêncio. Tanta discrição que eu não consegui descobrir os nomes dessas pessoas do Caminho para escrever nesse texto. Era assim, tanto sua vida sexual quanto fé eram tão preciosas que falar demais, seria como espalhar pérolas aos porcos. Mas, no seu caminhar, víamos sua essência, riqueza de humanidade, não havia um lado oculto nela, havia modéstia, o que é bastante diferente. Não havia formas e aparências, havia simplesmente ela: Sandra.


Termino aqui esse texto. Sandra sorri e sai correndo para a sua formatura. Antes fecha os olhos para agradecer alguém que ninguém ver. Por fim, não registrei o nome da puta e nem o da religiosa. O motivo? Ao perguntar, simplesmente não souberam responder.

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2014

domingo, 15 de dezembro de 2013

AS ARANHAS DA CAFETINA JEANY MARY CONER


   

   A cafetina de Brasília Jeany Coner foi presa recentemente por ser acusada de explorar a prostituição de luxo. Entre as suas aranhas, estão algumas vulvas que recebiam cachê de até 30 mil reais. Muito dinheiro para uma brincadeira entre cobras e aranhas.

   As acompanhantes de luxo, não apenas tem corpos esculturais, como também possuem cérebros e uma sagacidade incrível. Entre um gozo e outro sabiam utilizar suas teias para conectar interesses econômicos de alguns lobistas com interesses políticos.

  "Os fins justificam os meios". Abrir as pernas para um político é a possibilidade de abrir a caixa de pandora dos cofres públicos para acordos sem licitação.

   Essas aranhas não são menininhas com um corpo para serem possuídas por velhos políticos brochas e tarados. São espiãs que sabem se infiltrar em cargos públicos, oferecer fundos de investimentos que no fundo são areia movediça.

   Agora, utilizar lindos seios como confessionários não é uma invenção  brasileira. A história é cheia de exemplos. A Stasi, polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, utilizava prostitutas para extrair segredos dos turistas ocidentais e membros do governo. A diferença é que no recrutamento dessas meninas, elas deveriam provar que tinham convicção patriótica.

   Já as nossas meninas, não precisam saber cantar o hino nacional, não precisam torcer pelo Brasil na Copa e nem provar que votaram no PT nas últimas eleições. Basta, provar que são ambiciosas e espertas.

  Esse é o nosso Brasil. Um país que defende um falso moralismo e que só vive caindo em contradição. Enquanto por um lado tem postura firme quanto ao projeto de lei que regulamenta e legaliza o trabalho das profissionais do sexo, por outro lado deixa a porta aberta para que aranhas entrem e façam a suas teias. O problema não é a diversão erótica de um parlamentar, e sim, o dinheiro público que fica preso nessas teias.

Essa é a porneia brasileira.

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2013


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TODO DINHEIRO DESTINADO PARA O PRÓXIMO É SAGRADO


   

   Sempre quando vejo casos de desastres por causa da chuva, vejo uma mobilização popular, do governo e da iniciativa privada para arrecadar fundos e ajudar.
No entanto, infelizmente, dentro dessa ação a população encontra casos de corrupção, desvio de dinheiro. Como exemplo, podemos mencionar o caso de Teresópolis onde dinheiro e até papel higiênico foram desviados.

   Esse cenário é o extremo da bestialização. Onde o homem abre mão da sua humanidade e conectividade com o próximo para enxergar apenas o seu ventre. 
Roubar dinheiro que é destinado para o próximo é uma blasfêmia contra os Céus. É entregar novamente Cristo para cruz por 30 moedas de prata. É a ambição de Ananias e Safira que entrega PARTE dizendo que é o TUDO.

