segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

UMA CARTA PARA MARIA - mãe de Jesus




Maria, na simplicidade você constrói a sua beleza.

Linda judia! Alegre, discreta, pensativa.

Você sempre construiu sua fé nos alicerces da gratidão.
Agora você vive uma nova estação, irá se casar.
Mistura de ansiedade, empolgação tomam o seu coração. É a euforia de uma criança misturada com a seriedade da vida adulta.
Você deixará a casa dos seus pais e com José irão construir uma nova vida.

Mas, os ventos da vida conduzem o homem na trajetória do “de repente”. Com você, Maria, será assim.
Da normalidade, você será conduzida pelo inesperado.
Na sua humanidade, o mistério do sobrenatural com a temporalidade do natural, irão se cruzar. O Mistério em ti será gerado.

Você sempre conduzirá a sua vida no caminho reflexão. Existirão coisas que você deverá guardar no coração. Ninguém irá saber.

Você é uma menina! Da simplicidade da sua devoção, seu coração sentirá solidão, um pouco de desprezo. Maria! Quem vai acreditar que em você foi gerado Aquele que é o Esperado? E outra, quebrar a lógica da Biologia confrontando a masculinidade de José.

Ele nascerá de você, você cuidará dele, ele irá embora. Ele pertence à outra Pessoa. Ele terá outras “mães e irmãos”, mas você sempre estará na memória dele. Você falará, Ele relutará entre o divino e o humano. Irá ceder para você uma vez.

 Você seguirá a estrada do seu coração, Ele outra estrada. Nesse seu coração, José irá até certo ponto, depois ficará apenas na memória.

Você tentará vê-lo, mas conseguirá de longe.

O Filho de Deus sabe que não pertence a você, o Filho do homem sabe que do seu ventre foi gerado. É o paradoxo gerado pelo divino.

Ele morrerá. Você chorará.

Novamente você terá que se refugiar em você unicamente.

Oh, mãe! Ele falará contigo, mas João cuidará de você. Mulher mais honrada que já existiu na terra.
Ele te verá...  Dirá adeus... Depois passará a eternidade no seu coração.

Maria! No seu coração será escrito outro evangelho que nenhum homem terá acesso. Apenas você. Bem aventurada você sempre será para o mundo e para os céus.

Pedro Henrique Curvelo
Natal de 2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

UMA IMAGEM


Uma imagem
Um foco, um desfoque
O vento me fez perceber a interjeição.

Uma criança, apenas o olhar
Pelo vento percebo seu legado angelical.

Guiado pelo vento eu sou
Escuto o que muitos não querem ouvir, vejo pessoas, percebo a mim mesmo e a diretriz do silêncio.

A condução de um trem, o trajeto das estradas. Assim sigo, levado pelo vento. Ler aquilo que foi escrito para não ser entendido. Entender o que o meu orgulho impedia.

Vento que limpa, que ensina. 
Vento que agita e traz bonança. Vento que me conduz, que me impede de seguir determinado caminho. Vento que dar voltas, me levando para onde eu não queria, de repente, mas era necessário. Vento que traz aquilo que um dia desejei.

Sou nascido desse vento, sem ser percebido, por ele vou sendo evoluído.

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CADA UM COM A SUA LOUCURA


Tem piadas que só a gente rir


Temos imaginações que não temos coragem de contar em voz alta, apenas deixamos nossa mente viajar.


Temos medo de fantasmas que as pessoas falam que não existem, mas apenas nós vemos.


Escutamos o que ninguém escuta.


Temos amigos imaginários que sempre mantiveram suas identidades em oculto.


Temos toques, sistemas. Se eles quebrarem, nós morremos.


Existem drogas que nos tornam imbecis ao invés de curados.


Quem neste mundo caído pode se considerar são perfeitamente?


Fomos considerados loucos, porque decidimos pensar.


Fomos colocados à margem. Simplesmente porque achamos vazio aquilo que era considerado concreto.


Loucura que salva, loucura que adoece.


Sanidade que escraviza, sanidade que liberta.


Eis o mundo! Eis a nossa loucura!

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

QUANDO O HOMEM TROCA O PEITO DA SUA MÃE PELO DA SUA AMADA





Pele macia, ombros largos, magra, pele branca, cabelo castanho e olhos ocultos.

Como pintor diante de um modelo, você é para mim escrita e imaginação.

