sábado, 28 de maio de 2011

ENVELHECIDOS POR UMA PAIXÃO


 
    Lembranças de um tempo perdido. A amargura do abandono. Ele entendia que a energia da juventude eram os seus amores. O dinamus que move a sua vida.


    Ele amou. No entanto, amou intensamente. Nessa profundidade, o oceano da alma mostrou os seus monstros. Medusa o petrificou, e no fundo ficou.

    Ela um dia estava. Sua vida chegou ao ápice do vigor. Ele tinha energia para encarar a feiura do dia a dia. Até mesmo os deuses do Olimpo vislumbravam tamanha vivacidade para ao cortejar sua musa.

    Na pulsão do Eros ele se moveu, pegou o próprio coração e para ela fez um monumento.

    Mas... O monumento quebrou. Tão rápido e tão cruel, aquela que um dia ele tinha em seus braços se torna uma estranha.

Ela levou sua energia. Morto se tornou mesmo estando vivo. Por ser tão intenso, não conseguiu voltar.

O tempo evoluiu, sua juventude envelheceu. Ficou mudo e paralítico diante do Cronos.

...

Mas um dia, a Sabedoria o visitou. E disse: “Reaviva o seu esplendor! Sua potência é a sua juventude. Que você viva o renascer! Para novamente surpreender Afrodite no teatro do Olimpo”.

Maio de 2011

PEDRO HENRIQUE CURVELO

Um comentário:

Patrícia Costa disse...

O que dizer diante de tal profundidade! Indubitavelmente lindo!