   Todo dinheiro destinado ao próximo é santo. No novo testamento, não temos uma lei que nos orienta a entregar o dízimo como imposto, como acontecia com os judeus. Pelo contrário, temos a sensibilidade de olhar para o próximo e dar o que é devido, seja 5%, 10% ou tudo conforme o nosso coração sugerir. É entregar sem esperar nada em troca. É dar com a mão direita sem a esquerda ficar sabendo. É cumprir com o direito civil de dar "a César o que de César" e o espiritual/humano de entregar "a Deus o que é de Deus". Este, significa investir no próximo.

   Uma ONG, um governo e uma instituição religiosa tem uma imensa responsabilidade em zelar por aquilo que é destinado para o próximo.

   Que tenhamos esse zelo para com as diversas ofertas destinadas para os diversos "Jesus" que estão pelo Caminho da Vida.


Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

SE NÃO FOR PELO AMOR, VAI PELA FORÇA - Uma reflexão sobre a Lei de Responsabilidade Educacional




   Se não vai pelo amor, vai pela força. É isso que significa o projeto de lei de Responsabilidade Educacional. Projeto que propõe a cassação dos direitos políticos de todo governante que entregar o ensino pior do que encontrou.


  Embora a intenção seja ótima, é necessário ter total clareza na forma de controlar os indicadores. Isto é, monitorar com eficiência para que não seja suscetível às fraudes.



   Esse projeto de lei é uma forma de segurar o Brasil que cai grosseiramente no ranking mundial da educação. Entre 65 países o Brasil era o 53 na lista, hoje é o 57. Embora seja algo básico previsto pela constituição e que deveria ser foco de qualquer governante, se revela algo complexo de gerir. Esta complexidade é fruto do desleixo dos administradores públicos.



   A elaboração dos indicadores precisa ser bem pensada para não levar apenas critérios de aprovação como sinônimo de qualidade. A performance dos professores precisa ser medida, tanto em questão de conhecimento/didática como inteligência emocional e capacidade de interação com os alunos. O gestor educacional precisa criar vínculos entre a escola e a sociedade (bairro/cidade) onde está inserida.



   Responsabilidade Educacional não irá atingir a consciência dos governantes, infelizmente, mas o bolso e o poder, sim. Como ouvi certa vez de uma amiga: "o órgão mais sensível do corpo humano é o bolso". Nessa lógica, o prefeito/governador irá pensar duas vezes antes de destituir um diretor porque não virou um cabo eleitoral.



   Se esse projeto de lei se tornar realidade, será uma forma de avançarmos como sociedade. A escola, infelizmente, não tem apenas a corrupção de um gestor como inimiga, ela é frágil diante dos sindicatos que, se forem da oposição, levantam a bandeira da greve, mascarada por interesses da qualidade profissional do professor, mas seu intuito real é a agitação política.



O autor desse projeto é o deputado federal Raul Henry (PMDB-PE). Se você é a favor desse projeto, encaminhe um e-mail para o seu deputado solicitando o apoio dele.




Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O STRESS DE UMA VAQUINHA



Era uma vez uma vaquinha que morava no interior do estado de Goiás.
A vaquinha era feliz, tinha um nome, era acariciada, naturalmente produzia leite. Deste, uma família bebia todas as manhãs, produziam o queijo e a manteiga.

A vaquinha se sentia realizada ao alimentar algumas pessoas. Livre, caminhava, comia com toda calma do mundo o seu pasto e defecava sem censura. Sabia que sua bosta entraria num processo natural para gerar adubo para a terra produzir.

Certo dia tudo mudou. A vaquinha foi marcada com um ferro quente. Passou a ter uma letra ao invés de um nome.

Da noite para o dia viu suas tetas serem sugadas ao extremo para produzir leite. Por determinação do proprietário passou a ter uma meta diária de produção. No entanto, a tal meta não fora determinada pela natureza, mas pelo dono da vaca. 

Tentou protestar, mas ninguém entendia o que ela falava e não tinha um sindicato.

O pasto que era seu lugar de diversão e entretenimento com as outras vaquinhas, passou a ser um campo de concentração. Foi forçada a comer, comer e comer. Não tinha tempo para conversar, pois era necessário comer mais.