Apenas te observo porque você nunca me escutou.
Na verdade, me parece que você não escuta nem o mundo ao seu redor.

Seus seios modestos se tornam refúgio para um homem. A vida de um homem é assim: Ele troca um peito pelo outro. O peito da sua mãe pelo peito da sua amada. No primeiro, há o prazer e o alimento. No segundo, um outro tipo de prazer e descanso.

Vai menina! O vento convida a sua saia para uma dança. No oculto você se esconde. Aos poucos vou explorando.

Te vejo, te conheço, por fim, te possuo.

O gozo é um momento, o comungar com você é eterno.

No entanto, a eternidade da alma pertence a uma dimensão, já do corpo é outra. Neste, o corpo, o eterno é escravo do momento e vive sob o jugo da chegada e da partida.

Resta então para a alma, recolher os fragmentos deixados pela eternidade imatura do corpo.

Resta então para nós, a evolução das nossas almas, para que o vento nos leve ao reencontro.

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2012

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A EVOLUÇÃO EDUCACIONAL - A LIBERDADE DA INDIVIDUALIADADE





Para que um ser humano seja livre, leia-se livre o encontro com a sua real identidade, o sistema educacional da sociedade na qual está inserido precisa ser livre.

Um sistema educacional livre é o rompimento com qualquer tipo de padronização.

A padronização vem do sistema político, e este, dos interesses de um grupo dominante.

Uma sociedade comunista, por exemplo, padroniza o cidadão dentro de um sistema. Não pode pensar fora da caixinha. Imaginemos uma criança brincando de massinha. Ele pega uma de uma cor vermelha, outra verde, azul e por aí vai. Envolve todos no seu bolo. "destrói" a característica inicial de cada massa de modelar.

Na sociedade capitalista a mesma coisa. Pegamos um indivíduo e o "desenvolvemos" para atender a demanda do mercado. Não atendendo, se torna descartável. Reprimimos sua individualidade para atender a doença do sistema produtivo. "Xerocamos" indivíduos dentro da massa do proletariado.

O aborto do ser parte do sistema e de algumas famílias. Se um jovem tem aptidão para a música, seus pais o reprimem porque o que dar dinheiro no momento é o curso de engenharia. Consequência: A sociedade perde um grande músico e ganha um engenheiro medíocre.

Um jovem vai prestar vestibular para Filosofia, no entanto, sente pressão externa: "faça aquilo que dar dinheiro, depois faça o que você ama". Dizer isso para uma pessoa que tem que pagar aluguel, sustentar filhos e outras coisas, eu até entendo. Mas, dizer para um jovem que está com todo um gás intelectual?! É como sentir tesão e não poder transar.

A área educacional, na política e na família, deve abrir o caminho para que o homem-ser se conheça. Conhecendo a si, encontrará satisfação. Evoluindo, suas aptidões nascerão e florescerão. Por fim, a sociedade se beneficia. 

Simples assim!

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

MENINA, QUAL O SEU NOME?



Menina, qual o seu nome?
Te vejo, mas não sei.
Te toquei, mas não te conheci.

Vejo sua chegada. Mas não vejo sua saída. Na vida entramos no mesmo vagão, nos olhamos, mas nos distanciamos. Na vida entramos por vagões diferentes. Sem despedidas.

O que parece na percepção, vejo uma outra mensagem: o da possibilidade de nos vermos novamente.

Menina! Lábios carnudos! Um beijo seu é o rejuvenescer do homem.

Entre os seus belos peitos, um cordão de prata com a clave de Sol. O tom eu já entendi, mas qual o seu ritmo? A partitura da sua personalidade sempre esteve escondida.

Menina! No tempo da chegada sempre te vejo de All Star e ouvindo música no celular. Na saída, apenas a memória.

 Você, bela menina, vai contra a lógica do tempo. Eu já tive 18 anos, mas você sempre tem essa idade. As areias da minha ampulheta caem oprimidas pelas velocidade do tempo. Já a sua, as areias se renovam sem precisar virar.

Um dia, quem sabe, pergunto o seu nome.
Quem sabe um dia, através de um beijo, eu possa ver mais que uma clave.
Enquanto isso você vai embora escutando "doom and gloom" dos Rolling Stones. Eu fico sentado escutando "I can't gate no - Satisfaction" também dos Stones.

Pois é! Quem sabe um dia eu também compre um All Star para te acompanhar por onde quer que for.