Ela não tinha fome, mas tinha que engodar. Falaram que alguém iria comer o seu lombo. Depois falaram que até o seu fígado iriam comer.

No meio dessa rotina de produção, tentou relaxar com o boi e fazer amor. Mas o boi estava hiperativo! Pensou que tinha a virilidade de um Touro, pois tinha uma meta de produzir filhotes. A relação entre os dois entrou em crise. Mesmo assim, a vaca passou a ter filhos, mas eram tantos, que não dava para gravar o nome deles.

Ficou estressada! Os humanos, geralmente, para desacelerar voltam para a vida no campo. Mas, para onde a vaquinha poderia ir? Não tinha mais direito de fazer amor com o boi por prazer, tinha que comer até mesmo quando não queria. Era até mesmo criticada quando queria ruminar a comida. Passou simplesmente a engolir o mato que comia. Coitada! O desequilíbrio alimentar fez ela soltar umas bufas. Como consequência, foi acusada de destruir a camada de ozônio. Oi??!!!!

Sua auto estima caiu. Para o abatedouro determinaram sua ida. Mas, malandra, conseguiu fugir junto com outras vaquinhas para a Índia. Ouviu dizer que nesse país teria direitos e não pagaria nem pedágio. 

Agora, o governo indiano junto com a ONU tentam solucionar o alto fluxo de imigrantes na Índia.

Por sorte, a vaquinha da nossa história está feliz e realizada. Falou que na Índia encontrou o seu verdadeiro eu e um outro boi para namorar. Ela arranjou até um emprego. Agora é professora de Yoga.

Pedro Henrique Curvelo
Novembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

UM ÚLTIMO SUSPIRO


Um último suspiro e deixamos a morada temporária
Nosso espírito flui para uma outra dimensão, e percebemos que antes, éramos peregrinos

Rompemos com o tempo e para o Eterno voltamos
Fragmentos de um Todo
A consciência do Eu evolui
Diante da roda da vida, honramos nossa temporalidade

O barro se traduz em húmus e forma nossa humanidade
Com a mãe terra comungamos, pois dela viemos e um dia voltaremos para ela
Nossos antepassados são memoriais da nossa finitude

Logo, enquanto houver folego, cantemos a canção
Enquanto houver força e vigor, levantemos nossos talentos
Enquanto houver coração, amemos aquele que é o nosso espelho
Estamos ligados em cada pessoa, formamos o Homem

No processo do nascer, engatinhamos
No processo do viver, corremos
No processo do morrer, descansamos

Do barro somos, que o nosso adubo abrace as sementes da beleza chamada vida
Larguemos a ampulheta do medo
Andemos no Caminho com confiança

O amanhã é uma canção que não conhecemos
O Hoje é a nossa respiração

Pedro Henrique Curvelo

Novembro de 2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O VINHO DE REBECA



Senhorita!

O que tem atrás dos seus óculos?

Beleza insondável! Olhos de uma imensidão onde me jogo sem te sentir.

Você anda de rosa, seus lábios vejo e sinto, por fim. 
Macios, um êxtase sem fim.

Seu sorriso ganha uma nova cor com um vinho. 
Vejo suas pernas nuas, beija-las e sentir, deixando o amor fluir.


Você se levanta, sabendo que é hora de ir embora.

Eu fico e vivo a utopia da repetição da música do encontro. Os ventos trazem a memória do seu rosto.

Eu enterro, deixo ir. Com gratidão aos Céus prossigo. Aquela cujo nome é Rebeca me espera.

De uma árvore desço e sigo o meu caminho.

Pedro Henrique Curvelo
Novembro de 2013

domingo, 27 de outubro de 2013

496 anos da Reforma Protestante. Minha opinião sobre o espírito protestante

   
   

   
   Ter um espírito protestante não significa pertencer a uma Igreja Evangélica ou uma Igreja tradicional do tempo da Reforma. Protestar é um estado ativo que todo ser humano precisa ter para preservar a singularidade da fé e o bem estar do ser humano nessa terra.


   No próximo dia 31 de Outubro iremos completar 496 anos da Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero. O monge católico que contestou os abusos de poder de da Igreja Católica, a apropriação indevida do dinheiro do povo com a promessa de perdão (indulgência) e a defraudação do sacro evangelho com sementes do paganismo.


   Deste movimento, diversas igrejas cristãs surgiram, o capitalismo ganhou força, teorias políticas ganharam insumos e o humanismo se expandiu.



   No entanto, nos dias de hoje, essas igrejas cristãs, em boa parte, perderam a voz de protestar. Algumas se trancaram em quatro paredes com seus movimentos de adoração. Outras criaram campanhas cujo único fim é retirar dinheiro das massas através de um imposto "divino" chamado dízimo e campanhas de prosperidade que tem mais especulação do que a bolsa de valores.


   Líderes evangélicos fazem alianças corruptas em troca de poder e favores. Contra a corrupção se calam. Fizeram das suas igrejas verdadeiros túmulos. Poucos pastores, por exemplo, protestaram contra o Mensalão, inclusive os que estão envolvidos na bancada evangélica. Recentemente, o Pastor Silas Malafaia cedeu o púlpito para o Senador Lindbergh Farias (possível candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro em 2014). Em Nova Iguaçu já presenciei Nelson Bornier e seu vassalo, Mario Marques, subindo em altares de igrejas evangélicas. Não vejo os pastores de Nova Iguaçu protestando contra essa turma. Sujam o altar, trocando a religiosidade por momentos políticos.


   Pastores evangélicos tratam suas ovelhas como clientes e não como membros de uma família. Elas são um meio para alcançar o fim do poder e do dinheiro. Cegaram o povo com uma mentira de que se não derem o dízimo serão amaldiçoados. Correm em uma maratona de evangelismo para "ganhar almas", mas na verdade querem clientes. Eles entram em crise emocional ao verem bancos vazios nos seus templos.



   Nos esquecemos que cada cristão é um sacerdote e não há a figura do líder espiritual. Somos irmãos em torno de um Pai (Deus) e um irmão mais velho (Cristo).



   Se colocaram como uma casta superior onde a salvação pertence apenas a igreja evangélica. Se esqueceram que cada ser humano tem códigos internos e uma forma distinta de interpretar o Sagrado. Logo, as religiões devem coexistir. Não serem iguais, mas terem sinergia para um bem maior: A restauração da dignidade humana. Pois, a verdade que sigo é absoluta dentro de mim, mas com relação ao meu próximo, ela se torna relativa.

   Hoje, vejo a voz protestante mais em católicos do que em evangélicos.

   Sei que nem todos os pastores se dobraram a Baal. Para estes, oro para que o espírito de protestar flua como uma torrente. Que cada cristão seja livre para ler a bíblia e interpretar de forma simples. 

  Que nessa data comemorativa (31 de Outubro), protestantes se levantem na política, nas religiões e na sociedade contra toda forma de exploração contra o ser humano.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2013



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O OLHO AMERICANO



A espionagem americana com relação ao Brasil, da política a economia, não é assunto novo. Só se popularizou agora devido a velocidade que uma informação alcança pela internet e por causa da matéria do Fantástico na Rede Globo.

Basta lembrar da operação Brother Sam, contra Jango. O apoio ao Golpe Militar de 64, a morte por “problemas cardíacos” de Jango, o suposto acidente de carro de JK e a renúncia de Jânio Quadros devido às “forças terríveis”. O olho místico maçônico da nota de um dólar americano, realmente parece algo espiritual. Age e ninguém percebe com clareza. Habilidade muito utilizada na Guerra Fria e que utiliza hoje ainda.