Pedro Henrique Curvelo
Dezembro de 2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

MÃE FANTASIA



Sonhe, menino! Com um tempo perdido que você não poderá restaurar, mas poderá visitar.

Brincar com os seus fantasmas, cortejar os seus amores.

Desenhe uma asa! E então poderá voar.

O mundo caído tem como imperativo a realidade.

Vivamos! Tenhamos a resiliência como alimento.

Mas, vez ou outra, migremos para a Mãe Fantasia. 

Ela está no nosso interior. Seu portal é o silêncio.

Não há fraqueza que poderá tirar o Éden de você.

Eu subo mais um degrau. Se olho para baixo não vejo o chão, se olho para cima, vejo o desconhecido.

Nos sonhos, tenho fatos.

No mundo real, tenho miragens. 

Hoje eu a vi, ontem eu lembrei, amanhã eu a esquecerei.

No ar vi um absurdo! Um memorial se firmar sem base. No mundo real isso nunca seria possível.

E nele, uma frase que só duas pessoas poderão entender: "Eu te amo hoje mais do que ontem e menos do que amanhã".

Pedro Henrique Curvelo
Novembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

A FORMAÇÃO DE UM DEMÔNIO




Um humano nos nasceu
Um demônio se formou

Do proibido conheceu a si
Do fruto, alimentou uma outra natureza

Metamorfoseou o coração 
Errante andou pela terra 
Terra dos humanos, que um dia foi dos anjos e agora é de um demônio

Assim ele quis, assim foi feito

Da sua raiz familiar resolveu cortar
Sua herança roubou, possuiu antes do tempo

Andou errante, procurando um culpado. Viveu acusando

De um espelho, imagem nenhuma viu, nenhuma semelhança identificou

Viu um dia a Cruz. 
Dela riu e não se curvou

Rei quis ser. Por isso se prostrou diante de si mesmo

Pedras carregou para o deserto. 
Se alimentou delas como se fossem os figos do Éden

Cego se tornou para não ver aquele que chamaram de Lázaro

Paralítico se tornou para não seguir as trilhas do Caminho
Surdo se tornou para não ouvir o canto de uma criança

Se isolou para não sentir o vento

Animal se tornou. 
Seu entendimento atrofiou

Quem é ele?
Agora é tarde. O Tempo o levou. As cinzas da sua história não servirão de memória.

Pedro Henrique Curvelo
Novembro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CINZAS DO PASSADO




Ele olhou para o passado em busca de algum vestígio, no entanto, só encontrou cinzas.
Sem referência, memória ou fragmentos. Teve que encarar o presente partindo do estado zero.

Nem sempre o novo se constrói sobre ruínas. Tem momentos que precisa ser trabalhado sobre um terreno virgem. Se há fantasmas escondidos, as erosões do futuro irão mostrar.

Ele pegou o papel, construiu o preto e o branco. Do seu interior teve que buscar forças para colorir.

Uns chamam isso de fé.

Mas, nesse aspecto, a fé tem outra dimensão. Pois não floresceu de uma promessa, testemunho ou "dito profético". Ela germinou sem semente. Do vazio surgiu, crendo em algo que ninguém consegue ver.

Do Mistério veio o querer e o realizar. Como consequência, uma jardim surgiu. Jardim esse que para ele será um memorial.


Pedro Henrique Curvelo
Novembro de 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O SORRISO DE UMA DEUSA MENINA



O sorriso de uma deusa menina

Os humanos carregam dentro de si fragmentos daquilo que é divino. Somos mortais, mas por dentro, carregamos o reflexo daquilo que É.

Ela é assim! Carrega no interior o legado do belo da sua criação. Homem que sou, sou explorador dos seus olhos, onde cada piscar dos seus cílios vejo a dimensão da sua beleza. 

Ela é assim! Com a simplicidade do seu sorriso, mostra a realeza da sua essência. Homem que sou, reverencio tal imponência.

Ela é assim! Com a maciez dos seus lábios, me torna frágil diante da libido  que é proporcionada. Homem que sou, consinto na fragilidade, como menino, me coloco indefeso. Tudo para viver a fantasia.

Seu beijo e abraço transporta o homem que sou a um mundo paralelo, mundo de contos e fantasias. Nessa dimensão, bebo o vinho do Olimpo. A embriaguez que rejuvenesce.

Até quando ela estará presente? Eu não sei. Afinal, a mulher não é fruto de Cronos, ela é fruto da costela de Adão. Que vem e preenche. Ou então, vem e deixa.