A verdade é que os EUA não conseguem fechar a portinha e cuida do seu próprio terreno. Quebram as regras e os códigos, diplomáticos e tecnológicos, para bisbilhotar os outros. Até na floresta amazônica eles estabelecem bases de pesquisa, infiltram missionários que utilizam meios religiosos com fins políticos, e ensinam em suas escolas que a floresta pertence a humanidade e não ao Brasil. Um discurso um pouco comunista para um império capitalista.

O país ficou escandalizado. Mas toda ação da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA foi praticada da mesma forma no governo tucano de FHC, onde a revista Carta Capital, na época, fez a denúncia. O que aconteceu? Nada!

Do nosso lado, fechamos os livros de história sem questionar o final sobre Jango, do Golpe Militar até a sua morte. Felizmente, teremos no próximo dia 13 de novembro, a exumação dos restos mortais do ex-presidente. Assim, tanto a família Goulart como o Brasil poderão saber se a morte de Jango foi causa natural ou envenenamento.

Nos tornaremos um país autônomo quando a nossa soberania não for defraudada. Internamente os nossos partidos podem brigar e debater. Mas, nenhuma nação estrangeira tem o direito de manipular a nossa economia e política.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2013


sábado, 5 de outubro de 2013

O AMOR POR LUNARIS!


Nuvem que pelo Luar passa
No meu respirar a inspiração se encontra

Deixe a noite se manifestar
Através do invisível o seu vento sentir

Lunaris! 
Cative a minha mente!
Projete os meus sentimentos!
Ela vem na minha estação
Iludir minha visão com sua ilusão. Mas firme permaneço, em paz, sem confusão.

As sombras são frutos da sua luz, lua, sobre o concreto.
No entanto, vivo o processo do abstrato. Onde a luz é fruto da minha cegueira.

Em uma outra dimensão te alcançarei. Humano sempre serei. Mas em meus sonhos, anjo me tornarei e em seu mistério me embriagarei.

Lua nova! Não se preocupe com o real. Sob os meus pés ele se encontra. Na Passagem deixarei para ele as minhas sandálias. Para você, minha alma.

Pela sua sala, ela te visitará, mas não repousará. Pois, na recâmara de uma outra Morada ela para sempre estará.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

ORAÇÃO AO CHAPOLIN COLORADO



Chapolin!

A situação está crítica!

Fala-se da sustentabilidade na mobilidade urbana. Mas, o transporte público é um caos!

A Supervia, por exemplo, ofende a população com um serviço precário, trens fora do horário, superlotação, trens fechados sem circulação de ar.

Já reclamamos para a mídia, Ministério Público, órgão regulador, deputados estaduais e para o querido Governador Cabral. Nada foi feito.

A população paga os impostos, mas não ver os serviços públicos. Pagamos INSS. No entanto, para termos saúde e uma aposentadoria tranquila, precisamos pagar a iniciativa privada.

Ou seja, eles gozam na nossa boca e temos que engolir. Desculpa, Chapolin! Falo assim porque não encontrei eufemismo para essa situação.

Teremos Copa do mundo. Infelizmente, o México, o seu país, corre o risco de não participar. As obras dos estádios estão superfaturadas.

Protestamos! Mas não adianta nada.

Chapolin, o povo é violentado!

Estamos proibidos de protestar usando máscaras. Mas, quem tem coragem de mostrar o rosto e assumir que é abusado pelo governo?

Para piorar, tudo indica que o julgamento do mensalão terminará em pizza. É tanto embargo que esse julgamento só irá terminar no juízo final.

Diante do caos e do desamparo, nos resta uma pergunta: "Oh! E agora, quem poderá nos defender?"

Pedro Henrique Curvelo
Setembro de 2013

domingo, 8 de setembro de 2013

TRAFICANTES “EVANGÉLICOS”



   Associar a violência e o medo com a religião não é novidade na nossa história. Todas as religiões, quando abraçam a ideia de superioridade e exclusividade, caem na ignorância de envolver a fé com a violência, sempre pegando a própria crença para respalda um ataque contra aquele que foi feito a imagem e semelhança do Divino, o ser humano.