Homem que sou, prossigo em conhecer e ser conhecido pela deusa-menina, humana-mulher.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

DEMANDAS DE UM AMANHÃ QUE PODE NÃO CHEGAR




Demandas de um amanhã que pode não chegar.

A gratidão do instante chamado agora que não é confessada.


Como a Sabedoria um dia falou: "Nós tocamos flauta, mas vocês não dançaram. Falamos de lamentações, mas vocês não choraram."


O que a alma sufocada deseja? 


O que as profundezas de um interior cada vez mais recalcado quer confessar?


As ondas do mundo e seus sistemas, te levaram para mais longe daquilo que você realmente é.


Quem é você? Uma vez que você nunca confessou o seu próprio nome.

Eles dividiram o seu eu. Dividido, você não tem conexão. Assim nunca irá descobrir o elo do verdadeiro ser.


Sejamos um! Falou a Sabedoria.


Mas como ser? Forasteiro você se transformou no extremismo do ter.


Corpo estático, mente agitada.


Você se afunda nesse oceano como uma estátua, sem expressão de reação.


Mas, no esquecimento, observamos uma lágrima. Lágrima essa que irá conduzir às ruínas. Ruínas que levam ao fim. 

Fim que leva ao encontro. Encontro que leva ao Renascer.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CONFISSÃO DE UM OGRO/TROLL: Mosán Santos

            

               Porque tu partis
         Como não se imagi
                      sou um poe
                Muito mais tris

                      Porque fos
                 Destruiu o ver
                              Virou- 
                          Ao inver

     Não meço minha métri
              Atravesso meu rit
Não ressoa minha  sonorida

                     Só uma rima
        Meu coração consola
              Dor com saudade


Mosán Santos

Outubro de 2012
(Fim do MBA em Gestão de Projetos - FGV Nova Iguaçu)


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MULHERES, VINICIUS DE MORAES E ROMEU



Já chorei por amores não correspondidos

Já me empolguei com amores imaginários

Já me queimei com fletes da paixão

Já sonhei com o retorno de uma musa

Já fantasiei fantasmas

Já disse não que depois virou sim

Já escutei uma madrugada inteira
Mas também já desliguei o telefone

Já sonhei, mesmo escutando Elis Regina catando que "viver é melhor do que sonhar"

Já vivi amores intensos e finitos
Mas também vivi paixões infinitas com "manequins" de loja.

Trabalhei para construir poemas, criei canções que ela nunca escutou, ou pelo menos se fez surda

Vivo a liberdade de Vinícius de Morais ao mesmo tempo que vivo a prisão de Romeu

De uma mulher, você e eu podemos até possuir o corpo, mas jamais iremos nos apropriar da imensidão complexa de sua mente/alma

Vivemos constantemente nos andarilhos dos desejos práticos da carne e das ilusões e fantasias da alma

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

DEUS DA GUERRA



Em toda a história da humanidade sempre foi associado uma conquista de um povo sobre o outro como a vitória de um deus sobre o deus do povo derrotado.

Se um povo vence é a prova de que o deus que servem é o verdadeiro e o do outro é falso ou mais fraco. Ou então, se servem ao verdadeiro deus e perdem é porque não estavam fazendo os sacrifícios devidos.

A história dos hebreus mostra isso, dos egípcios, do babilônicos, dos gregos e a nossa também. Não percebem que por trás dessa parceria militar com o divino está uma seqüência de genocídio, roubo e exploração.

Na música do Renato Russo se encaixa muito bem a expressão: "Deus está do lado de quem vai vencer".
Na Idade Média se um povo cristão vencesse um outro cristão, era consequência de quem recebeu a benção papal. O horror da noite de São Bartolomeu, foi a luta de um "deus" sem imagem contra um "deus" com imagem.

Na cruzada o deus cristão venceu o deus muçulmano. Depois perdeu.
.
Se a África viveu e vive em constante miséria e guerra civil é por causa das entidades espirituais que a dominam. Se esquecem que é consequência da desorganização, roubo e exploração que os povos europeus "cristãos" deixaram de herança.

Na Guerra Fria, "Deus" ajudou o capitalismo contra o ateísmo do comunismo.

Hoje continua a mesma coisa. Por exemplo, por causa de um vídeo difamador contra o profeta Maomé, extremistas islâmicos querem levantar uma guerra santa.

A trindade maléfica que assola a raça humana é composta pela Política, Violência e Extremismo Religioso.

A verdade é que o ser humano constrói os seus deuses para justificar sua avareza, ganância e loucura. Quando o correto era associar a figura do Divino com o bem, a ajuda ao próximo e a justiça.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

LETÍCIA GOSTA DE MENINAS



Primavera de um ano qualquer, nasce Letícia em uma família onde no DNA tinha uma parte dos beberrões e outra dos religiosos. Nunca lhe faltou nada, seu pai e sua mãe sempre trabalharam fora e seu irmão caçula vivia mais no quintal que dentro de casa. 

Entre as obrigações do colégio, reflexões sobre o mundo e sobre ela. 

Um pai divertido, uma mãe durona, seu irmão no quintal, no final, tudo terminava na bebida.

Os anos se passavam, o véu do mundo se abria cada vez mais para Letícia, sua virgindade intacta e seu irmão ainda brincando no quintal.

Primeiro beijo, 16 anos. Do menino de 17 anos também era. Afobado, tirou a força a roupa de Letícia. Pensava que era igual as embalagens de brinquedo que ganhava quando criança. 

Letícia teve medo, o garoto, depois de algumas tentativas, achou o bendito "buraco".

Para Letícia, uma dor insuportável, para o garoto, o certificado de homem.

Letícia seguiu o seu caminho, entre culpa e prazer, começou a beijar garotos e garotas.

Esperou fazer 18 anos e rasgou a confissão do coração: Gosto de meninas!

Da sua mãe apanhou bastante, como se muita porrada fosse colocar a opção sexual no lugar "certo".


Do seu pai um carinho e uma bebida.

Do seu irmão, nada! Pois ainda estava no quintal brincando.

Agora, entre meninas e meninas, Letícia vai tentar construir um falo interior para ver se, de fato, cria a independência do pênis de um macho.

Ela se sente melhor. Apesar de não ter certeza se segue o espírito de Gynos ou o de Androgynos


Por enquanto vive! Já seu irmão, continua no quintal.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SEU FANTASMA AINDA CANTA


Com ou sem você o vislumbre é o mesmo.

Garota de uma terra distante. Do seu lado estou, mas você não diz nada.

Já falam da nossa história, mas o início ainda não escrevemos.

Uma noite, uma cama. Uma paixão avassaladora nos tomou, chegamos ao ápice do gozo, onde dois corpos se tornam um.

Uma manhã, uma cama. O desconforto do toque, uma estranheza no olhar.

O vinho que bebemos na noite anterior, gerou mal-estar e a taça quebramos.

Sei que é verdade que nenhum grande navegador seria capaz de explorar a sua alma, mas eu arrisquei. Suas ilhas explorei.

Mas, dessa expedição só recebi memórias e um fantasma.

Seu vulto aparece, sempre com a mesma canção. Te vejo reencarnada em vários rostos, no entanto, são só miragens.


A canção continua, a estrofe se repete. Calmamente espero. Uma hora acaba.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O LADO MENINA DE NATASHA




Depois do expediente do trabalho, vestida com roupa social preta, da sua bolsa, Natasha tira sua agenda rosa. Agenda que momentos que vira um diário. Entre registros de compromissos, contas a pagar, há também corações desenhados, desabafos escritos e desenhos de bonecas.

Totalmente mulher, simplesmente menina. No amor, ela sabe que não há príncipes encantados. Ela sabe que homens são encontrados na jornada chamada vida, o permitir se revelar, o permitir conhecer. Mas, há em paralelo as expectativas afobadas, sonhos de uma família que são fragmentos das suas brincadeiras com as bonecas.

O duelo do belo e feio, ela sabe que é relativo. Desafio para seguir o seu coração ou aquilo que o mundo colocou como padrão.

Que variação de sentimento, Natasha!

Quando criança, medo de ser adulta.
Quando adulta, aliviada pela satisfação da independência.

Quando criança, sonho de voar.
Quando adulta, medo de cair.

Infância e vida adulta, são fases que o tempo rege em parte, pois a outra, a magia conduz. E esta, sempre esteve com você, Natasha.

Pedro Henrique Curvelo
Outubro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

SOU PEREGRINO


Nesse mundo sou peregrino!

Na terra desse mundo, o meu mundo tem outras fronteiras.

Sou peregrino com relação ao outro. Comungo, mas não me aproprio.