   A mídia noticiou essa semana denúncias envolvendo traficantes de algumas comunidades do Rio, que estão proibindo praticantes de religiões de matriz africana a realizarem seus cultos. Pessoas ligadas ao tráfico estão invadindo terreiros e ameaçando as pessoas que usam roupas de cor branca. A proibição da roupa aconteceu no Complexo do Lins. Esses traficantes, de acordo com as denúncias, frequentam igrejas evangélicas. Uma moradora, por exemplo, esqueceu a “roupa do santo” no varal e como consequência, foi expulsa da favela.

   De acordo com o Jornal Extra desse domingo, uma mãe de santo tentou fundar o seu terreiro no Parque Colúmbia, na Pavuna. No entanto, foi alertada sobre a proibição de despachos e atabaques. Na Serrinha, o traficante Fernandinho Guarabu (frequentador da Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai) proibiu terreiros, tanto na Serrinha como no Morro do Dendê. Além disso, muros da favela que tinham imagens de santos, foram pintados com a frase: “Só Jesus salva”.

   Não é só nas comunidades do Rio que acontece essa situação. Certa vez, em um congresso religioso em Betim, Minas Gerais, conheci um índio de uma tribo no Pará. Ele era filho do Cacique. Com a conversão do seu pai, todos os membros da tribo receberam a ordem para se converterem ao cristianismo.

   Infelizmente, o entendimento errado da fé e o seu extremismo, prejudicam uma sociedade civilizada. Não são os neopentecostais os responsáveis por essa perseguição. Toda religião está sujeita a cair nessa cegueira. Foi assim com o judaísmo, o islamismo, o cristianismo católico nas guerras santas, com os protestantes, com religiosos em tribos africanas, com o hinduísmo e por aí vai.

   Precisamos entender que a nossa luta não é contra carne ou sangue, que o Jesus Cristo tatuado no antebraço direito do Fernandinho Guarabu nunca usou a força para combater quem era contrário a ele. Pelo contrário, Jesus uma vez falou: “Quem usa a espada, pela espada morrerá”.

   Desejo, que o Ministério Público e a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (Ccir), tenham êxito em suas investigações.

Pedro Henrique Curvelo

Setembro de 2013

Foto: Urbano Erbiste / Extra

Veja mais:


domingo, 11 de agosto de 2013

A CABEÇA DA SERPENTE E O CALCANHAR DA IGREJA

 
Quando a sacralidade da religião se envolve com o secularismo da política, o sacro é então defraudado.
 
Desde Augusto, o Império Romano não tinha mais uma caráter expansionista. Dessa forma, manter a unidade era um grande desafio. Como unir um vasto território multiétnico? Através da Religião.
 
Com essa estratégia, Augusto se auto divinizou. Em paralelo, na China, Wang Mang, se colocou para os confucionistas como a reencarnação de vários imperadores. Mas, não se sustentou muito.
 
Para os romanos, o cristianismo caiu como uma luva! Na época, o discurso cristão era o da abolição das diferenças entre as pessoas. Discurso que não se manteve por muito tempo devido ao casamento com o Império. Construindo assim uma classe clerical que se mantém até os dias de hoje. Seja na Igreja Católica ou na Protestante.
 
O discurso do Apóstolo Paulo foi usado como estratégia pelo Império alguns anos depois. Mostrando igualdade entre romanos e não romanos. Apaziguando a tensão que existia nas cidades conquistadas.
 
Hoje, algumas igrejas acabam atrapalhando uma possível revolução política e social. Ao se colocar como "salvadora" para aqueles que são vítimas do sistema político operante, acabam abortando a revolta e reflexão das pessoas diante das cobras que existem na política. A cobra não morde o calcanhar das instituições religiosas porque não corre o risco de ser pisada por elas.
 