Distante estou do exterior desse mundo. Perto estou do interior do meu mundo.


Minha linguagem eu entendo. Mesmo que para o outro eu não seja intérprete. 

Logo, sou errante, distante, estrangeiro da pessoa que está do meu lado.

Tenho uma cidadania predestinada antes que nesse mundo eu fosse gerado.


Sem me prender ao início e fim, serei livre um dia na minha própria pátria.


De miragens os meus olhos se cansam.


De fantasias a minha alma se embriaga.


Ao meu interior estou voltando. Com nudez tenho me contemplado no caminhar com o Eterno/Eu Sou, por fim, evoluindo no tempo/ser.


Eu os vejo atentamente. Eles não me percebem. Mas observo as suas almas devotando a minha admiração.  São rosas de um jardim ainda não descoberto.

Sou assim! Oculto/presente. Corpo/mente. Semente germinada. Fruto ainda não descoberto.

Pedro Henrique Curvelo
Setembro de 2012


sábado, 25 de agosto de 2012

SABER ESPERAR





Existem momentos que precisamos esperar. Simplesmente sentar e esperar o ônibus passar. Alguns ficam irritados, outros transformam cinco minutos em uma tortura de ansiedade. Tem pessoas que relaxam e esperam, tiram um cochilo, escutam uma música, puxam um assunto com quem não conhece e, de repente, chega a hora de levantar e pegar o ônibus.


Nosso DNA parece que nasceu predestinado a viver sob pressão. Por isso vivemos o tempo todo agitados. Somos expelidos pelo espírito desse mundo a correr uma maratona, mas, na verdade, ainda nem aprendemos a engatinhar. Todo tempo somos agitados em um rodamoinho de miragens materiais.

Chega um momento que a alma pede que se desligue o motor por um momento. Apenas para suspirar um pouco. 

O silêncio está em extinção!  Todo instante nossos ouvidos e corações são afligidos por bombas sonoras. No trânsito, no trabalho, em casa e em até algumas religiões.  

Lenine tem uma canção que diz que "o corpo pede um pouco mais de alma", " o mundo pede calma".

Não respeitamos o nosso corpo/alma, como iremos respeitar o mundo com sustentabilidade?

Jesus, em sua humanidade, diante das agitações, tinha o costume de subir para um morro com o intuito de fazer uma vigília em silêncio.

Ele, em uma viagem de barco, quando o mar começou a ficar agitado, mostrou que a alma não poderia ser agitada por aquela situação. Resolveu dormir (rs). Simples assim!

Apesar da era tecnológica que vivemos, muitas pessoas não aprenderam o elementar: o saber respirar. Isso é a essência da vida!

Esperar não é a morte. É a renovação da estrutura interna e externa de uma águia no alto de um penhasco (quem lê, que entenda).

Pedro Henrique Curvelo

Agosto de 2012

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sapatos de Luciana





A noite de sexta-feira é o momento onde o sentido horário regressa, a alma mostra outras faces e o luar se torna indecifrável.

Luciana sabia disso, seus sapatos também.

Com óculos de armação grossa preta, não sabia a noite quem era ela. 

Meiga com rosto de criança, discreta e misteriosa. Sua bolsa parecia uma caixa de pandora que carregava os mistérios da sua alma.

Seus sapatos a conheciam mais do que qualquer pessoa.


Em plena noite de sexta-feira a estrada a esperava, as veredas antigas a despertavam para o momento onde o presente e suas intuições se fundiam.

Pés de menina, sapatos de mulher. Nunca houve compasso em seus passos, mas qual a necessidade disso? Nem sempre trilhos retos e planejados levam a um final feliz.

A verdade é que hoje ela irá andar. Simplesmente andar. Já avisou em casa que chegará mais tarde. Será a noite em que ela vai permitir ser mulher.


Em si, ela tem um pouco de receio. Mas os seus sapatos já estão preparados.

Pela primeira vez ela usa um decote, seu colar para censurar, mas ao mesmo tempo hipnotizar. Sua cintura, ao andar, é um pêndulo que direciona qualquer libido.

A noite passa e poucos homens a perceberam. Esta é uma deficiência do sexo masculino, não ficar atento às ricas fábulas que rodeiam a alma feminina com a lua.


Eu também não reparei. Não reparei nos sapatos da Luciana.

Só foi possível percebê-los quando fiquei descalço. 

Pedro Henrique Curvelo
Julho de 2012