As igrejas preferem favores. Já se adaptaram ao banquete da Babilônia. Por exemplo, padres e pastores em Nova Iguaçu, preferem alguns favores do prefeito Bornier, ao invés, de protestarem contra a corrupção do seu currículo político. Isso se replica ao governo estadual e federal.
 
Pense nisso, hoje em dia não é necessário cortar a cabeça de João Batista, apenas a sua língua.
 
Pedro Curvelo
Agosto de 2013 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

QUANDO A ALMA SOSSEGA



Quando a alma sossega
É possível ver adolescentes sentados na praça tocando violão.
O gari parar de varrer para escutá-los.

Quando a alma sossega
Você consegue ouvir os pássaros falando com o vento
Sentir a proteção das árvores

Quando a alma sossega
O próximo se torna real e o diálogo nasce
Opiniões, visões, histórias e confissões

Os cães se acomodam ao nosso lado
Perceptíveis se tornam os nossos guardiões.

Veja a menina de dois anos tomando sua água de coco
Deixa o sol aquecer depois do almoço e trazer o descanso

Quando a alma sossega
O corpo contempla
O espírito evolui

Quando a alma sossega
Uma conexão é criada no campo místico
Ocorre então a ligação entre a ruga do idoso, a energia do jovem, o sorriso angelical de uma criança e o passear dos animais.
Surge a integração entre o Corpo chamado Humanidade com a Mãe Natureza. Todo evento ocorrendo em direção ao Eterno.

Pedro Curvelo
Agosto de 2013

sábado, 27 de julho de 2013

PAPA FRANCISCO - Unus, Humus


Papa Francisco: líder carismático, orador coerente e discípulo de Jesus.

Ter carisma é consolidar o sentimento, pensamento e modo de vida do povo. Onde ao ver o líder, seja possível ver um verdadeiro representante dos mais profundos anseios de uma sociedade complexa. É o ponto de motivação que pode trazer um colorido para as tribulações da vida. É também, um outro ponto de tentação para aquele que se encontra na liderança. Onde surge o risco da soberba. 

Ter um Papa que evita excessos é uma ruptura com a história dos pontífices que já passaram pela cadeira de Pedro. Tal comportamento, cativa o povo.

A estadia de Francisco no Rio de Janeiro marca uma nova semeadura da fé católica. Digo isso porque o Rio é uma das três unidades da Federação onde o número de adeptos não ultrapassa a 50% da população.

Fico feliz ao ver que a Jornada Mundial da Juventude despertou a hospitalidade dos cariocas, no abrir as suas casas para os peregrinos. Isso é um dos maiores valores do Cristianismo.
Vale destacar, que não apenas católicos abriram suas portas, templos de Umbanda, Igrejas Evangélicas e Clubes Judaicos também compartilharam seus espaços.

ESPIRITUALIDADE 

Francisco atende aos anseios de uma juventude que tem fome de espiritualidade, mas o dogmatismo da instituição religiosa não consegue saciar. Um misticismo materializado em ações. No simples entrar em uma casa e compartilhar do mesmo pão. No ouvir a história de vida do outro, diferente, mas igual diante dos olhos daquele que tudo ver.

O LEGADO

O que o Papa deixa de herança com a sua visita? O calor humano! É a resposta.
Claro que isso é uma característica do povo latino, mas a dimensão desse entendimento envolve o acolhimento aos necessitados, ao próximo (desde aquele que está na sua casa até a pessoa do seu lado no ônibus). Humildade faz parte dessa conexão. Seu cargo religioso não o distanciou das massas. Da mesma forma, as massas não o afastaram da sua crença.

FIGURA POLÍTICA 

O povo carece de líderes. A juventude brasileira carece de figuras que os inspiram. A seqüência de passeatas no Rio e no Brasil revelam a falência do sistema político. O Papa concentrou, de maneira consciente e inconsciente, a ânsia da população para a projeção de um líder! Carismático e não passivo diante das injustiças sociais. Que sabe salgar e ser luz. que administra para o povo e não para um grupo, seja ele religioso, empresários ou coligações políticas. 

O Papa comungou com o povo. Enquanto Dilma se trancou no seu palácio, Cabral em sua suposta depressão e Paes que deixou escapar erros de gestão grotescos que mancharam a imagem do Rio.

Ele falou para os católicos, para os brasileiros e para o mundo.

Diálogo religioso: ninguém tem a patente da verdade.
Justiça social: através da solidariedade e reforma política.
Fé: No mistério da Cruz com as renúncias que fazem parte.

Não sou católico. Mas agradeço a Deus pela oportunidade de ter sido edificado pelo Bispo de Roma.

Não vi um semideus. Vi um discípulo de Jesus.

Deus abençoe os meus irmãos católicos e ao Papa Francisco.
Deus abençoe o Brasil!

Pedro Henrique Curvelo
Jornada Mundial da Juventude 2013

domingo, 14 de julho de 2013

PRINCESA DE UMA TERRA DISTANTE


Do barro eu vim.
Da terra evoluo e deixo florescer a vivacidade de um homem.

Olho para o céu! É de lá que vem os sonhos e as projeções.
Olho para dentro de mim! É de lá que vem a mais bela poesia traduzindo o êxtase da imensidão da temporalidade da paixão, conectada com a atemporalidade do que é o amor.

Princesa! Olhe para o horizonte!
Você é de uma terra distante. Nas trilhas do meu coração te procurei. Nas milhas da minha alma te imaginei.
Por fim, te encontrei.

A aurora te despertou e sua beleza rejuvenesceu.
Princesa de uma coroa incomparável! 
Minha alma se projeta e te encontra. Um abraço, um beijo, um silêncio e uma aliança.

Na ponte estarei no fim do dia.
Se despoje, menina rainha!
A noite chega e ao amor nos entregaremos.
Viveremos o ápice da noite.

A revelação em plena luz das nossas consciências.
Nos conheceremos, nos amaremos e um nos tornaremos.
Construiremos nossos mitos em pleno refletor do luar.

Linda princesa!
Receba a devoção daquele que é o seu amado!

Pedro Henrique Curvelo

Julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

SEMPRE HAVERÁ UM CACHORRO



Ela dorme pelas esquinas do meu bairro. 

O seu nome até hoje não descobri. Não entendo como ela se alimenta e bebe água, nunca vi ninguém a fornecer, como também nunca vi ela pedindo.
Tentei uma vez, mas ela recusou.
De repente, ela é alimentada pelos corvos, da mesma forma como aconteceu com o profeta Elias.

Ela apareceu e por aqui ficou.
Boa parte das pessoas fingem que ela não existe, desviam o olhar quando ela encara e travessam para o outro lado da rua. Nosso egoísmo sempre tem a tendência de colocar o outro à margem.
Temos olhos, mas não enxergamos. Naquele grande dia eles falaram contra nós.

Por sorte dela, apareceu um cachorro. Estranho compará-los aos anjos, mas as pedras clamam quando não há ninguém.
Os cães lamberam as feridas de Lázaro, foram os seus companheiros em períodos de tormentos.

A vida segue para ela. Eu a observo, ela fala algo que ninguém entende, mas é o seu interior revelando um fragmento da sua história, essência e identidade.

Para o mundo "normal" ela é louca. Se ela é louca, nós somos andróides. Na nossa humanoide, apenas figuramos.

Ela passa, em parte, o processo que Nabucodonozor passou. Se desumanizou, perdeu sua dignidade. E como animal viveu.

A consciência ainda visita as profundezas. Deus queira, que de lá ela consiga trazer ela mesma. Pois, sozinha se encontra. Eu a observo e o cão a acompanha. 

Somente o amanhã dirá o que caminho que ela seguiu.

Pedro Henrique Curvelo
Julho de 2013